quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Fragmento 105A de Safo: A maçã suspensa e o desejo inalcançável

Descrição da Ilustração A imagem apresenta uma composição de estilo histórico e arqueológico que evoca a Antiguidade Clássica: O Fragmento Central: No centro da imagem, destaca-se um pedaço de papiro antigo com bordas rasgadas e desgastadas pelo tempo, exibindo um texto escrito em carateres do alfabeto grego clássico. Etiqueta Explicativa: Logo abaixo do papiro, encontra-se um pequeno cartão de exibição museológica com o texto: "FRAGMENTO 105A DE SAFO". Elemento Simbólico e Poético: O Fragmento 105a de Safo é um dos seus poemas mais famosos, conhecido pela metáfora da "maçã doce que amadurece no topo do ramo mais alto", esquecida ou inalcançável para os colhedores. Objetos do Cenário: O papiro repousa sobre uma mesa de madeira rústica, ao lado de uma lâmpada de azeite em cerâmica antiga (à esquerda) e de um pergaminho enrolado com haste de madeira (à direita). Fundo e Atmosfera: O plano de fundo desfocado sugere uma paisagem mediterrânica da Grécia Antiga, com oliveiras banhadas pela luz do sol e as ruínas de um templo clássico em colunas de pedra.

O Fragmento 105A de Safo é uma das imagens mais duradouras da poesia lírica grega: a maçã doce que amadurece no galho mais alto, esquecida pelos colhedores — não por descuido, mas porque jamais poderiam alcançá-la. Em poucos versos, a poeta de Lesbos condensa uma reflexão sobre o desejo, a maturidade e a beleza que se preserva precisamente por sua inacessibilidade. A maçã não é um objeto qualquer; é o centro de uma cena mínima que se desdobra em múltiplos sentidos.

A tradução mais difundida do fragmento, feita por Guilherme Gontijo Flores, restitui a cadência da imagem: “como a doce maçã que enrubesce no galho mais alto / no alto do alto / e que o colhedor de maçãs esquecia – / não esquecia, mas nunca seria capaz de alcançá-la”. O advérbio “não” corrige a aparente negligência dos colhedores: a maçã não foi ignorada; foi desejada e, ainda assim, permaneceu fora de alcance. A correção é decisiva, pois desloca a ênfase da indiferença para a impossibilidade.

A crítica costuma ler esse fragmento como uma canção nupcial, um hymenaios, em que a maçã funciona como metáfora da noiva. A doçura, a firmeza e as sementes da fruta aludem à fertilidade, à corporeidade feminina e à temperança esperada na esposa; a maçã que enrubesce no alto do galho condensa, assim, a maturidade sexual e a desejabilidade da jovem que chega ao casamento. A imagem não celebra uma beleza abstrata, mas um corpo pronto para o vínculo — e, ao mesmo tempo, resguardado.

Há, contudo, uma tensão irônica nessa leitura. Se a maçã é a noiva, ela é uma noiva inacessível, suspensa “no alto do alto” de um galho que os colhedores não podem atingir. A sintaxe do fragmento termina em um verbo de alcance — epikesthai — que fica como que suspenso no ar, sem completude gramatical ou erótica. A maçã permanece no galho, e o desejo permanece no intervalo entre o olhar e o gesto.

Essa suspensão tem um nome antigo: pothos, o desejo que não se resolve em posse. A maçã de Safo não é colhida porque o colhedor não a esqueceu, mas porque o próprio ato de colher exigiria uma altura que nenhuma escada alcança. O fragmento encena, assim, uma economia erótica em que o valor do objeto desejado cresce na exata medida de sua distância. A fruta não está escondida: está exposta, vermelha, visível — e justamente por isso mais inatingível.

Não é fortuito que a maçã seja um fruto caro a Afrodite. Em cultos antigos, a fruta estava associada à deusa da beleza e da sedução, e moedas romanas chegavam a representar uma Aphrodite Meleia, a Afrodite da maçã. Ao escolher esse fruto, Safo inscreve a imagem no campo semântico do amor erótico e da beleza que atrai sem se entregar. A maçã não é apenas uma metáfora agrícola: é um emblema afrodítico, carregado de uma ambiguidade entre promessa e recusa.

