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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

A Biografia do Rei do Rock: Elvis Presley e Suas Músicas de Sucesso

Elvis no palco em sua era dourada: Uma imagem de Elvis Presley em um show ao vivo dos anos 1950, vestindo um terno brilhante e segurando um microfone vintage. Ele está em um palco iluminado, com uma plateia animada ao fundo, e faz seu famoso movimento de dança com o quadril. Seu cabelo está penteado no icônico topete, e a cena transmite energia e rebeldia.

Elvis Presley, conhecido como o "Rei do Rock’n’Roll", foi um dos maiores ícones culturais do século XX e conquistou fama mundial com sua voz marcante, carisma inigualável e um estilo revolucionário que misturava o rock, o gospel e o country. O sucesso de suas canções deixaram marcas profundas em sucessivas gerações e mudaram para sempre a música pop. Além de cantor, Elvis brilhou no cinema, estrelando filmes como Love Me Tender. Apesar de sua morte precoce em 1977, seu legado permanece vivo, influenciando artistas de todos os gêneros e encantando fãs ao redor do mundo.

Os Primeiros Anos de Elvis Presley em Tupelo

Nasce uma Lenda

Elvis Presley nasceu em Tupelo, Mississippi, no dia 8 de janeiro de 1935, único sobrevivente de um parto de gêmeos. Cresceu em uma pequena casa de dois cômodos construída por seu pai, Vernon Presley. A família Presley enfrentava dificuldades financeiras constantes, vivendo em um ambiente de pobreza que era comum na região rural do Mississippi durante a Grande Depressão. Apesar disso, a fé e a música desempenhavam um papel central em sua vida familiar, oferecendo conforto e esperança em tempos difíceis. Essa base religiosa e musical proporcionou um terreno fértil para o desenvolvimento de seu talento precoce, alimentado pelas canções que ouvia em cultos e no rádio.

Desde cedo, Elvis demonstrou uma profunda conexão com a música. A igreja era um dos principais pontos de encontro da comunidade, e foi lá que ele teve seu primeiro contato com a música gospel. Ele ficou profundamente impressionado pela música gospel negra que ouvia nas igrejas. As vozes poderosas e emocionantes dos cantores deixaram uma marca duradoura no jovem Elvis, que passava horas ouvindo os hinos religiosos e absorvendo a energia e espiritualidade dessas canções. Além disso, Tupelo era uma cidade marcada por uma rica herança musical, onde o blues e rhythm and blues (R&B), tocado por músicos locais e artistas viajantes, também influenciava o ambiente sonoro. Essa coexistência de diferentes gêneros musicais e intercâmbio racial, como o gospel da igreja e o blues das ruas, suscitaram na jovem criança um gosto musical bastante eclético e sem preconceito.

Outro aspecto importante da infância de Elvis foi o incentivo de sua mãe, Gladys Presley, que sempre acreditou no talento e no potencial do filho. Embora a família tivesse poucos recursos, Gladys se esforçava para apoiar os interesses musicais de Elvis, chegando a presenteá-lo com seu primeiro violão quando ele tinha apenas 11 anos. Esse presente, simples, mas significativo, foi o ponto de partida para que Elvis desenvolvesse suas habilidades musicais e começasse a sonhar com um futuro além da pequena cidade de Tupelo. A combinação de uma infância repleta de dificuldades econômicas, uma profunda ligação com a música gospel e a exposição ao blues moldaram Elvis Presley, preparando-o para se tornar um dos maiores ícones da história da música.

A Mudança para Memphis: Um Marco Transformador

A mudança de Elvis Presley para Memphis, Tennessee, quando ele tinha 13 anos, foi um divisor de águas em sua vida e carreira. Ao chegar à cidade, ele mergulhou em uma cena musical vibrante e diversificada, com influências que iam desde o blues e o R&B até o country e o gospel. Essa imersão musical expandiu seus horizontes e ajudou a formar seu estilo único, que combinava energia, emoção e autenticidade. Memphis foi o cenário onde Elvis começou a sonhar mais alto, dando os primeiros passos em direção à carreira que o transformaria em um ídolo mundial.

Foi na Sun Records, de Sam Phillips, que Elvis Presley encontrou oportunidade para mostrar seu grande talento. Em 1954, ele gravou seu primeiro single, That's All Right, um marco na história do rock and roll. Essa gravação não só revelou sua voz poderosa e cativante, mas também apresentou ao público uma canção que rompia barreiras musicais e culturais. Além disso, Elvis começou a se apresentar em shows locais, ganhando notoriedade e conquistando fãs apaixonados por onde se apresentava.

Nasce o Rei do Rock

Com seu estilo inovador que misturava rock, gospel e country, Elvis Presley rapidamente se destacou como um fenômeno na música pop dos anos 50. Suas performances enérgicas, sua presença de palco magnética e sua voz incomparável solidificaram seu título como "Rei do Rock’n’Roll". Músicas como Blue Suede Shoes e Heartbreak Hotel se tornaram hinos de uma geração, enquanto sua influência transcendia as fronteiras da música, impactando a moda, o cinema e a cultura pop como um todo.

A Revolução Musical dos Anos 50

Durante a década de 1950, Elvis Presley liderou uma revolução musical que mudou para sempre a indústria do entretenimento. Suas canções romperam convenções e introduziram uma energia eletrizante ao frenético panorama musical daqueles anos dourados. Mais do que um cantor, Elvis se tornou um símbolo da rebeldia juvenil e da liberdade, personificando o espírito de uma época em transformação.

O que tornava Elvis Presley único era sua habilidade em fundir diferentes gêneros musicais em um som original e autêntico. Inspirado por artistas de blues como B.B. King e Robert Johnson, além de ícones do country como Hank Williams, Elvis conseguiu criar uma fusão que transcendia os limites dos gêneros musicais. Sua voz grave e expressiva, sua energia eletrizante, carisma no palco e habilidade de interpretar cada música como se fosse uma história pessoal conquistaram fãs de todas as idades e origens, cativando milhões ao redor de todo o mundo.

As Músicas de Sucesso de Elvis Presley

A discografia de Elvis Presley é um verdadeiro tesouro musical que atravessa gerações, repleto de sucessos que marcaram a história do rock’n’roll e da música pop. Com uma carreira que se estendeu por mais de duas décadas, Elvis construiu um repertório diversificado que abrange desde o rockabilly até baladas românticas e canções gospel, revelando sua habilidade de se reinventar e acompanhar as mudanças musicais de seu tempo.

Mais do que uma coleção de canções, o repertório musical de Elvis Presley é um reflexo de sua genialidade e inovação. Não apenas revolucionou a música pop dos anos 50 e 60, mas também abriu caminhos para novos estilos e artistas. Hoje, suas músicas continuam a inspirar e emocionar públicos de todas as idades, o que o torna um dos artistas mais conhecidos do século XX.

A Era de Ouro: Do Rock às Baladas

Durante sua carreira, Elvis não se limitou a um único gênero musical. Além de clássicos do rock, ele também conquistou o público com baladas românticas que tocaram corações. Can't Help Falling in Love é um exemplo icônico, uma música que embalou muitos casais apaixonados.

