domingo, 1 de fevereiro de 2015

POEMA (DE CATULO)

Vamos viver, minha Lésbia, e amar,
e aos rumores dos velhos severos,
a todos, voz nem vamos das. Sóis
podem morrer ou renascer, mas nós
quando breve morrer a nossa luz,
perpétua noite dormiremos, só.
Dá mil beijos, depois outros em, dá
muitos mil, depois outros sem fim, dá
mais mil ainda e enfim cem - então
quando beijos beijarmos (aos milhares!)
vamos perder a conta, confundir,
pra que infeliz nenhum possa invejar,
se de tanto souber, tão longos beijos.

(Tradução: João Angelo Oliva Neto)


Vivamos, minha Lésbia, amemos sempre,
E os rumores dos velhos rabugentos
Saibamos desprezar, tê-los em nada.
O sol pode morrer, tornar de novo;
Nós, se uma vez a breve luz nos morre,
Uma e perpétua noite dormiremos.
Oh! mil beijos me dá, depois um cento,
E outros mil, e outros cem; e quando ao cabo
Muitos milhares ajuntarmos deles,
Em maga confusão juntá-los-emos.
Que não saibamos nós, que ninguém saiba
Nem maldoso nenhum possa invejar-nos,
Se de tantos souber, tão doces beijos.

(Tradução: Almeida Garrett)


Viuamus, mea Lesbia, atque amemus,
rumoresque senum serueuiorum
omnes unius aestimemus assis,
soles occidere et redire possunt;
nobis curn semel occidit breuis lux,
nox est perpetua uma dormienda.
Da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.
Dein, cum millia multa fecerinus,
conturbabinmus illa, ne sciamus,
aut ne quis malus inuidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.

(Catulo, original em latim)

 
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