Se o Fragmento 105A pode ser lido como elogio da virgindade imaculada ou como retrato de uma noiva que já passou do auge da juventude, o que permanece intacto é a força da maçã como figura do que não se deixa possuir. A fruta esquecida — ou melhor, jamais alcançada — condensa uma intuição que atravessa a lírica grega: o desejo não se consuma na posse, mas na contemplação do que se mantém à distância. A maçã de Safo segue brilhando no alto do galho, menos como prêmio a ser colhido do que como imagem de uma beleza que só é plenamente ela mesma enquanto permanece suspensa.

(*) O Fragmento 105A de Safo chegou até nós por citação indireta e, por isso, não possui um texto único e definitivo. Apresento abaixo o original grego, uma transliteração e três traduções em português, cada uma com um recorte tradutório distinto.

Texto grego (segundo a edição Voigt)

οἶον τὸ γλυκύμαλον ἐρεύθεται ἄκρῳ ἐπ’ ὄσδῳ,
ἄκρον ἐπ’ ἀκροτάτῳ, λελάθοντο δὲ μαλοδρόπηες,
οὐ μὰν ἐκλελάθοντ’, ἀλλ’ οὐκ ἐδύναντ’ ἐπίκεσθαι.

Transliteração

oion to glykymalon ereuthetai akrōi ep’ osdōi,
akron ep’ akrotatōi, lelathonto de malodropēes,
ou man eklelathont’, all’ ouk edynant’ epikesthai.

Traduções em português

1. Tradução de Guilherme Gontijo Flores (a mais difundida em antologias brasileiras):

como a doce maçã que enrubesce no galho mais alto
no alto do alto
e que o colhedor de maçãs esquecia –
não esquecia, mas nunca seria capaz de alcançá-la

2. Tradução de Antônio Guedes (recorte mais conciso e poético):

Como a doce maçã, alta e rubra no ramo,
no mais alto ramo — esquecida pelos colhedores.
Não, não esquecida: inalcançada.

3. Tradução literal (para fins de comparação):

Tal como a doce maçã enrubesce no alto do galho,
no topo do mais alto, e os colhedores de maçãs a esqueceram —
não, não a esqueceram, mas não podiam alcançá-la.

Nota sobre a tradução

O verbo final, epikesthai (“alcançar”, “atingir”), fica suspenso no fim do fragmento, sem complemento explícito. É essa suspensão gramatical que a maioria dos tradutores procura preservar: a maçã não é esquecida, mas inalcançável — e o desejo permanece nesse intervalo entre o olhar e o gesto.

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A Ética Cristã e o Segredo do Sucesso Financeiro, de Diego Roderik

Capa do livro. Em primeiro plano, um rapaz anota planilhas. No fundo, imagens que fazem referência ao poder divino. Gráficos e moedas preenchem a ilustração.

O Fim da Era de Gutenberg, de Jean Monti Pires

Capa do livro

As Travessuras das Cinco Estrelinhas de Andrômeda, de Nilza Monti Pires

A imagem mostra a capa de um livro infantil intitulada “As Travessuras das Cinco Estrelinhas de Andrômeda”, escrita por Nilza Monti Pires, cujo nome aparece no topo da capa em letras grandes e azuis.  A ilustração apresenta um céu azul vibrante, com nuances que lembram pinceladas suaves, e espirais claras que remetem a galáxias. Há também pequenas estrelinhas amarelas espalhadas pelo céu, sugerindo um cenário cósmico alegre e fantasioso.  No centro da imagem, sobre uma colina verde arredondada, aparecem cinco estrelas coloridas com expressões humanas, cada uma com personalidade própria:  Uma estrela azul com expressão feliz e bochechas rosadas.  Uma estrela vermelha com expressão triste.  Uma estrela amarela sorridente, com duas pequenas argolas no topo, lembrando “marias-chiquinhas”.  Uma estrela verde usando óculos e com ar simpático.  Uma estrela cinza com um sorriso discreto.  Todas estão alinhadas lado a lado, transmitindo sensação de amizade e diversidade emocional.  Na parte inferior da capa, em letras brancas e grandes, está o título do livro distribuído em três linhas: AS TRAVESSURAS / DAS CINCO ESTRELINHAS / DE ANDRÔMEDA.  O fundo bege claro emoldura toda a ilustração, dando destaque ao colorido central.