Clássicos que Marcaram uma Era

Canções como Hound Dog e Jailhouse Rock tornaram-se clássicos da era de ouro do rock, capturando o espírito rebelde e inovador da juventude dos anos 50. Esses sucessos não só coroaram Elvis como o Rei do Rock, mas também estabeleceram um divisor de águas no cenário da música pop.

As Baladas Românticas

As baladas de Elvis Presley são um capítulo especial em sua discografia. Canções como Love Me Tender e Are You Lonesome Tonight? transmitem emoções profundas, com letras que falam diretamente ao coração, tornando-as trilhas sonoras que atravessaram décadas e ainda hoje nos comove.

Os Inesquecíveis Clássicos e Sua Influência Duradoura

A discografia de Elvis também inclui uma rica seleção de clássicos inesquecíveis, como Suspicious Minds, que marcou a fase final de sua carreira com uma combinação de arranjos modernos e sua assinatura vocal poderosa. Essas canções transcendem gerações e continuam a influenciar músicos até hoje.

Superando Barreiras Raciais

Elvis Presley desempenhou um papel significativo na popularização da música afro-americana em um período de intensa segregação racial nos Estados Unidos. Artistas como B.B. King, Sister Rosetta Tharpe e Big Mama Thornton foram referências importantes em sua formação musical.

Ao gravar canções com raízes no blues e no R&B, Elvis ajudou a introduzir esses estilos musicais a um público branco mais amplo, que muitas vezes desconhecia ou ignorava essas tradições musicais. Embora isso tenha gerado críticas por parte de alguns que o acusaram de apropriação cultural, também é inegável que ele usou sua visibilidade para destacar e valorizar a riqueza musical de comunidades afro-americanas.

Além disso, Elvis demonstrava respeito e admiração pelos artistas negros que o inspiraram. Ele trabalhou com músicos negros e ajudou a derrubar barreiras raciais na indústria do entretenimento, em uma época em que programas de rádio, gravadoras e até mesmo shows ao vivo eram segregacionistas. Seu papel na integração cultural ajudou a abrir caminho para uma maior aceitação e valorização da música afro-americana, contribuindo para o diálogo entre culturas e tornando o rock and roll um símbolo de transformação social.

Elvis em estilo casual na década de 1960: Elvis relaxando em um cenário descontraído, sentado em uma cadeira de madeira ao ar livre, usando uma camisa havaiana colorida e calça jeans. Um violão está apoiado ao lado dele, e o fundo retrata um dia ensolarado, com palmeiras e um clima de praia. Seu sorriso é carismático e acolhedor.

O Legado de Elvis Presley: Atemporal e Incomparável

Elvis Presley deixou um impacto duradouro na cultura pop mundial. Ele não apenas inovou o rock’n’roll como um gênero, mas também abriu caminho para futuras gerações de artistas explorarem novas formas de expressão. Sua música continua a inspirar, unindo fãs de diferentes gerações e mantendo viva a chama de sua genialidade. Hoje, o Rei do Rock é celebrado como um ícone eterno, cuja contribuição para a música e a cultura permanece inigualável.

A Carreira no Cinema em Hollywood

Além de conquistar o mundo da música, Elvis Presley também deixou sua marca em Hollywood. Estreando no cinema com Love Me Tender (1956), Elvis rapidamente se tornou um astro não apenas como do rock, mas também pela atuação na telona. Filmes como Jailhouse Rock e King Creole destacaram sua versatilidade como ator.

Sua carreira cinematográfica foi marcada por uma mistura de musicais e dramas que, embora muitas vezes criticados pelos roteiros simples, conquistaram grande sucesso de bilheteria. Esses filmes ampliaram sua fama global e cimentaram o caminho para que Elvis se tornasse um ídolo mundial.

Embora a intensidade de sua carreira no cinema tenha exigido um equilíbrio delicado entre atuação, música e família, ela representou um capítulo essencial de sua trajetória. Para Elvis, o cinema não apenas elevou sua popularidade, mas também permitiu que ele explorasse novos horizontes criativos, contribuindo para a construção de sua lenda.

O Serviço Militar e a Transformação Artística

Em 1958, Elvis Presley trocou os palcos pelo serviço militar, servindo no Exército dos Estados Unidos na Alemanha. Esse período trouxe mudanças significativas em sua vida pessoal e artística. Durante o serviço, Elvis viveu uma experiência de introspecção e amadurecimento.

Foi numa festa na Alemanha Ocidental que Elvis, aos 24 anos de idade, conheceu Priscilla Beaulieu, de 14. O casamento com Priscilla simbolizou uma nova fase em sua vida pessoal. O tempo fora dos holofotes e a vida de casado permitiram que Elvis retornasse aos palcos com uma energia renovada e uma perspectiva artística amadurecida.

O Retorno Triunfal aos Palcos

Ao retornar do serviço militar, Elvis Presley retomou sua carreira com força total. Lançou sucessos como It's Now or Never e Are You Lonesome Tonight?, reconquistando o público e provando que ainda brilhava como o Rei do Rock. Seu retorno triunfal foi marcado por uma série de álbuns e performances inesquecíveis que consolidaram sua posição como um dos maiores artistas de todos os tempos.

Graceland tornou-se o centro de sua vida pessoal e profissional, um refúgio onde ele encontrava inspiração e conforto. Seu casamento com Priscilla também desempenhou um papel fundamental, oferecendo estabilidade durante as turbulências da carreira. Com uma abordagem mais madura e confiante, Elvis mostrou ao mundo que era capaz de se reinventar e continuar inspirando gerações.

Elvis em Las Vegas

Nos anos 60, enquanto sua carreira enfrentava altos e baixos, Elvis Presley encontrou em Las Vegas a oportunidade perfeita para um renascimento artístico. Seus shows no International Hotel (posteriormente Hilton) se tornaram um fenômeno cultural, atraindo multidões.

Nestas apresentações, recheadas de clássicos, como Suspicious Minds e In the Ghetto, Elvis eternizaria figurinos extravagantes, presença de palco magnética e performances inesquecíveis, que fizeram de Las Vegas a cidade do entretenimento mundial.

O renascimento de Elvis em Las Vegas foi um ponto crucial em sua trajetória, mostrando sua habilidade de se adaptar às mudanças da indústria cultural e continuar encantando o público.

A Vida Pessoal do Rei

A vida pessoal de Elvis Presley foi tão fascinante quanto sua carreira. Embora tenha experimentado momentos de grande alegria, também enfrentou desafios intensos impostos pela fama e pela pressão de estar constantemente sob os holofotes. Após seu casamento com Priscilla Presley, Elvis vivenciou um período de relativa estabilidade, marcado por sua dedicação à família e à construção de sua mansão, Graceland, um símbolo de seu sucesso que ganharia ares de templo pelos fãs.

O casamento de Elvis com Priscilla Presley foi um dos momentos mais comentados de sua vida pessoal. Elvis se casou em 1967, em uma cerimônia repleta de glamour. Juntos, Elvis e Priscilla, tiveram uma filha, Lisa Marie Presley, que se tornou a maior alegria de suas vidas.

