quarta-feira, 15 de junho de 2016

Creedence Clearwater Revival: A Lenda do Rock que Moldou uma Geração

Foto com os integrantes da banda.

Introdução

Creedence Clearwater Revival, frequentemente abreviada como CCR, é uma das bandas mais icônicas da história do rock. Com um som único que mistura rock, country, blues e folk, a CCR conquistou fãs em todo o mundo e deixou um legado que permanece vivo até hoje. Neste artigo, exploraremos a trajetória da banda, seus maiores sucessos, curiosidades e o impacto que tiveram na música e na cultura popular. Se você é um fã de longa data ou está descobrindo a CCR agora, prepare-se para uma viagem fascinante pelo universo dessa lendária formação.

A Origem da Creedence Clearwater Revival

A história da CCR começa em El Cerrito, Califórnia, no final dos anos 1950. Originalmente chamada de The Blue Velvets, a banda era formada por John Fogerty (vocal e guitarra), Tom Fogerty (guitarra), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria). Eles tocavam principalmente covers e canções instrumentais, mas foi na década de 1960 que encontraram sua identidade única.

A Mudança para o Nome Creedence Clearwater Revival

Em 1967, a banda decidiu mudar seu nome para Creedence Clearwater Revival. O nome foi inspirado em um amigo de John Fogerty chamado Credence Newball, na palavra "clearwater" (que remetia à pureza) e no termo "revival" (renascimento), simbolizando um novo começo. Esse renascimento não poderia ter sido mais bem-sucedido: em pouco tempo, a CCR se tornaria uma das bandas mais influentes do rock.

O Estilo Musical Único da CCR

O que tornou a Creedence Clearwater Revival tão especial foi sua capacidade de misturar gêneros musicais de forma orgânica. Seu som era uma fusão de rock and roll, country, blues e folk, com letras que frequentemente retratavam a vida no sul dos Estados Unidos, apesar de todos os membros serem californianos.

Influências e Inspirações

John Fogerty, o principal compositor da banda, foi profundamente influenciado por artistas como Elvis Presley, Little Richard e Hank Williams. Essas influências ajudaram a moldar o estilo único da CCR, que soava ao mesmo tempo familiar e inovador.

A Voz Inconfundível de John Fogerty

A voz poderosa e emotiva de John Fogerty tornou-se uma das marcas registradas da CCR. Sua capacidade de transmitir emoção e autenticidade em cada performance foi crucial para o sucesso da banda.

Os Maiores Sucessos da Creedence Clearwater Revival

A CCR produziu uma série de hits que se tornaram clássicos atemporais. Aqui estão alguns dos mais memoráveis:

1.   "Have You Ever Seen the Rain" – Uma balada introspectiva que continua a ressoar com ouvintes de todas as gerações.

2.   "Proud Mary" – Talvez a música mais famosa da banda, conhecida por sua energia contagiante e letra cativante.

3.   "Bad Moon Rising" – Um hino do rock com um riff inesquecível.

4.   "Fortunate Son" – Uma crítica social poderosa que se tornou um símbolo da contracultura dos anos 1960.

Essas músicas não apenas dominaram as paradas de sucesso, mas também se tornaram parte integrante da cultura popular, aparecendo em filmes, séries e comerciais.

O Impacto Cultural da CCR

A Creedence Clearwater Revival não foi apenas uma banda de sucesso; eles foram uma força cultural que ajudou a definir uma era. Durante um período de turbulência social e política, as músicas da CCR capturaram o espírito da época e ofereceram uma voz para muitos.

A Representação da América Profunda

Apesar de serem da Califórnia, as letras de John Fogerty frequentemente retratavam a vida no sul dos Estados Unidos, com referências a rios, florestas e pequenas cidades. Isso deu à CCR uma autenticidade que ressoou com ouvintes de todas as regiões.

O Legado da CCR na Música Moderna

A influência da CCR pode ser ouvida em uma variedade de artistas contemporâneos, desde Bruce Springsteen até Foo Fighters. Seu som atemporal continua a inspirar novas gerações de músicos.

Perguntas Frequentes sobre a Creedence Clearwater Revival

Por que a CCR se separou?

A CCR se separou em 1972 devido a tensões internas, principalmente entre John Fogerty e o resto da banda. Questões criativas e financeiras contribuíram para o fim do grupo.

A CCR já se reuniu?