Kronstadt e A Terceira Revolução, de Jean Monti Pires

A imagem é a capa de um livro com design inspirado em cartazes revolucionários do início do século XX. No topo, em letras vermelhas, aparece o nome do autor: Jean Monti Pires.  A ilustração central, em tons de vermelho, sépia e preto, mostra um grupo de marinheiros e revolucionários avançando de forma determinada. O personagem principal, um marinheiro de expressão séria, está à frente segurando um rifle. Atrás dele, outros marinheiros marcham, e à esquerda há um homem de punho erguido em gesto de protesto. À direita, vê-se uma paisagem industrial com fábricas e chaminés, reforçando o ambiente de luta social e política.  Uma mulher ao fundo ergue uma grande bandeira vermelha com inscrições em russo: “Советы свободные”, que significa “Sovietes Livres”. A bandeira tremula ao vento, simbolizando mobilização revolucionária e resistência.  A parte inferior da capa apresenta um retângulo vermelho com um título estilizado usando caracteres que imitam o alfabeto cirílico. Abaixo, em português, lê-se o subtítulo:  “A luta dos marinheiros contra a hegemonia do Ocidente”  O fundo bege claro enquadra toda a composição, destacando o estilo gráfico forte e dramático da cena.

Entre a Cruz e a Espada, de Jean Monti Pires

A imagem é a capa de um livro com estética clássica, evocando pinturas do século XIX. No topo, em letras brancas e elegantes, aparece o nome do autor: Jean Monti Pires.  A cena central mostra um homem idoso, de barba longa e grisalha, vestindo roupas escuras tradicionais e segurando um cordão de contas nas mãos. Ele está em pé, no centro de um tribunal, com expressão grave e abatida, sugerindo tensão, julgamento ou reflexão profunda. Sua postura transmite dignidade misturada a sofrimento.  Ao redor, aparecem magistrados, juízes e espectadores, todos trajando roupas antigas, compatíveis com os tribunais europeus dos séculos XVII a XIX. As figuras observam atentamente, algumas com semblantes sérios, outras parecendo julgadoras. O ambiente é composto por painéis de madeira, palanques elevados e arquitetura típica de salas de julgamento históricas.  No centro superior da imagem, atrás do personagem principal, estão juízes sentados em cadeiras altas, reforçando a atmosfera de formalidade e severidade. Nas laterais, homens e mulheres compõem o público, vestidos à moda antiga, todos testemunhando o momento tenso retratado.  Na parte inferior da capa, sobre uma faixa preta, o título aparece em letras grandes e vermelhas:  ENTRE A CRUZ E A ESPADA. O conjunto visual sugere um tema histórico e dramático, envolvendo julgamentos, tensões religiosas, perseguições e conflitos ideológicos, alinhado ao título e ao foco da obra.

Ética Neopentecostal, Espírito Maquiavélico, de Jean Monti Pires

A imagem é a capa de um livro com estética inspirada em cartazes ilustrados de meados do século XX. O fundo possui um tom bege envelhecido, reforçando o visual retrô. No topo, em letras elegantes e escuras, está o nome do autor: Jean Monti Pires.  Logo abaixo, em destaque e em caixa alta, aparece o título:  ÉTICA NEOPENTECOSTAL, ESPÍRITO MAQUIAVÉLICO  No centro da composição há uma ilustração de um homem calvo, de expressão sorridente, vestindo paletó escuro. Ele está representado com duas ações simbólicas:  A mão esquerda levantada, como se estivesse em posição de discurso, pregação ou saudação.  A mão direita segurando um grande saco de dinheiro, marcado com o símbolo de cifrão.  À sua frente há um púlpito de madeira com um livro aberto, sugerindo um ambiente de pregação religiosa. Na parte inferior da imagem, várias mãos erguidas aparecem entre sombras, representando uma plateia ou congregação que observa ou interage com o personagem central.  Abaixo da ilustração, em letras grandes, está escrito:  EVANGÉLICOS CRISTÃOS:  E logo abaixo, em branco:  Quando os Fins Justificam os Meios na Busca por Riqueza, Influência e Controle Social  O conjunto transmite um visual satírico e crítico, com forte carga simbólica envolvendo religião, dinheiro e poder, alinhado ao tema da obra.