Apesar do casamento e da constituição de uma família, a união enfrentou desafios. As constantes turnês, as longas horas dedicadas à carreira de Elvis e a pressão da fama criaram tensões no relacionamento. Mesmo com o divórcio em 1973, o casal manteve uma relação respeitosa, e Priscilla continuou desempenhando um papel importante na preservação do legado de Elvis.

Localizada em Memphis, Tennessee, Graceland foi mais do que uma casa: tornou-se um santuário pessoal e profissional. Com uma arquitetura marcante, jardins bem cuidados e um interior luxuoso, a mansão não só refletia a personalidade de Elvis, mas também simbolizava a ascensão de um garoto pobre do Mississippi ao status de Rei do Rock.

Graceland se tornou um destino turístico, recebendo a peregrinação de milhões de fãs ao redor do mundo. Hoje, a propriedade é um museu que preserva a memória do Rei do Rock, desde sua paixão por carros até sua coleção de roupas extravagantes.

O Legado Musical e Cultural de Elvis

Elvis Presley transcendeu as barreiras do tempo e das fronteiras geográfica, deixando um legado musical e cultural que continua a inspirar gerações. O Rei do Rock revolucionou a música pop ao misturar gêneros como blues, country e gospel, criando um som inovador e vibrante. Suas performances carregadas de energia, carisma e movimentos de dança ousados desafiaram convenções sociais e culturais da década de 1950, abrindo caminho para uma maior liberdade artística.

Além de sua contribuição musical, Elvis desempenhou um papel crucial na transformação da cultura pop. Ele ajudou a moldar a estética do rock, inspirando gerações de artistas com seu estilo inconfundível, que incluía jaquetas de couro, macacões brilhantes e topetes excêntricos. No cinema, estrelou filmes que capturaram o espírito de sua época, tornando-se uma figura multifacetada do entretenimento.

Culturalmente, Elvis também contribuiu para a integração racial nos Estados Unidos, popularizando músicas de artistas negros e celebrando influências musicais diversas em um período de segregação. Seu impacto é sentido até hoje, com sua música, estilo e atitude reverberando em inúmeras áreas da arte e da cultura contemporânea, tornando-o uma lenda que continua a inspirar o mundo.

A Influência de Elvis no Brasil

No Brasil, o impacto de Elvis Presley também foi profundo. Suas músicas inspiraram artistas como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jerry Adriani e toda a Jovem Guarda, que gravaram versões em português de seus clássicos. Além disso, tributos e covers realizados por músicos brasileiros demonstram como a figura inconfundível de Elvis foi incorporada à cultura brasileira não importando a classe social.

A música de Elvis transcendeu fronteiras culturais, mostrando que seu legado é tão poderoso no Brasil quanto nos Estados Unidos. Ele se tornou uma referência para muitos artistas nacionais.

Conclusão

Elvis Presley não foi apenas o Rei do Rock; ele foi um símbolo de uma época cuja influência ultrapassa em muito a indústria cultural. Seu carisma, talento e legado artístico o transformaram em um ídolo universal que excedeu o século XX e continua a inspirar fãs e artistas ao redor do mundo.

Elvis nos anos 1970 com seu macacão icônico: Uma representação de Elvis em um show de sua fase em Las Vegas, usando um macacão branco com bordados dourados e pedras brilhantes. Ele está cantando de olhos fechados, segurando o microfone com intensidade, enquanto holofotes destacam seu traje e suor escorre de sua testa, evidenciando a paixão de sua performance.

Perguntas Frequentes

Quando e onde nasceu Elvis Presley?

Elvis Presley nasceu em 8 de janeiro de 1935, em Tupelo, Mississippi.

Quais foram as principais influências musicais de Elvis na infância?

A música gospel negra teve uma forte influência na infância de Elvis Presley. Ele cresceu ouvindo e cantando canções da igreja, além do blues, do R&B e do country.

Como Elvis Presley foi "descoberto" pela Sun Records?

Elvis Presley foi descoberto pela Sun Records. Lá, ele gravou seus primeiros singles. Começou a se apresentar em shows locais, ganhando reconhecimento no cenário musical.

Quais foram as principais características do estilo musical de Elvis Presley?

Elvis Presley se destacava por seu estilo único. Ele misturava elementos do rock, gospel e country. Isso revolucionou a música pop nos anos 50.

Quais foram alguns dos maiores sucessos de Elvis Presley?

Alguns dos maiores sucessos de Elvis Presley incluem "Hound Dog", "Jailhouse Rock", "Can't Help Falling in Love" e "Suspicious Minds".

Qual a importância da carreira cinematográfica de Elvis Presley?

Além de sua carreira musical, Elvis Presley teve sucesso no cinema. Ele estrelou filmes como "Love Me Tender" e "Jailhouse Rock".

Como o serviço militar de Elvis Presley na Alemanha afetou sua carreira?

O serviço militar de Elvis Presley na Alemanha marcou uma pausa em sua carreira. Mas também foi um período de transformação artística e pessoal. Isso se refletiu em seu retorno triunfal aos palcos.

Qual a importância de Graceland na vida de Elvis Presley?

Graceland, a famosa mansão de Elvis Presley, é um símbolo de seu sucesso. É uma parte importante de sua vida pessoal e carreira.

Qual é o legado musical e cultural de Elvis Presley?

O legado de Elvis Presley é imenso. Ele influenciou a música e a cultura popular, inspirou gerações de artistas e rompeu barreiras raciais.

Como Elvis Presley influenciou a música no Brasil?

A influência de Elvis Presley no Brasil é significativa. Muitos artistas brasileiros gravaram versões de seus sucessos. E até hoje pessoas fantasiadas de Elvis são muito populares em festas de aniversário, casamento etc.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Joker: porque você quer ser o Coringa

Gotham City não é uma alegoria do mundo moderno; é a vida que se tornou parecida com uma história em quadrinhos


Por Jean Pires de Azevedo Gonçalves

Chorar com os que choram alivia
um pouco, mas ter o sofrimento
transformado em piada é morrer duas vezes.
(Shakespeare)



Avesso a enlatados da indústria cultural como a série Star Wars, Marvel, DC, entre outros do gênero, esta crítica sobre o filme Coringa não deixa de me surpreender. Jamais achei que um dia escreveria uma resenha sobre um filme inspirado em histórias em quadrinhos! Paguei a língua, como se costuma dizer. Em meio à polêmica gerada pela estreia do Coringa, a qual estimulou muitos debates entre amigos e na internet, envolvendo pessoas a quem respeito, muito contrariado convenci a mim mesmo de que deveria assistir o filme. Há outro fator também, menos abonador: neste ano, deixei o cabelo crescer e muita gente me achou parecido com o Coringa. Confesso, fiquei curioso. Ainda assim relutei muito e isso explica esta crítica tardia, com o filme fora de cartaz. Mas fica valendo para o Coringa 2! Minha relutância tem outro motivo também. Na verdade, eu prefiro as páginas de um livro do que a película do cinema. Se já não me é muito animador sair de casa para ir ao cinema, imagine então escrever sobre um assunto do qual não domino. No entanto, como é impossível a alguém que nasceu a partir do século XX ignorar a sétima arte, eu, mesmo que sem querer, acabei por assistir e conhecer quase todos os grandes clássicos do cinema, sem contar os inúmeros filmes de qualidade discutível que vi passar na Sessão da Tarde, Corujão, Tela Quente etc. De certa forma, isso me autoriza, mesmo sem ser crítico de cinema, a escrever sobre um filme como o Coringa, já que, assim como futebol (e eu não entendo nada de futebol mas dou meus pitacos), de cinema todo mundo também entende um pouco.

