quinta-feira, 15 de julho de 2021

Carl Perkins - Pioneiros do Rock'n'Roll

Carl Perkins (Carl Lee Perkins) nasceu no dia 9 de abril de 1932, em Tiptonville, Tennessee, e é considerado um dos principais e mais influentes artistas de rockabilly de todos os tempos, notabilizando-se por ser o autor do clássico “Blue Suede Shoes”.

Carl Perkins

Filho de um agricultor, aos 6 anos de idade, já trabalhava na roça. Oriundo de uma família pobre, para ajudar no sustento da casa, o menino abandonou a escola quando ainda cursava a oitava série. Depois das exaustivas horas na lida, à noite, Carl, seu pai e seu irmão mais velho, James Buck, o Jay, descansavam ao som de música country e gospel.

Para cantar suas canções prediletas, Carl aprendeu a tocar guitarra, com a qual ele imprimia nas músicas de country uma levada de blues. Aos 14 anos, começou a compor e passou a ensinar seu irmão Jay acordes de guitarra base para que este o acompanhasse em seus ensaios musicais. Formaram então os Perkins Brothers e, algum tempo depois, convidaram o irmão mais novo, Lloyd Clayton, para assumir o contrabaixo.

Como toda banda no início de carreira, os irmãos enviavam fitas demos (demonstração) de suas composições para diversas gravadoras, que, no entanto, nunca demonstraram interesse pelo grupo. Então Carl foi para Memphis, onde conseguiu um teste e, enfim, assinou contrato com a Sun Records, mesma gravadora de Elvis Presley e Jerry Lee Lewis.

Naqueles tempos, os Perkins Brothers abriam os shows do rei do rock Elvis Presley em algumas de suas turnês. Carl acabou fazendo amizade com Johnny Cash, que também pertencia ao casting da Sun e que lhe sugeriu compor uma música sobre a nova mania adolescente: sapatos azuis de camurça. De fato, numa apresentação da banda, Carl ouviu a discussão de um casal na pista de dança: “Cuidado com meus sapatos de camurça”, alertou o rapaz à namorada. Após o show, ao passar a noite em claro, Carl escreveria em um saco de papel amassado a letra que se eternizou como uma das canções mais emblemáticas da história do rock’n’roll. Em 19 de dezembro de 1955, lançava “Blue Suede Shoes”.

Imediatamente, “Blue Suede Shoes” alcançou o segundo lugar nas paradas da Billboard Hot 100, atrás apenas de “Heartbreak Hotel”, de Elvis Presley. Meses depois, em março de 1956, o próprio Elvis lançaria sua versão da canção. Em abril, “Blue Suede Shoes” havia vendido um milhão de cópias!

Em 1958, desiludido com a gravadora, por causa de direitos autorais, Carl assina com a Columbia Records. Em 1964, em turnê pela Inglaterra com Chuck Berry, recebe dos Beatles um convite para uma sessão de gravação. Em 1968, junta-se a seu grande amigo Johnny Cash e compõe “Daddy Sang Bass”, um grande sucesso. Em 1969, dá inicio a amizade com Bob Dylan, com quem escreve “Champaign, Illinois”.

Sua vida foi marcada por tragédias e alcoolismo. Ao mesmo tempo, conquistou a admiração de figuras do rock não menos importante que Elvis Presley, Johnny Cash, George Harrison, Paul McCartney, Bob Dylan, Eric Clapton, Paul Simon, John Fogerty, Tom Petty, Beatles, Rolling Stones etc.

Em 1987, Carl Perkins entrou no Rock’n’Roll Hall Of Fame.


quinta-feira, 1 de julho de 2021

O genial Nikola Tesla

Nikola Tesla nasceu em 1856, em Smiljan, uma aldeia da Croácia. Desde tenra idade, manifestou grande precocidade inventiva. Mas, na adolescência, sofreu com diversas doenças que fizeram com que seu pai, que desejava fazer dele padre, aceitasse a sugestão do filho de que a saúde dele próprio seria restabelecida por completo caso fosse enviado para estudar em um curso de engenharia em outra cidade.

Nikola Tesla

Aos completar 19 anos, seu pai então o matriculou em uma escola técnica em Graz, na Áustria. Certo dia, um dos professores de Tesla fez demonstrações com um motor de corrente contínua. O jovem aluno ficou fascinado. Porém, Tesla percebeu que as escovas soltavam muita faísca e sugeriu que seria possível construir um motor sem escovas, a fim de evitar o contato entre o rotor central e os polos fixos externos. Um motor assim, afirmava o estudante, não soltaria faíscas, seria mais fácil de manejar e funcionaria como uma corrente alternada.

Apesar de ser desestimulado pelo professor, que o assegurou que tal ideia não era possível de se realizar na prática, Tesla não desistiu de fabricar seu o motor ideal. Após ter cursado durante um ano a Universidade de Praga, o rapaz, por força das circunstâncias, decidiu interromper os estudos e obter um emprego na companhia telefônica de Budapeste: seus pais estavam sobrecarregados financeiramente para mantê-lo frequentando as aulas. Ainda assim, nunca abandonou o objetivo de construir o motor idealizado por ele na escola técnica e nas horas de folga trabalhava intensamente para solucionar os problemas relativos à exequibilidade do projeto.