A Verdade sobre Kronstadt, de Volia Rossii

A imagem é a capa de um livro ou panfleto intitulado "A verdade sobre Kronstadt".  Aqui estão os detalhes da capa:  Título: "A verdade sobre Kronstadt" (em português).  Design: A arte é em um estilo que lembra pôsteres de propaganda ou arte gráfica soviética/revolucionária, predominantemente nas cores vermelho, preto e tons de sépia/creme.  Figura Central: É um marinheiro, provavelmente da Marinha Soviética, em pé e de frente, olhando para o alto. Ele veste o uniforme típico com o colarinho largo e tem uma fita escura (possivelmente preta ou azul marinho) enrolada em seu pescoço. Ele segura o que parece ser um mastro, bandeira enrolada ou um pedaço de pau na mão direita.  Fundo: A cena de fundo é em vermelho e preto, mostrando a silhueta de uma área urbana ou portuária com algumas torres ou edifícios. Há uma peça de artilharia ou canhão na frente do marinheiro, no lado direito inferior.  Autoria e Detalhes: Na parte inferior da imagem, há a indicação de autoria: "Volia Rossii" e "por Fecaloma punk rock".  Subtítulo/Série: A faixa inferior da capa, em vermelho sólido, contém o texto: "Verso, Prosa & Rock'n'Roll".  A imagem faz referência ao Levante de Kronstadt de 1921, que foi uma revolta de marinheiros bolcheviques contra o governo bolchevique em Petrogrado (São Petersburgo).

A Saga de um Andarilho pelas Estrelas, de Jean P. A. G.

🌌 Capa do Livro "A saga de um andarilho pelas estrelas" A capa tem um tema cósmico e solitário, dominado por tons de azul escuro, preto e dourado.  Título: "A saga de um andarilho pelas estrelas" (em destaque na parte inferior, em fonte branca).  Autor: "Jean Pires de Azevedo Gonçalves" (em destaque na parte superior, em fonte branca).  Cena Principal: A imagem mostra uma figura solitária e misteriosa, de costas, que parece ser um andarilho.  Ele veste um longo casaco ou manto escuro com capuz.  A figura está em pé no topo de uma colina ou montanha de aparência rochosa e escura.  Fundo: O céu noturno é o elemento mais proeminente e dramático.  Ele está repleto de nuvens cósmicas e nebulosas nas cores azul, roxo e dourado.  Uma grande galáxia espiral em tons de laranja e amarelo brilhante domina a parte superior do céu.  Um rastro de meteoro ou cometa aparece riscando o céu perto da galáxia.  A composição sugere uma jornada épica, exploração e o mistério do vasto universo.

A Greve dos Planetas, de Jean P. A. G.

Capa do Livro "A saga de um andarilho pelas estrelas" Esta imagem é uma capa de livro de ficção científica ou fantasia com uma atmosfera épica e cósmica.  Título: "A saga de um andarilho pelas estrelas" (em destaque na parte inferior).  Autor: "Jean Pires de Azevedo Gonçalves" (em destaque na parte superior).  Cena Principal: Uma figura solitária (o andarilho), envolta em um casaco ou manto com capuz, está de costas, no topo de uma colina ou montanha escura e rochosa.  Fundo Cósmico: O céu noturno é dramático, preenchido com:  Uma grande galáxia espiral de cor dourada/laranja no centro superior.  Nuvens e nebulosas vibrantes em tons de azul profundo, roxo e dourado.  Um rastro de meteoro ou cometa riscando o céu.

Des-Tino, de Jean P. A. G.