Aproveitando a estadia de uma sobrinha de 16 anos em casa, eu a convidei para assistir o Coringa, em meio a protestos de minha mãe que já havia assistido o filme e não recomendava para menores. Não adiantou, a adolescente disse que ia assistir de qualquer jeito uma hora ou outra no computador. Em tempos de internet, o que não tem remédio, remediado está! E assim fomos assistir o Coringa.

Retrato a óleo de Willian Shakespeare.
William Shakespeare
A caminho do cinema, conversávamos sobre se ela me emprestaria uma edição dela de Assim falou Zaratustra, em história em quadrinhos, e, já que falávamos nisso, achei conveniente relacionar o filme Coringa à literatura e acabei por mencionar Tito Andrônico como um tipo de Coringa shakespeareano (a propósito, o Coringa se comparado a essa peça é um gibizinho infantil). Comentei que, na época de Shakespeare, condenados eram executados publicamente, às vezes, sob tortura, atraindo uma multidão de curiosos acostumados a esses “espetáculos” tenebrosos, e por isso uma peça de teatro violenta não devia chocar tanto assim um britânico da era elisabetana. Uma coisa leva a outra e eu levei a coisa para a Roma Antiga. Lá também as pessoas se divertiam com lutas mortais de gladiadores ou pessoas (geralmente cristãos) jogadas vivas para serem devoradas por leões ferozes. Depois voltei ao Brasil e, recordando o romance Migo, de Darcy Ribeiro, relatei a execução de Felipe dos Santos Freire. O proto-inconfidente, depois de enforcado, teve braços e pernas amarrados a quatro cavalos que, correndo cada um para um lado, desmembraram seu corpo em pedaços. Sem dúvida, exemplos terríveis da crueldade humana institucionalizada. Desde Freud, no entanto, instintos assassinos do comportamento humano têm sido sublimados pela mágica dos estúdios de Hollywood.

Mulher sendo punida e mergulhada num rio no século XVI.
Mulher condenada no séc. XVI
Essa viagem mental pelo tempo e espaço servia de expediente para atenuar eventuais cenas de violência tão alarmadas pelos críticos do Coringa. Muito barulho por nada! O filme do Coringa não é nem mais nem menos violento que centenas de filmes que são lançados todos os anos pela indústria cinematográfica. Porém, a repercussão lançada sobre Coringa é sinal de que o filme é representativo de nossa época e, por isso, merece um comentário mais cuidadoso.

O Coringa não é um filme que pode ser analisado em si mesmo sob a perspectiva da arte pela arte. E este é o seu grande trunfo. O seu enredo chama para um dialogo que sai da tela de cinema e fala diretamente sobre a vida cotidiana das grandes cidades modernas. A minha experiência ao assistir o Coringa tornou isso ainda mais dramático, pois, como um prolongamento de um filme 3D, tive que dividir as cenas do filme com um incidente embaraçoso que se passava dentro da sala de cinema, e que, de certo modo, ilustrava com um fato real o que a ficção apenas sugeria. Logo, logo, vou relatar o que aconteceu. Antes vamos passar primeiro por alguns comentários estéticos acerca do filme Coringa no que tange aos elementos especificamente cinematográficos.

Na minha opinião, o Coringa não é um Laranja Mecânica, mas me surpreendeu e devo admitir que é um bom filme. Sua novidade é retratar um tema pesado há muito explorado pela cinematografia no universo raso dos filmes do gênero HQ. Disso deriva também todos os seus méritos e as suas limitações, tais como a total liberdade dos produtores para criar um personagem fascinante sem precisar cumprir todos os requisitos da verossimilhança. Portanto, se de um lado o filme não pode se aprofundar muito por causa de sua ambiguidade inerente, já que deve atender às expectativas de um público de adolescentes e de adultos infantilizados acostumados a consumir todo tipo de “fast-food” da indústria do entretenimento; por outro, permite explorar o tema com as virtudes de um realismo fantástico que supera os limites estreitos do gênero referido. Os pontos positivos ficam por conta da fotografia, do figurino, da trilha sonora, do enredo e da interpretação do ator Joaquin Phoenix (e claro, Robert de Niro, como sempre) – não é o caso, mas, devemos sempre tomar cuidado com personagens caricatos que não são garantia de boa atuação. Já a narrativa é envolvente e eficaz ao cumprir o propósito de suscitar uma identificação imediata do espectador com o personagem protagonista. É verdade que o Coringa não escapa muito aos estereótipos vulgares dos personagens malucos retratados por Hollywood; no entanto, acrescenta pelo tipo híbrido, mental e fisicamente frágil, um tanto andrógeno, uma humanidade inusitada a um vilão de HQ. Além disso, há uma inevitável glamorização do vilão, bastante clara nas cenas apoteóticas do Coringa, como quando ele dança na escadaria ou na utilização de recursos consagrados pelas técnicas do cinema, como, por exemplo, tomadas em panorâmica pelas quais o personagem entra em câmera lenta ao fundo e caminha em direção à tela, altivo, triunfante, transmitindo sensação de poder. Infelizmente o filme não pode evitar alguns clichês desnecessários, como a cena em que o Coringa foge de dois policiais e é atropelado por um taxi, rola pelo para-brisa do carro, cai no asfalto e continua a fuga. Outro aspecto não muito original, é a tentativa de deixar no ar um possível parentesco entre Coringa e Batman, algo que me lembrou o vínculo de pai e filho ligando Darth Vader e Luke Skywalker. Ambos seriam meios-irmãos e filhos de Thomas Weyne, um magnata inescrupuloso e com pretensões políticas.