Certo dia, quando passeava no parque da cidade, Tesla teve um insight: vislumbrou mentalmente o motor de seus sonhos em todos os detalhes. Pegou um galho de árvore e desenhou na areia o motor, alterando sucessivamente os arranques e as paradas, diante de transeuntes que olhavam surpreendidos. Havia conseguido descobrir um método para fazer circular uma onda de corrente alternada pela bobina ao redor do dispositivo, de tal maneira que o motor girasse pela ação rotativa constante do campo indutor. Tesla acrescentou uma segunda onda de corrente alternada assíncrona, e depois uma terceira. Era quase o mesmo que acrescentar mais cilindros a um motor, originando o sistema de transmissão polifásico.

O jovem inventor construiu o seu modelo ideal e não se surpreendeu quando viu que este de fato funcionava na prática. Contudo, como não encontrou na Europa quem investisse na sua invenção, resolveu ir para a América, com uma carta de recomendação para Thomas Edison, escrita por um engenheiro norte-americano com quem havia travado amizade. No ultimo instante, quando corria para o trem, que o levaria ao porto de embarque, descobriu que tinham roubado sua carteira com as passagens e todo o dinheiro da viagem. Apesar do infortúnio, conseguiu mesmo assim embarcar para os Estados Unidos.

No ano de 1874, chegava a Nova York, portando apenas quatro centavos no bolso e a carta de recomendação. Tesla obteve seu primeiro emprego na famosa usina elétrica de Edison, que, havia dois anos, iluminava algumas centenas de edifícios de Nova York. Como todas as usinas daquela época, esta central operava usando corrente contínua, que podia ser transmitida apenas a curtas distâncias.

No início, Edison encarregou o imigrante para executar tarefas sujas e pesadas. Mas a inteligência brilhante de Tesla arrancou a seguinte confissão do patrão: “este estrangeiro é um engenheiro de primeira plana”.

Tesla registrou em seu nome uma série de patentes, e cerca de um ano mais tarde montou seu laboratório particular, para a construção de motores de indução. Tesla sabia que seu motor de corrente alternada podia funcionar com transmissões a grandes distâncias. Em 1788 apresentou ao Instituto Americano de Engenheiros Electrotécnicos uma tese que gerou grande polêmica. Poucas pessoas aceitaram seus argumentos de que a corrente alternada era a chave para a expansão da energia elétrica. George Westinghouse foi exceção e resolveu adquirir o direito das patentes de Tesla, além de contratá-lo para dirigir a construção dos novos motores e geradores de corrente alternada.

A partir daí entrava em curso a guerra das correntes. Edison, que era uma espécie de supervilão da ciência, um empresário ultraganancioso que submetia tudo à sua sede de lucro, empregou dos meios mais inescrupulosos, como experiências cruéis com animais, para conseguir medidas legislativas que proibissem o uso da corrente alternada. Outras pessoas, provavelmente pagas por Edison, também lembraram que a corrente alternada estava sendo usada na nova cadeira elétrica e que sua transmissão em fios elétricos constituiria certamente uma ameaça à população. Tesla deu a esta última acusação uma resposta teatral, fazendo com que passassem através de seu corpo uma corrente de 1.000.000 volts, produzindo uma cena memorável, digna de ficção científica.

O primeiro grande triunfo de Tesla ocorreu em 1893, quando seus geradores iluminaram intensamente 90 mil lâmpadas instaladas na Exposição Mundial de Chicago. Enfim, os inimigos da corrente alternada jogaram a toalha três anos depois, quando os novos geradores de grande potência desenhados por Tesla e instalados nas Cataratas do Niágara começaram a iluminar a cidade de Buffalo, a cerca de 36 km de distância. Tesla venceu a guerra das correntes.

Dono de um gênio tão universal como o de Leonardo da Vinci, Tesla foi muito versátil em várias áreas do conhecimento científico. Fez experiências com iluminação elétrica em tubos de gás, que foram precursores das lâmpadas de neon e luz fluorescente. Descobriu o efeito térmico que produzem no corpo humano as ondas curtas e sugeriu sua aplicação em certos métodos terapêuticos. Em 1793, Tesla anunciou o princípio da sintonização do rádio e realizou várias experiências com telégrafos sem fio. Em 1698, Tesla assombrou Nova York com um barco misterioso que navegava sem tripulação a bordo. Tratava-se de seu famoso barco comandado por controle remoto. Uma de suas invenções mais notáveis foi a famosa bobina de Tesla.

A obseção de Tesla, no entanto, era a transmissão de energia elétrica pelo “éter”, isto é, sem fios condutores. Com o apoio financeiro de John Jacob Astor, construiu um laboratório misterioso nas montanhas do estado de Colorado. E se bem que não existem documentos sobre as experiências, anunciou que tinha conseguido acender lâmpadas e acionar pequenos motores há mais de 24 km de distância do laboratório.

Na velhice, Tesla se tornou um recluso excêntrico e adquiriu uma estranha paixão por pombos. Durante anos, era visto, sempre vestido de preto, com sua figura austera, transportando um saquinho de sementes, no parque Bryant ou nos degraus da Catedral de São Patrício, para alimentar seus estimados pássaros. Nada, porém, que desabonasse um dos maiores gênios da humanidade de todos os tempos: o formidável Nikola Tesla!

H.M.