🎭 Descrição da Capa "Des-Tino" Título: "Des-Tino" (em letras brancas grandes, dividido em sílabas por um hífen).  Autor: "Jean Pires de Azevedo Gonçalves" (na parte superior, em letras brancas).  Subtítulos: "Dramaturgia" e "Verso, Prosa & Rock'n'Roll" (na parte inferior).  Cena da Pintura: A imagem central é uma representação de figuras humanas nuas ou parcialmente vestidas em um cenário ao ar livre (floresta/jardim).  Figura da Esquerda (Superior): Uma pessoa vestida com uma túnica vermelha e um capacete (possivelmente representando um deus ou herói da mitologia, como Marte ou Minerva/Atena) está inclinada e conversando com a figura central.  Figura Central: Uma mulher seminu está sentada ou recostada, olhando para a figura com o capacete. Ela gesticula com a mão direita para cima, com uma expressão pensativa ou de surpresa.  Figura da Esquerda (Inferior): Uma figura masculina, possivelmente um sátiro ou poeta (pelas barbas e pose), está reclinada e olhando para as figuras centrais, segurando o que parece ser uma lira ou harpa.  Figura da Direita: Outra figura feminina, nua ou com pouca roupa, está de pé na lateral direita, observando a cena.  Estilo: A arte é uma pintura de estilo clássico, com foco em figuras humanas, composição dramática e luz suave.

Eu Versos Eu, Jean Monti

Descrição da Capa "Eu versos Eu" A capa utiliza um forte esquema de cores em preto e branco para criar um efeito visual de contraste e divisão.  Título Principal: A capa é composta pelas palavras "Eu versos Eu", dispostas em três seções principais.  Autor: O nome "Jean Monti" aparece no topo, em uma faixa preta.  Design Gráfico:  Faixa Superior: Um retângulo branco com a palavra "Eu" em fonte serifada preta grande.  Faixa Central: Um quadrado dividido diagonalmente:  A metade superior esquerda é branca com a palavra "ver" (parte da palavra "versos") em preto.  A metade inferior direita é preta com a palavra "sos" (o restante da palavra "versos") em branco.  Faixa Inferior: Um retângulo branco com a palavra "Eu" novamente, em fonte serifada preta grande.  Subtítulo/Série: Na parte inferior, fora da faixa, aparece o texto "Verso, Prosa & Rock'n'Roll" em preto, sugerindo um tema ou série.  O design simétrico e a divisão em preto e branco reforçam a ideia do título, "Eu versos Eu", sugerindo um conflito, dualidade ou reflexão interna.

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(****) Notas sobre a ilustração:

A imagem apresenta uma composição de estilo histórico e arqueológico que evoca a Antiguidade Clássica:

  • O Fragmento Central: No centro da imagem, destaca-se um pedaço de papiro antigo com bordas rasgadas e desgastadas pelo tempo, exibindo um texto escrito em carateres do alfabeto grego clássico.

  • Etiqueta Explicativa: Logo abaixo do papiro, encontra-se um pequeno cartão de exibição museológica com o texto: "FRAGMENTO 105A DE SAFO".

  • Elemento Simbólico e Poético: O Fragmento 105a de Safo é um dos seus poemas mais famosos, conhecido pela metáfora da "maçã doce que amadurece no topo do ramo mais alto", esquecida ou inalcançável para os colhedores.

  • Objetos do Cenário: O papiro repousa sobre uma mesa de madeira rústica, ao lado de uma lâmpada de azeite em cerâmica antiga (à esquerda) e de um pergaminho enrolado com haste de madeira (à direita).

  • Fundo e Atmosfera: O plano de fundo desfocado sugere uma paisagem mediterrânica da Grécia Antiga, com oliveiras banhadas pela luz do sol e as ruínas de um templo clássico em colunas de pedra.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Fragmento 131 de Safo: a singularidade do amor e da pessoa amada