Mulher fantasiada de Coringa

Feitas essas considerações “técnicas” um tanto questionáveis, pois feitas por um leigo no assunto, insisto que o fundamental no Coringa é a sua interlocução com a realidade que nos cerca. Exatamente, a realidade que está bem à nossa volta. E aqui eu me sinto mais à vontade para escrever minha crítica. Talvez você se recorde do que eu disse a pouco sobre um incidente ocorrido na sessão de cinema e que vai nos servir de “exemplo ilustrativo” para dar início à minha interpretação do filme. Então vamos lá. Bem à minha frente, estavam sentadas duas mulheres e no intervalo entre elas um banco vazio. Para a minha irritação, cada uma delas segurava um balde enorme de pipoca que era orgulhosamente devorado, a julgar pelo barulho e o enorme volume movediço das bochechas, instigando em mim a seguinte ponderação: “O que que eu estou fazendo aqui?!!!” Não posso ser injusto com elas também. Na verdade, toda a sala de cinema mastigava provocadoramente baldes e mais baldes de pipoca! “Vocês vieram aqui para assistir o filme ou comer pipoca?!!!”; eu me remoia por dentro. O insuportável triturar coletivo de mandíbulas mastigadoras só cessou quando o Coringa teve início. Quer dizer, um croc croc remanescente aqui e ali perdurou ainda filme adentro. Confesso que me dei por satisfeito, porque, a julgar pelo tamanho dos baldes, pensei que o filme ia acabar e ainda ia sobrar pipoca. Enquanto uma calmaria tomava conta da sala de cinema, na tela o Coringa sacava um revólver e atirava em três homens dentro de um vagão no metrô. Cena chocante! Dois deles caem baleados enquanto um tenta fugir pela escadaria da estação mas é alvejado pelas costas. C’est fini! Suspirei longamente, depois de ter prendido a respiração. Um remexer inesperado me fez descobrir que o assento do meio entre as duas mulheres não estava vazio. Lá do meio, pulou assustada uma menina minúscula, com idade entre quatro e seis anos, inclinando seu corpo para frente e lançando um olhar angustiado para a mãe. Daí para frente, a criança não parou mais. A certa altura, foi para o colo da mãe. Voltou com um smartphone ligado. Sem se importar muito com a não permissão de celulares ligados no cinema, a mãe tentava distraí-la. Bom, não seria eu a reclamar da luz do aparelho, que ofuscava minha vista. A menina já vivenciava uma sessão de tortura psicológica e longe de mim tornar aquele momento ainda mais assustador com um gentil “você poderia desligar o telefone celular, por favor”. No entanto, o expediente da mãe se revelou infrutífero e a menina não conseguia despregar os olhos da tela de cinema a cada cena horripilante envolvendo o Coringa. Ela resmungava um lamento incompreensível. Queria ir embora; voltar para casa. Pediu para ir no banheiro. Teve sorte, porque na sua ausência o Coringa enfia uma tesoura no pescoço de um homem e estraçalha a cabeça dele contra a parede. As duas voltam em seguida. Coincidência ou não, a menina passou a ter um acesso de tosse incessante, enquanto o Coringa ria compulsivamente. Outra vez, ela se levanta e passa a perambular a esmo pela sala do cinema, talvez, perdida, a procura de uma saída. No entanto, a mãe e a amiga permaneciam sentadas, imóveis, impassíveis. A situação por si só escandalosa obrigou a mãe a se levantar e levar a menina novamente para o banheiro. Parece até que um anjo tirou elas dali, porque saíram bem no momento em que Coringa atira com um revólver contra a cabeça de um apresentador de talk show. Instante depois, a menina volta com um andar cambaleante, seguida pela mãe, e ambas retomam os seus lugares. Ironia ou coisas do acaso, o anjo não poupou a criança de presenciar o Coringa sufocar sua própria mãe. E nessa toada, a menina tossia, tossia, tossia, obstinadamente, tossia, até o filme acabar. Cortinas fechadas, pensei: “Essa menina vai ficar traumatizada, vai ter pesadelos à noite, vai ficar com medo de palhaço por um bom tempo”.

E aí entra o Coringa. A insistência daquelas duas mulheres em deixar a criança na sala de cinema a despeito de todo mal estar da menina começou a me incomodar e despertar em mim o desejo de intervir na situação. Eu me imaginei chamando a atenção delas com um leve sorriso constrangido e, muito educado, informá-las amavelmente que o filme do Coringa não é para crianças. Imaginei em seguida que poderia receber uma resposta do tipo: “A educação da minha filha não é da sua conta” (semelhantemente ao que ocorrera numa das cenas do filme Coringa). Gentileza não ia adiantar. Além disso, eu estava, até mesmo fisicamente, mais para Coringa do que Clark Kent. Então eu me imaginei agarrando as duas mulheres pelos cabelos, arrastando-as pela sala de cinema e, na entrada principal, eu me vi enxotando a pontapés aquelas duas degeneradas sem antes adverti-las: “Nunca mais façam isso!” Alguém precisava salvar aquela pobre criança de sua própria mãe! Reconsiderei a situação e, obviamente, me coloquei no meu devido lugar. Não tenho os superpoderes de um herói ou mesmo de um vilão como o Coringa para sair por aí dando lições às pessoas. Eu tive que aguentar tudo calado.

Pipoca com ingressos de cinema.

São essas pequenas violências do dia a dia que vão minando a gente por dentro e nos faz olhar com simpatia um personagem como o Coringa. A cidade de Gotham é uma metáfora das grandes metrópoles: uma selva de pedra. Nas cidades modernas, a única sociabilidade possível é a do dinheiro-mercadoria e, daí, quase todas as relações pessoais se reduzem ao contato indireto e impessoal mediado sempre pela compra e venda de objetos. Fomos transformados em autômatos, enclausurados em nosso mundinho particular apesar de estarmos amontoados no meio de uma multidão compacta. A indiferença é total, no entanto. Alienados de nosso ser social, de nossa essência, perdemos o dom da linguagem e falamos com empurrões e pisões. Licença, obrigado, desculpa foram banidos do nosso dicionário coletivo. O mundo urbano se transformou numa realidade humana estranhamente desumana, cuja única lei é a do cada um por si e todos contra todos. O outro é apenas um obstáculo que deve ser ultrapassado, suprimido, explorado. A massa de trabalhadores robotizados correndo desesperada pelas ruas e galerias do metrô apenas reatualiza sob outras aparências a relação senhor-escravo. Nada de novo na história do mundo! A paisagem urbana também revela contradições agudas. Enquanto alguns passeiam em carros importados caríssimos, muitos milhares de miseráveis famintos imploram por migalhas mesquinhamente cedidas. Ao lado de mansões luxuosas, colchões e caixotes de papelão espalhados pelas ruas servem de abrigo durante o frio inverno. Esmagados pelas contradições: nós!

Gotham City à noite e símbolo do Batman nas nuvens.

Em Gotham City, assim como em São Paulo, qualquer um é invisível. Somos massacrados diariamente por um cotidiano brutal. Estamos todos estressados, nervosos, uma pilha de nervos, vomitando ódio para tudo quanto é lado. É só andar pelas ruas, para levar ao menos um desaforo para casa todos os dias. Nunca fomos tão deseducados, tão ignorantes, tão orgulhosamente boçais, tão individualistas, tão antipáticos, tão desrespeitosos, tão egoístas, tão agressivos, tão grosseiros, tão bestiais; numa palavra, tão cafajestes! É o canalha que senta no banco preferencial e finge que está dormindo para não ceder lugar; é a sem-noção que para bem na frente da escada rolante para responder o whatsapp pouco se importando com a multidão que quer passar e se aglomera atrás; é um sujeitinho desprezível que esbarra em você de propósito na calçada só para se sentir superior; o cidadão de bem que para o carro bem em cima da faixa de pedestre ou passa no sinal vermelho; o almofadinha que fura fila ou o apressadinho impaciente que quer passar por cima de você e pisa no seu pé... Enfim, a lista é longa. Poderia enumerar aqui casos e mais casos mas um que eu presenciei é bastante eloquente. Certa vez, na estação do metrô da Consolação, vi duas mulheres que caminhavam conversando pela faixa reservada para deficientes visuais seguirem em rota de colisão com um cego que vinha vindo no sentido oposto. Não deu outra, o homem foi atropelado pelas duas e saiu rodopiando feito um pião, só não caiu por sorte. Ah, você achou que as mulheres pararam e acudiram o homem com mil pedidos de desculpas? Que nada! Elas continuaram conversando e rindo como se nada tivesse acontecido. Ora, diante de tudo isso, a vontade que a gente tem quando está pagando alguma compra no caixa do supermercado e alguém empurra o carrinho em cima como se você não existisse é de simplesmente dar uns bons bufetes na cara dele e gritar: “Você não está me vendo aqui, não?!!!” Vontade que obviamente não se concretiza, não apenas por temor à punição certa, mas também porque um freio moral e emocional nos impede de ir em frente: a culpa. Mesmo reagindo, sentimos remorso quando passamos da conta. Uma boa índole, forjada por valores humanistas, esboça no máximo um franzir de testa e, mais tarde, pode deitar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência limpa. Todavia, os jornais e noticiários da TV são inundados todos os dias com reportagens sobre crimes muitas vezes provocados por motivos banais. O fato empírico demonstra que há na mente humana um ponto crítico que não pode ser ultrapassado. Ultrapassar esse ponto pode resultar num descontrole de consequências inesperadas!