Após a separação, a banda nunca se reuniu oficialmente com John Fogerty. No entanto, os outros membros formaram uma versão da banda chamada Creedence Clearwater Revisited, que tocava os clássicos da CCR.

Qual é o álbum mais famoso da CCR?

"Cosmo's Factory" (1970) é considerado o álbum mais icônico da banda, incluindo hits como "Up Around the Bend" e "Travelin' Band".

O Legado da Creedence Clearwater Revival

Mesmo décadas após sua separação, a CCR continua a ser uma das bandas mais amadas e respeitadas da história do rock. Suas músicas atemporais e seu estilo único garantem que seu legado permaneça vivo.

Prêmios e Reconhecimentos

A CCR foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame em 1993, um testemunho de seu impacto duradouro na música.

A Influência Contínua da CCR

De festivais de rock a playlists digitais, a música da CCR continua a alcançar novos fãs, provando que grande música nunca envelhece.

Conclusão

A Creedence Clearwater Revival não foi apenas uma banda; foi um fenômeno cultural que deixou uma marca indelével na música e na sociedade. Seu som único, suas letras poderosas e sua autenticidade continuam a inspirar e emocionar pessoas ao redor do mundo. Se você ainda não conhece a CCR, está na hora de explorar seu catálogo. E se você já é fã, sabe que sua música nunca perde o brilho.

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sábado, 4 de junho de 2016

Jorge Mautner e o Partido do Kaos na Sanfran

Sobre si mesmo, Jorge Mautner escreveu:

“Eu, Jorge Mautner, escritor e músico, cantor, compositor-autor-filósofo, sou um seguidor em literatura filosófica dos grandes autores russos pré-revolucionários, eternos-modernos que são Nicolai Gogol, Leonidas Andreyev, e Fiodr Dostoievski, e também de Euclides da Cunha e de Jorge Amado, sou portanto alguém que mergulha nos abismos da alma humana e suas paixões sem medo de cair nos abismos, fascinado mesmo por estes abismos… um gargalhar entre lágrimas…. por entre as minhas quatro personalidades diferentes que às vezes concordam entre si e outras discordam, situa-se a personalidade apocalíptica, e ela sempre me conduziu pela trilha do caminho à procura das sendas perdidas da salvação e das saídas para a humanidade, carregando comigo dois lemas, que servindo um de escudo e o outro de espada, vêm abrindo como ‘leis de conduta’ a minha existência nessa terra da terceira dimensão: o primeiro é o dizer do pensador cristão existencialista Karl Jaspers que diz: ‘A meditação principal do final deste século para o século XXI, é a meditação sobre três coisas: Friederich Nietzsche, a bomba atômica e Jesus Cristo! O outro lema é: de Goethe - ‘Cinza é toda a teoria, mas verde, meu amigo, é a cor da árvore da vida!’

Discurso na Faculdade de Direito São Francisco - USP
Jorge Mautner discursa no "Onze de Agosto".

Jorge Mautner escreveu seu primeiro livro “Deus da chuva e da morte”, aos 15 anos. Em 1963, publicou “Kaos” e, em 65, “Narciso em tarde cinza”. Em “Vigarista Jorge”, com introdução do professor Mario Schembeg, na qual o físico dizia que o conceito mautneriano de Kaos era a síntese entre Marx, Berdiaev e Nietzsche. O autor publicaria  ainda mais nove livros. Também é compositor, sendo “Maracatu atômico” sua música mais famosa.

Após o Golpe de 64, Mautner saiu do Brasil. Nos EUA, trabalhou com um dos maiores poetas de lá, amigo de Ezra Pound e T. S. Elliot, Robert Lowell, de quem foi secretário literário, e de Paul Goodman, fundador da New Left, Nova Esquerda, filósofo e político neo-anarquista-democrata, pai da nova esquerda.