Esta fotografia artística de estética clássica capta visualmente o sentimento de abandono e nostalgia expresso no Fragmento 131 de Safo (no qual a poetisa se dirige a Átis, lamentando que esta a tenha esquecido para se voltar para Andrómeda). Análise da Ilustração: A Figura Principal e o Sentimento de Abandono: Em primeiro plano, no canto direito, uma mulher vestida com uma túnica em tons quentes de açafrão e terracota encontra-se sentada num banco de pedra esculpido. Segura uma lira de madeira nas mãos, com a mão esquerda levemente erguida num gesto de descontentamento ou despedida silenciosa. A sua expressão facial transmite dor contida, melancolia e desilusão amorosa. A Figura do Desejo Repudiado: Ao longo do caminho de terra batida que serpenteia pelas colinas, vê-se a figura de uma jovem de túnica clara a afastar-se de costas, caminhando em direção à costa. Esta distância física entre as duas figuras simboliza o afastamento afetivo, o esquecimento e a escolha por outro caminho, numa representação direta da perda da amada. A Paisagem e o Cenário Costeiro: A cena desenrola-se numa falésia acentuada da ilha de Lesbos, rodeada por vegetação mediterrânica e flores silvestres. Ao fundo, abre-se uma vista panorâmica sobre o azul profundo do mar Egeu e uma promontório com uma cidade antiga à beira-mar, sob a luz suave do entardecer. Objetos Simbólicos: Sobre o banco de pedra, ao lado da poetisa, repousam pergaminhos de papiro desenrolados e uma pequena lâmpada de azeite em bronze, reforçando o ambiente de criação literária, estudo e vigília poética perante a solidão.

O Fragmento 131 de Safo de Lesbos, conhecido pelo verso “Não espero que jamais exista outra...”, expressa a percepção de que determinadas pessoas ocupam um lugar insubstituível na experiência afetiva. Em poucos versos, a poeta grega revela a intensidade de um vínculo que não se deixa reduzir à passagem do tempo nem à possibilidade de novos encontros. Como acontece em muitos dos poemas de Safo, a força da composição reside na capacidade de transformar uma experiência particular em uma reflexão sobre o desejo, a memória e a singularidade de quem desperta o amor.

A frase que dá início à tradução evocada pelo fragmento sugere uma comparação entre a pessoa amada e todas as outras que poderiam surgir ao longo da vida. Não se trata simplesmente de afirmar uma preferência, mas de reconhecer que o afeto estabelece uma diferença entre os indivíduos: alguém se torna único porque ocupa uma posição que nenhuma outra pessoa consegue reproduzir. Essa perspectiva confere ao poema uma dimensão íntima e, ao mesmo tempo, universal, pois aborda uma experiência reconhecível por leitores de épocas e culturas distintas.

A poesia de Safo distingue-se pela maneira como aproxima a linguagem da experiência emocional. Em vez de desenvolver uma argumentação abstrata sobre o amor, a poeta concentra-se na expressão direta de sentimentos, fazendo da voz lírica o espaço em que o vínculo afetivo adquire significado. No Fragmento 131, a ideia de que não haverá outra pessoa equivalente pode ser compreendida como a manifestação de uma certeza subjetiva: a singularidade da pessoa amada não depende de uma comparação objetiva, mas da intensidade da relação que a tornou especial. O sentimento, assim, modifica a maneira como o sujeito percebe o mundo e os demais indivíduos.

É importante considerar também a condição fragmentária da obra de Safo. Grande parte de sua produção chegou até nós de maneira incompleta, preservada em citações de autores antigos ou em papiros deteriorados. Por isso, a interpretação de determinados versos exige cautela, sobretudo quando traduções modernas apresentam formulações diferentes ou quando o contexto original não pode ser inteiramente reconstruído. O Fragmento 131 deve ser lido dentro dessa realidade textual, sem que se atribuam ao poema conclusões que os versos conservados não permitem sustentar. Ainda assim, sua temática pode ser relacionada à recorrente investigação sáfica das relações afetivas e da importância da pessoa desejada.

O Fragmento 131 é muito significativo porque aborda uma das dimensões mais intensas do amor: a convicção de que alguém não pode ser substituído por outra pessoa. A brevidade do texto não diminui sua força; ao contrário, permite que a ideia de exclusividade afetiva se concentre em uma expressão concisa, aberta à interpretação. Ao aproximar a experiência individual de uma questão humana mais ampla, Safo confirma a atualidade de sua poesia e sua importância na história da literatura ocidental. Ler esse fragmento é entrar em contato com uma voz antiga que ainda nos convida a refletir sobre o desejo, a intimidade e os vínculos que consideramos únicos.

Fragmento 131

Não espero que jamais exista outra

que se compare a ti.