Todo santo dia, engolimos ofensas e presenciamos coisas que afetam nossa sensibilidade, no supermercado, no metrô, na rua, no ônibus, no restaurante, no shopping Center, no cinema... e ficamos a um triz de explodir. Ora, não é essa a justificativa do Coringa quando confessa o assassinato dos três jovens no metrô ao apresentador do programa de talk show?

“Minha semana tem sido difícil desde que eu matei aqueles três investidores... Eu matei aqueles caras porque eles eram péssimos... Todo mundo é péssimo hoje em dia. É o que basta para a gente enlouquecer... Ah, por que tá todo mundo tão preocupado com esses caras? Se fosse eu morrendo na calçada, vocês passariam por cima de mim. Passo todo dia por vocês e vocês não ligam pra mim. Mas, esses caras, só porque o Thomas Wayne foi chorar por eles na TV! (...) Por acaso, você entrevistador sai do estúdio? As pessoas só gritam e berram umas com as outras. Ninguém nunca é educado! Ninguém nunca pensa como é estar no lugar do outro” (Coringa).

A representação ficcional do Coringa realiza os pensamentos que nunca confessamos, nossos desejos mais secretos. De certa forma, saímos do cinema em estado de catarse, purificados. O Coringa é um herói. Ou melhor, o Coringa inaugura uma nova categoria de herói: o antivilão. O vilão que vem nos salvar! Não é como Raskólnikov, a expressão mais bem acabada do anti-herói, que deve se redimir pelo amor e inspirar pelo exemplo edificante. Não, o Coringa é um salvador às avessas que, sem querer corrigir o mundo, corrige através da maldade. Pois não há saída: num mundo onde todos são maus, só é possível fazer o bem com o mal. O Coringa, a carta mais alta do baralho, é também a mais versátil, o trunfo na manga, a cartada final. Pela força, ele vai mostrar como é estar no lugar do outro.

Carta do baralho.
Coringa
O Coringa cruza todos os dias com pessoas insensíveis, cruéis, truculentas, odiosas. Sofre com a falta de empatia generalizada e inerente à dinâmica sociológica de Gotham City – ou de uma cidade grande como São Paulo. Realmente, a maioria de nós não é psicopata, individualmente, mas o que o Coringa quer nos dizer é que agimos coletivamente como psicopatas. E, numa sociedade perversa, o herói só poderia ser um psicopata.

O escandaloso em tudo isso é que o Coringa não é um psicopata, ou pelo menos não no sentido preciso do termo. O Coringa é, para usar um jargão da psicologia, um empata, alguém que realmente se importa em estar no lugar do outro. A falta de empatia é a principal característica do transtorno de personalidade, conhecido vulgarmente como psicopatia. Deveríamos então nos perguntar sobre a verdadeira natureza do Coringa, diante de suas justificativas. Não seria ele um psicopata dissimulando empatia? Lobo em pele de cordeiro? “Eu cansei de fingir”, revela ao apresentador de TV. Mas como fingir por tanto tempo? Fingir a vida inteira? Fingir a dor que deveras sente? Como acreditar no Coringa, se para o apresentador ele diz que matou os três rapazes porque eles cantavam mal – “cantar mal pode custar vidas” – quando todos nós sabemos que eles assediavam uma moça e depois passaram a agredi-lo violentamente. Um psicopata não sente culpa ou remorso, não tem motivo ou inventa pretexto para justificar suas ações perversas. O Coringa, não. Ele tem motivos. Muitos. Para melhor entendê-los, é preciso saber quem está por trás da persona do Coringa. Encontramos Arthur Fleck.

Homem vestido de bobo da corte.
Bufão
Arthur é homem branco, de meia idade e, para usar um termo da cultura estadunidense, é um loser, um perdedor. Sabemos que psicopatas são muito bem sucedidos num ambiente de competitividade como o mercado financeiro ou empresarial, ascendendo a posições de destaque ou mesmo de chefia. Um perdedor, pela própria essência, não suporta a concorrência, talvez, por excesso de escrúpulos. Arthur fracassou ou recusou o script pressuposto na cultura ocidental determinado pela constituição da família nuclear economicamente produtiva, que, por óbvio, implica o abandono da casa dos pais. Ao contrário, ele mora com a mãe e cuida dela. Sua profissão, palhaço, reflete sua vocação. O palhaço é o bobo da corte, o bufão que ninguém leva a sério. Em todos os tempos, o palhaço sintetiza o arquétipo da ingenuidade. É infantil, bonachão, espontâneo. Arthur pode ser um péssimo comediante de stand up – humor malicioso para adulto – mas é um excelente palhaço, como comprovam sua linguagem gestual e dança marcante. A profissão de palhaço supõe um domínio de certas técnicas corporais e verbais que quando bem executadas provocam o riso por meio de uma sintonia imediata com o público espectador, geralmente, crianças. Fazer rir é uma qualidade altruísta e, de certo modo, benevolente, como demonstram estudos médicos relacionando bom humor e melhora dos sistemas respiratório, cardiovascular e imunológico, entre outros benefícios para a saúde. Numa das cenas mais emblemáticas do filme, Arthur é um doutor da alegria e se apresenta para crianças em um hospital. Mas na triste Gotham City, o palhaço é um pária (e todos os habitantes são “tratados” como palhaços). Afetivamente, Arthur também não é bem-sucedido. Embora seu romance com Sophie seja uma idealização, ele se apaixonou por uma mulher negra e mãe solteira, sem se preocupar com preconceitos arraigados de uma sociedade, como a norte-americana, para a qual relacionamentos inter-raciais ainda hoje são tabu. Quando é demitido, por deixar cair um revólver no hospital, ele lamenta: “Eu gosto desse emprego”. A arma é um presente de um colega, que ele ganha com reticências, depois de ter sido espancado por uma gangue de jovens latino-americanos. Com essa arma, Arthur mata os três homens no metrô, incomodado que ficou com o caso de assédio sexual e reagir à agressão covarde de que foi vítima. Se fosse levado a júri, Arthur provavelmente seria condenado por porte ilegal de arma mas certamente seria absolvido por legítima defesa. Sua namorada, ao ver a foto dos três homens assassinados no jornal, diz para ele como qualquer outra mulher poderia dizer da boca pra fora: “Menos três, podiam ser muito mais”. Não só ela hipoteticamente. Muita gente de fato se solidariza com Arthur. E para finalizar, Arthur apresenta problemas psicológicos sérios – digamos, estresse alto somatizado em crises de riso patológico, mais ou menos assim, rir para não chorar. Por causa da doença mental, frequenta o serviço de assistência social que é fechado por falta de verbas e fica completamente desamparado pelo poder público.