Mautner fundou o Partido do Kaos em 1958 em São Paulo, juntamente com José Roberto Aguilar e Arthur de Mellho Guimarães. Sobre o Kaos, Mautner escreveu no site Panfletos da Nova Era:

Nossa ideologia era um Anarquismo Pacífico baseado em: ecologia, diversidade sexual, mas consistia principalmente na proclamação messiânica e fundamental da novidade totalmente original e essencial que o Brasil havia criado com a sua própria História para o bem de todos os povos do planêta terra, nos meus textos escritos eu já proclamava a toda hora: ‘Do Brasil nascerá a Nova Coisa’ ‘Do Brasil nascerá a nova era!’ Isso será constantemente proclamado em todas minhas músicas, livros, entrevistas, palestras, militância política e cultural até hoje ano de 2013. E o será sempre proclamado enquanto eu estiver vivo. (...) Eu, Aguilar,e Arthur sabíamos por leituras intensas de Dostoiévski, Nietzsche, Machado de Assis, livros de História e filosofia, o que está bem claro em meus escritos todos desde o Deus da Chuva e da Morte, que Jesus de Nazaré é quem inventou e criou o romantismo, os direitos humanos, inclusive a desobediência civil pacífica e pacificante, e através do livre arbítrio o liberalismo,e finalmente o socialismo!!!!”

O símbolo do Kaos era uma espécie de exú alado em fundo vermelho, e KAOS queria dizer simultâneamente:Kristo Ama Ondas Sonoras=Kamaradas Anarquistas Organizando-se Socialmente=Kolofé Axé Oxóssi Saravá=”

Um fato inusitado: Após uma entrevista de Mautner concedida ao jornalista do Shopping News e estudante de direito Paulo Azevedo, este fundou uma ramificação do Partido do Kaos na tradicional e conservadora Faculdade de Direito da USP, onde teve ampla e repercussão. Segundo Jorge Mautner: “Ainda em 1962 houve grande influxo de militantes surgidos da Faculdade de Direito pois nesta faculdade havia surgido um líder muito competente e de muita iniciativa chamado Paulo Azevedo que conseguiu em eleições da Universidade colocar o PK em terceiro lugar muito perto em votação com os dois Partidos clássicos e majoritários”.


Paulinho do Kaos


O boletim “O Gafanhoto” que ostentava a seguinte epígrafe:

“Quando Deus fez o mundo,
Pra castigar os infiéis
Ao Egito deu gafanhotos
E ao Brasil, bacharéis!”

Assim noticiava o surgimento do PK pelas Arcadas:

“Acaba de ser fundado na Faculdade o partido do Kaos. “Kaos” assim com “k” é muito mais importante do que o outro “caos”, que afinal é denominador comum de qualquer partido político. Alguns princípios do novo partido: crença na morena brasileira, recauchutagem de Jesus Cristo, e promover a sacrossanta arruaça!”

Aqui publicaremos um material inédito. Um poema e a “Constituição do Partido do Kaos”, ambos de autoria de Paulo Azevedo, ou Paulinho do Kaos, influenciado pelas ideias do Kaos:

O NOVO CREDO
(out. 1962)

Tudo muito igual:
Na cruz do calvário
Hoje está um proletário
A obra “O Capital”
É os santos evangelhos
A Santa Madre Igreja -
O Partido, o Partido!
Marx, a Razão e o Estado -
Eis a divina trindade
(Menos mistério, já se vê!)
Quem é Lenine senão Pedro?
O paraíso prometido está aqui mesmo:
A nova sociedade comunista.
Deus, uma safadinha confusão
Ou apenas adorável interrogação:
Felizmente não há juízo final…
A bomba atômica?

Ora, ora não faz mal!

Paulo Azevedo discursa na SanFran.

CONSTITUIÇÃO DO PARTIDO DO KAOS

1o.) O Partido do Kaos é a primeira súplica séria que fazemos à geração anterior e futura no sentido que confie em nós. O Partido do Kaos é o início de plasticização da Nova Coisa.

2o.) Adotamos como símbolo a Cruz de Mautner, porque ele é um escritor extremamente lúcido e homem bom. A Cruz de Mautner é assim:

(A cruz atrás de Mautner, na foto do topo)

3o.) Adotamos como saudação o Grito do Alvarenga, porque ele é meio louco, porém cura a juventude acadêmica muito mais que os próprios professores dela. O grito é assim:

“Companheiros, de pé!”

E a resposta é assim:

“De pé!”

4o.) A nossa bandeira é negra com uma rosa vermelha de haste verde no meio, porque este é o estandarte que tem Verdade, Beleza e Bondade.

5o.) Adotamos como hinos os seguintes: “Hino Nacional Brasileiro”, “A Marselhesa”, as canções caboclas e afro-americanas, a “Marcha Radetzky”, de J. Strauss, a grande marcha da “Aída”, de Verdi, as músicas de Wagner, “Glória, Glória Aleluia!” (hino Cristão), a “Marcha Nupcial”, de Mendelssohn, as músicas de base indígena da América Latina e as canções dos “mariachis”.