Nota: a numeração e a extensão dos fragmentos de Safo podem variar conforme a edição. Para apresentar uma tradução fiel do Fragmento 131, seria importante confirmar o texto grego ou a edição de referência, pois a formulação “Não espero que jamais exista outra...” pode corresponder a uma tradução ou adaptação específica.

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(**) Notas sobre a ilustração:

Esta fotografia artística de estética clássica capta visualmente o sentimento de abandono e nostalgia expresso no Fragmento 131 de Safo (no qual a poetisa se dirige a Átis, lamentando que esta a tenha esquecido para se voltar para Andrómeda).

Análise da Ilustração:

  1. A Figura Principal e o Sentimento de Abandono: Em primeiro plano, no canto direito, uma mulher vestida com uma túnica em tons quentes de açafrão e terracota encontra-se sentada num banco de pedra esculpido. Segura uma lira de madeira nas mãos, com a mão esquerda levemente erguida num gesto de descontentamento ou despedida silenciosa. A sua expressão facial transmite dor contida, melancolia e desilusão amorosa.

  2. A Figura do Desejo Repudiado: Ao longo do caminho de terra batida que serpenteia pelas colinas, vê-se a figura de uma jovem de túnica clara a afastar-se de costas, caminhando em direção à costa. Esta distância física entre as duas figuras simboliza o afastamento afetivo, o esquecimento e a escolha por outro caminho, numa representação direta da perda da amada.

  3. A Paisagem e o Cenário Costeiro: A cena desenrola-se numa falésia acentuada da ilha de Lesbos, rodeada por vegetação mediterrânica e flores silvestres. Ao fundo, abre-se uma vista panorâmica sobre o azul profundo do mar Egeu e uma promontório com uma cidade antiga à beira-mar, sob a luz suave do entardecer.

  4. Objetos Simbólicos: Sobre o banco de pedra, ao lado da poetisa, repousam pergaminhos de papiro desenrolados e uma pequena lâmpada de azeite em bronze, reforçando o ambiente de criação literária, estudo e vigília poética perante a solidão.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Fragmento 168B de Safo: A Solidão Noturna e o Passar do Tempo

Esta pintura a óleo de estética neoclássica traduz com precisão e sensibilidade o tom intimista do Fragmento 168B de Safo, capturando a atmosfera de melancolia e o recolhimento da voz poética diante da noite. Análise da Ilustração: A Figura Poética e o Leito: No lado direito da composição, uma mulher grega — representando a própria poetisa — jaz recostada num leito ornamentado. Envolta em dobras suaves de tecidos em tons neutros e com uma coroa folhada nos cabelos, a sua expressão melancólica e o olhar pensativo direcionado para a janela transmitem a sensação de insónia e a consciência da própria solidão. A Janela, o Céu e o Firmamento: Ao centro, uma janela aberta revela a paisagem noturna com vista para o mar Egeu e uma costa rochosa. No céu escuro, vê-se a lua em quarto minguante a descer no horizonte juntamente com o aglomerado de estrelas (as Plêiades), ilustrando visualmente o declínio da noite e o tempo que avança inexoravelmente. Elementos Simbólicos no Interior: Sobre a mesa de madeira ao lado do leito, encontra-se uma pequena lâmpada de azeite acesa — cuja chama fraca acentua o tom de penumbra do quarto —, uma taça e uma lira grega de madeira, símbolo da sua produção poética e musical que agora repousa em silêncio. Inscrição em Grego Antigo: Na parede interior, ao lado da janela, destaca-se a gravação em letras gregas dos versos do poema: «ΔΕΔΥΚΕ ΜΕΝ Α ΣΕΛΑΝΝΑ ΚΑΙ ΠΛΗΙΑΔΕΣ ΜΕΣΑΙ ΔΕ ΝΥΚΤΕΣ ΠΑΡΑ Δ' ΕΡΧΕΤ' ΩΡΑ ΕΓΩ ΔΕ ΜΟΝΑ ΚΑΤΕΥΔΩ». A presença da inscrição reforça a ligação direta entre a obra plástica e a tradição textual, eternizando o sentimento da solitude humana perante a vastidão do universo.