Artur é espancado, humilhado, rejeitado, enganado, demitido, constantemente pensa em suicídio, enfim, ultrapassa o ponto crítico. Não há como voltar atrás. Ele vai se vingar. A vingança justifica uma série de razões para um empata agir como um psicopata. Ou até pior. O olho por olho implica uma compensação pela não iniciativa. O Coringa não mata à toa, por matar. Mata por vingança. Mata o homem que provocou sua demissão; mata sua mãe pelos maus tratos sofridos por ele durante a infância e por aparentemente ter faltado com a verdade sobre sua suposta adoção e paternidade; mata sua namorada imaginária pela paixão não correspondida ou pelo jeito frio com que é tratado por ela na cena do apartamento (considerando a hipótese de que ela tenha sido assassinada, como sugere o filme [Ver acréscimo de nota de rodapé abaixo]). Ele só poupa a vida do anão, para o alívio dos espectadores apreensivos na sala de cinema: “Você foi a única pessoa que foi legal comigo”, diz o Coringa.

A metamorfose de Arthur no Coringa é a história tragicômica de alguém que foi ignorado a vida toda, enquanto trabalhava e seguia as leis, e só é notado após cometer um crime violento. Qual é o estágio de degradação ético-moral de uma sociedade quando o sofrimento é transformado em piada? “Minha vida não passa de uma comédia. Eu achei engraçado matar aqueles caras. A comédia é subjetiva. Não é o que eles dizem?” (Coringa). Ao ouvir essas palavras, não pude deixar de me lembrar de programas de TV do tipo Pânico na TV ou CQC – e demais do gênero. Jamais em toda a história da televisão brasileira programas humorísticos foram tão apelativos, tão pouco inteligentes, tão degradantes, tão infelizes, tão sem graça. Na época, justificavam que o humor não tem limites e, daí, “comediantes” que mais pareciam antipáticos gerentes de banco brincavam com piadas de mau gosto, detratando pessoas e ironizando até grandes tragédias como o holocausto. Como um circo de horror (sim, não de humor), os tais horroristas achavam graça de si mesmos, já que ninguém achava, e, para compensar a tremenda falta de talento de suas figuras sinistras, buscavam atrair um público adolescente através de chacota envolvendo mulheres seminuas, que, reduzidas a objeto sexual, eram submetidas a todo tipo de situações ridículas e vexatórias, além da zombaria a outras ditas “minorias” ou marginalizados socialmente, como negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais, pessoas pobres, idosos etc. Numa das cenas mais sutis do filme Coringa, o apresentador do talk show se arroga um homem bom, então o Coringa o refuta: “Você é mal, Murray, você exibiu meu vídeo para as pessoas caçoarem de mim; você me convidou no programa para debochar de mim”. Ora, não foi isso o que fizeram com Zina, um rapaz com esquizofrenia e viciado em drogas, usado e abusado pelo programa de televisão e que atualmente se encontra em situação de rua? De fato, um dos primeiros sintomas do fascismo é quando humilhação vira fator de piada e desgraça, motivo de graça.
Protestos em San Tiago, Chile.
Outubro de 2019, protestos no Chile
O chocante, todavia, é que o fascismo não é uma anomalia, um ponto fora da reta na história recente; ao contrário, é apenas a face real da democracia moderna sem máscara, o seu segredo. E aqui não há como escapar de um tema fundamental que é pano de fundo do filme. Há claramente uma mensagem política na crítica social que recobre o Coringa. O assassinato dos três jovens desencadeia manifestações por toda Gotham City; manifestações essas que não foram organizadas por movimentos sociais ou partidos políticos. É um movimento marcado pelo espontaneísmo das massas, sem lideranças nem bandeiras. O próprio Coringa se exime de qualquer participação nos atos: “Eu pareço um palhaço que lidera movimento?” Basicamente, milhares de pessoas saem às ruas mascaradas de palhaço para protestar contra a desigualdade social; entre muitos cartazes, lê-se “morte aos ricos”. Não demora muito e os protestos desembocam em atos de vandalismo, depredação e caos social. Não se trata, porém, de uma revolução propriamente dita, no sentido clássico do conceito sociológico, já que não logrou mudança estrutural. O movimento é mais um motim, uma rebelião ou, mais precisamente, uma “revolução colorida” – tais como a Revolução Rosa, Revolução Laranja, Primavera Árabe, Panelaço ou Jornadas de Julho de 2013, Coletes Amarelos, Revolução dos Guarda-chuvas, e tantas outras. Sem querer recorrer a teorias sobre o fenômeno recente das revoluções coloridas (muitas delas são fabricadas por agentes externos), estas manifestações são marcadas por um profundo sentimento anti-institucional, antipartidário, antissindical e confusão ideológica, tendo por motivação unicamente uma insatisfação pura e simples contra “o sistema”. Assim, tanto partidos de esquerda como de direita são vistos como entidades corruptas e mercenárias a serviço da especulação financeira internacional ou do governo mundial, sendo rechaçados por esses movimentos que recusam representação e se organizam através de redes sociais da internet. Neste contexto, cabe analisar o estopim dos protestos: os funcionários de Thomas Weine – e a declaração do magnata chamando os simpatizantes do crime de “palhaços”. Simbolicamente, quem são os funcionários e o que representam? Os três rapazes são jovens, brancos, investidores, ao estilo “chicago-boys” de Wall Street, incorporam o estilo yuppie, terninho e gravata, são machistas e agressores de mulher – molestavam a garota sozinha no vagão. Ou seja, representam o patriarcado, branco, rico, capitalista e hétero ou, como se costuma dizer hoje em dia, cis-heteropatriarcado racista. O Coringa é, como já foi dito, o contrário, homem de meia idade, fracassado profissionalmente, fisicamente fraco, apaixonado por uma mulher negra e mãe solteira e, às vezes, tem gestuais infantis e efeminados. Assim sendo, a “Primavera dos Palhaços” em Gotham City não significa unicamente um profundo descontentamento com uma estrutura econômica destituída de qualquer empatia social, em que menos de 1% da população mundial, formada majoritariamente por homens brancos, concentra uma riqueza superior à dos 99% restantes e estão pouco se lixando para mais da metade dos habitantes do planeta que sobrevive abaixo da linha da miséria. Ela significa também um descontentamento com o padrão socialmente aceito e dominante que exclui a maioria heterogênea que luta por reconhecimento e inclusão. Noutras palavras, por linhas tortas, o Coringa acaba por representar reivindicações políticas até então inauditas, focadas na diversidade, e que se convencionou chamar de pautas identitárias.