6o.) Adotamos como símbolo-saudação o levantamento bem alto dos dois braços, em “V”, porque este sinal, doa a quem doer, é o sinal da vitória.

7o.) Eis o que desejamos para a Humanidade:

a. Paz, Paz, Paz!

b. a extinção do assassinato, brincadeira comum a todas as gerações passadas;

c. a restauração de Jesus Cristo;

d. a redescoberta do Coração, como primeiro orientador das relações humanas;

e. os frutos bons, amadurecidos pela experiência Oriental e Ocidental, tendo como principais pomares os EUA e a URSS;

f. a ajuda da inteligência de Karl Marx;

g. a compreensão de Dionisio;

h. o real aproveitamento por parte de todos, sem distinção de classes, dos grandes como Bach, Mozart, Vivaldi, Wagner, Schumann, Da Vinci, Renoir, Picasso, Portinari, Kafka, Fernando Pessoa, Mautner, Sartre, Tagore, Khayyám, Tolstoi, Dostoievski e tantos outros.

i. o reacendimento da tocha da Estátua da Liberdade que está ameaçada de ser apagada por certas águas do mar de Nova York.

8o.) para o indivíduo, eis o que recomendamos:

a. a dúvida metódica que conduz ao perplexismo dinâmico: a mais verdadeira das atitudes do homem diante das coisas do mundo;

b. a crença no poente, na floresta, na chuva, e na rosa desabrochada, sob a lua da América;

c. a subordinação à própria verdade espiritual e carnal, que resulta na autêntica auto-interrogação;
d. o respeito e consideração ao companheiro de amor eleito, bem como aos resultados do irmão: a família continua precisando sem bem integrada e firme, pois é a unicidade celular do organismo social;

e. o amor ao estudo da vida dos seres de elite, surgidas em todos os tempos, no seio da Humanidade, especialmente do limpo e eterno Jesus Cristo, o Nazareno.

9o.) Para o Brasil, nós exigimos:

a. Independência ou Morte! Mas desta vez p’ra valer mesmo: INDEPENDÊNCIA OU MORTE!

b. o enterro definitivo do poder financeiro, responsável pela cínica “representação do povo”;

c. a devolução aos brasileiros de tudo aquilo que é propriedade dos brasileiros;

d. a integração aos povos da América Latina, pois é válido o princípio segundo o qual “somente os iguais na desdita podem se ajudar com verdade e eficiência”;

10o.) Dentre os crimes que apontamos à geração anterior, que ainda manda em todos nós, destacamos:

a. as travessuras bélicas do passado recente, que redundaram no mais violento tripúdio à dignidade humana de milhares de seres;
b. as ameaças irresponsáveis e assassinas de próximas travessuras bélicas;

c. a placidez de moleque imbecil com que contempla a agonia de todas as conquistas humanas.

11o.) Todavia, ainda temos esperança em a geração anterior:

a. compreender nossa sacrossanta arruaça, nosso rock’n’roll, nosso samba e a nossa estupenda gargalhada;

b. desperte e tenha modos;

c. não nos aborreça com pedidos de “moderação”, porque não tem condições morais para isto.

12o.) Com e pela geração de agora, pretendemos:

a. canalizar e aproveitar esta sacrossanta arruaça, este tumulto maravilhoso que é próprio de todos nós, moços de hoje, traídos que fomos pela geração de ontem;

b. descobrir e dar sentido positivo à formidável e justa gargalhada que temos;

c. eliminar os estragos cruéis produzidos pela travessa e destruidora geração de ontem;

d. iniciar a construção da Nova Coisa, pela crença do advento da Nova Era.

13o.) para o “Onze de Agosto”, exigimos:

a. uma direção que tenha amor, antes de mais nada, pelos miseráveis da América Latina e do Brasil;

b. uma direção inquieta e disposta em converter em força positiva o tumulto dos acadêmicos do Largo de São Francisco;

c. uma direção que saiba compreender a gargalhada de nós todos, atualmente desprezada e perdida pelo pátio e nas Arcadas;

d. uma direção que represente verdadeiramente as aspirações dos alunos da Faculdade de Direito.
  
Jean, autor de "A saga de um andarilho pelas estrelas", e Mautner.