A poesia da Grécia Antiga encontra no Fragmento 168B de Safo uma das suas expressões mais intimistas e melancólicas sobre a passagem inexorável do tempo e a experiência do isolamento. Através de poucas linhas de imensa força lírica, a voz poética contempla o firmamento noturno para traduzir um estado d'alma marcado pela solidão e pela espera. A transição dos corpos celestes no céu noturno deixa de ser um mero fenômeno astronômico para se transformar no espelho de uma vida interior atravessada pela ausência e pelo silêncio da noite.

Ao observar o movimento cósmico descrito no fragmento, o leitor é imerso na atmosfera de uma madrugada em que a lua e o aglomerado das Plêiades já se puseram no horizonte. Essa descida dos astros sinaliza o avanço da metade da noite e o escoamento contínuo das horas, marcando a transição da escuridão plena para a aproximação inevitável do amanhecer. No entanto, enquanto o cosmos cumpre o seu ciclo natural de movimento e renovação, a poetisa permanece estática em seu leito, confrontada com a própria solitude e com o peso dos pensamentos que a vigília desperta.

A sensibilidade do Fragmento 168B reside no contraste poético entre a imensidão do universo e a pequenez da dor humana. O desaparecimento da luz lunar e das estrelas acentua a penumbra do quarto e o vazio do leito, simbolizando a desconexão entre o ritmo do mundo exterior e os desejos não realizados do indivíduo. A noite, que frequentemente acolhe o descanso e o encontro, torna-se aqui o espaço da consciência dolorosa do tempo que foge sem trazer a companhia desejada, revelando a fragilidade da condição humana diante do amor e da solidão.

A permanência histórica do Fragmento 168B de Safo demonstra como a lírica arcaica foi capaz de capturar emoções universais com uma economia verbal e uma profundidade ímpares. Mesmo preservado como uma breve passagem ao longo dos séculos, o poema continua a ressoar nos leitores contemporâneos ao transformar o silêncio da noite e a ausência dos astros em um retrato eterno da alma que espera, ama e padece na solitude.

Fragmento 168B de Safo

A lua e as Plêiades

já se puseram; é meia-noite,

o tempo passa,

e eu durmo só.

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(**) Notas sobre a ilustração:

Esta pintura a óleo de estética neoclássica traduz com precisão e sensibilidade o tom intimista do Fragmento 168B de Safo, capturando a atmosfera de melancolia e o recolhimento da voz poética diante da noite.

Análise da Ilustração:

  1. A Figura Poética e o Leito: No lado direito da composição, uma mulher grega — representando a própria poetisa — jaz recostada num leito ornamentado. Envolta em dobras suaves de tecidos em tons neutros e com uma coroa folhada nos cabelos, a sua expressão melancólica e o olhar pensativo direcionado para a janela transmitem a sensação de insónia e a consciência da própria solidão.

  2. A Janela, o Céu e o Firmamento: Ao centro, uma janela aberta revela a paisagem noturna com vista para o mar Egeu e uma costa rochosa. No céu escuro, vê-se a lua em quarto minguante a descer no horizonte juntamente com o aglomerado de estrelas (as Plêiades), ilustrando visualmente o declínio da noite e o tempo que avança inexoravelmente.

  3. Elementos Simbólicos no Interior: Sobre a mesa de madeira ao lado do leito, encontra-se uma pequena lâmpada de azeite acesa — cuja chama fraca acentua o tom de penumbra do quarto —, uma taça e uma lira grega de madeira, símbolo da sua produção poética e musical que agora repousa em silêncio.

  4. Inscrição em Grego Antigo: Na parede interior, ao lado da janela, destaca-se a gravação em letras gregas dos versos do poema: «ΔΕΔΥΚΕ ΜΕΝ Α ΣΕΛΑΝΝΑ ΚΑΙ ΠΛΗΙΑΔΕΣ ΜΕΣΑΙ ΔΕ ΝΥΚΤΕΣ ΠΑΡΑ Δ' ΕΡΧΕΤ' ΩΡΑ ΕΓΩ ΔΕ ΜΟΝΑ ΚΑΤΕΥΔΩ». A presença da inscrição reforça a ligação direta entre a obra plástica e a tradição textual, eternizando o sentimento da solitude humana perante a vastidão do universo.