Para encerrar, gostaria de tecer algumas considerações sobre a repercussão negativa do Coringa na imprensa dos EUA. Basicamente, o filme foi acusado de fomentar massacres em massa como o que ocorreu em Colombine, Virginia, Tech, Aurora etc. (e, por extensão dedutiva, também Suzano, Brasil). Perdoem-me o anacronismo, mas é isso mesmo! Um país que tem como princípio fundador da nação a cultura da violência, fomentada pelo destino manifesto, sustentada pela venda indiscriminada de armas de fogo, legitimada no culto à guerra imperialista, generaliza por filmes e games violentos, de repente descobriu que o filme do Coringa é culpado por jovens frustrados com a meritocracia de castas sair por aí metralhando colegas de escola, pessoas no cinema, boate etc. Santa hipocrisia! Talvez, a crítica tente esconder seu verdadeiro mal estar: o American Dream é uma propaganda enganosa de um mundo nada solidário onde tudo se restringe a dinheiro e poder.

Menina e instrutor apontar metralhadora para um alvo.
Em 2014, no Arizona, menina de 9 anos matou acidentalmente o instrutor de tiros
com uma submetralhadora Uzi. Ela disse que a arma era grande demais.
Aliás, são bastante equivocados os artigos publicados na imprensa brasileira sobre o Coringa afirmando que Arthur é vítima de bullyng! Sim, bullyng. Bullyng? Bullyng, uma palavra inglesa – e o equívoco já começa por aí! Esta palavra passou a designar situações específicas, geralmente em ambiente escolar, de abusos sistemáticos, no intuito de intimidar, humilhar e segregar criança ou adolescente, por parte de um grupo majoritário. Fora desse contexto, não há porque usar, já que a língua portuguesa possui dezenas de palavras equivalentes. Se fosse para usar, então, as paniquetes sofriam bullyng dos horroristas do mencionado programa de TV; Arthur, não. Arthur é vítima, sim, como todos nós, da série ininterrupta de constrangimentos indistintos da vida cotidiana, massificada e forjada pela lógica excludente do sistema político, econômico e social decadente.

Por tudo isso o Coringa é o filme do ano, porque deu o que falar. Fala diretamente sobre o nosso tempo, da nossa vida em sociedade. Mas cuidado, Gotham City não é uma alegoria do mundo moderno. Na verdade é o inverso, é a realidade que se torna cada vez mais parecida com uma história em quadrinhos. Essa é a lição do Coringa. A cena sombria no final do filme com o menino Bruce Wayne, o Batman no futuro, é a deixa para o Coringa 2. Tendo em vista seu histórico infantil traumático, o que se esperar do Batman, a não ser um vingador psicopata, que defende a manutenção de um sistema perverso que produz Coringas e Batmans a cada esquina?

Batman e Coringa frente a frente.

“O que você acontece quando se cruza com um doente mental solitário, numa sociedade que o abandona e o trata como lixo?” (Coringa).

O maior mérito do filme Coringa é o seu demérito, a saber, questionar o maniqueísmo ingênuo num gênero de filme em que os valores são absolutos. “O sistema que sabe tudo decide o que é certo ou errado” (Coringa). Acabamos por nos colocar no lugar do Coringa porque ele se coloca no nosso. E ao nos colocarmos no lugar do Coringa descobrimos que o dilema barbárie ou civilização é um jogo de palavras vazias e o progresso técnico-científico não implicou na emancipação do ser humano do estado de natureza. Somos seres sedentos de sangue e é isso que incomoda tanto os críticos do Coringa. Se em pleno século XXI, voltássemos com os espetáculos mortais de gladiadores, as arenas estariam cheias novamente. Se hoje tornássemos a jogar aos leões e tigres adeptos de alguma religião – religiões afros, por exemplo –, os ingressos de um Maracanã estariam esgotados com antecedência.

Numa alcateia, ovelha não reivindica direito. Não há mais utopias. Não há esperança.

Ecce homo.

Pintura de Antonio Ceresi. Pilatos levando Jesus a julgamento.
Pintura de Antonio Ciresi

Não ia terminar o texto assim, tão baixo astral. Deixei a crítica me guiar pelo enredo do filme e fiz muitas concessões. Ainda sou bastante otimista e acredito que a humanidade pode, sim, superar os grandes obstáculos que se interpõem em nosso tempo. Ao nos colocarmos no lugar do Coringa, compreendemos os seus motivos, o que não significa que avalizamos seus atos. O único antídoto contra o Coringa não é o seu irmão gêmeo Batman e, sim, dar a outra face e nunca atirar a primeira pedra. Mas está cada vez mais difícil ser cristão em um mundo como o nosso, apesar da proliferação sem precedentes de igrejas cristãs, algo paradoxal. No fundo, o paciente exercício de dar a cara à tapa e jamais atirar uma pedra transcende a esfera religiosa tornando-se imperiosa regra prática e moral do convívio social. Tentar entender porque alguém lhe trata com ofensa é também se colocar no lugar do outro, um exercício genuíno de empatia. Como diria o moralista francês La Rochefoucauld, quem conhece perdoa.

NOTAS

Em tempo 1: Ao terminar de escrever a crítica, foi surpreendido com uma declaração do diretor Todd Phillips dizendo que o Coringa não matou Sophie e sua filha. Desde quando filme precisa de bula? Ora, a versão do diretor nega peremptoriamente a linguagem cinematográfica do próprio filme! A explicação é estarrecedoramente simplista: o Coringa só faz mal àqueles que lhe fazem mal. O que, se de um lado confirma a minha tese, por outro torna o Coringa óbvio demais ou até mesmo “bonzinho”, guardadas às devidas proporções, obviamente. Tais vacilos não podem contaminar a sequência do Coringa, senão a continuação estará fadada a um voo de galinha.

Em tempo 2: Na sequência da série, Batman e Robin podiam formar um casal gay.

Em tempo 3: Em outubro do ano passado, manifestantes saíram às ruas fantasiados de Coringa em protestos nas cidades de Santiago, no Chile, Beirute, no Líbano, e em Hong Kong, conforme noticiou a imprensa.  

Em tempo 4: Ecce homo, do latim, “eis o homem”. A expressão aparece nos Evangelhos. O governador Pôncio Pilatos, não encontrando culpa em Jesus, volta-se aos sacerdotes e diz: “Aqui está o homem”. Aqueles se mantêm irresolutos: “Crucifica-o”. Para evitar a pena, Pilatos ainda reinstitui um antigo costume de libertar um prisioneiro na véspera da Páscoa, deixando o julgamento para a decisão do povo. Reunida em assembleia popular, a multidão votou democraticamente pela libertação de Barrabás e condenou Cristo. “Que mal fez Jesus?”, indagou o governador. Voto vencido, Pilatos se desincumbiu da responsabilidade da sentença por meio do gesto simbólico de lavar as mãos do sangue de Jesus: “Lavo as minhas mãos”. Ecce homo acabou se tornando um juízo de valor para designar a natureza humana, que seria baixa e corrupta.

Em tempo 5: Ecce homo também é o título do último livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

Jean Pires de Azevedo Gonçalves é autor do livro “A saga de um andarilho pelas estrelas”.


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