Análise de Massa-Homem, de Ernst Toller
1. Introdução
Para realizar a análise da peça de Ernst Toller, Massa-Homem (“Masse-Mensch”, 1919), tomaremos como referência o conceito de crise do drama e seguiremos os caminhos que foram percorridos em sala de aula, a fim de contextualizar a obra de Toller dentro de seus referenciais teóricos e literários.
Segundo Rosenfeld, o conceito de gêneros literários surgiu da tradição grega, a partir da obra de Platão República. No livro 3, Sócrates define três tipos de obras poéticas: a imitação (tragédia e comédia); o relato do poeta (ditirambo); e a mistura dos dois tipos, a epopeia. Na esteira de Platão, Aristóteles inaugura, em sua Arte Poética, a concepção tradicional de três gêneros literários, a saber: lírica, épica e dramática. Conforme Rosenfeld, a teoria subsequente dos gêneros literários se desdobrou em duas acepções fundamentais, a “substantiva” e a “adjetiva”. A primeira divide os gêneros em tipos ideais, ainda que isso seja artificial, e define o gênero lírico em canto, ode, hino e elegia; o gênero épico (versos ou prosa) em epopeia, romance e novela; e o gênero dramático em tragédia, comédia, farsa, tragicomédia etc. A segunda compreende os gêneros através de seus traços estilísticos, que podem apresentar diferentes graus independentemente da acepção substantiva que porventura uma determinada obra possa ser classificada.
O lírico se distingue por textos breves, de menor extensão, em que há um extravazamento de subjetividade. O foco narrativo tem no Eu lírico seu ponto de culminante, para o qual tudo se reduz às suas próprias impressões e, consequentemente, a um diálogo interior consigo mesmo (monólogo). Portanto, o objeto do Eu lírico é o próprio sujeito reflexivo, o Eu lírico, que dá sentido a todas as coisas do universo. A objetividade do mundo então perde seus contornos definidos, pois tudo se encontra em função de suas emoções e seus pensamentos. Se mundo é percebido através dos seus sentimentos, a própria forma textual perde todo o seu compromisso com a realidade dos fatos e é marcada por recursos literários que visam acentuar a passionalidade do Eu lírico, como o ritmo, a métrica, a rima, a musicalidade etc. O uso de figuras de linguagem, como a metáfora, a metonímia, o paradoxo, etc., também são bastante utilizados para manifestar a intensidade do estado de espírito. Devido a falta de distanciamento entre o sujeito e objeto, o Eu lírica fala no tempo presente, imediato, atual, em um eterno desdobrar do aqui agora sem relação alguma com o passado ou futuro. “A lírica tende a ser a plasmação imediata das vivências intensas de um Eu no encontro com o mundo, sem que se interponham eventos distentidos no tempo (como na Épica e na Dramática)” (ROSENFELD, 1985, p. 22).
A épica é, geralmente, um texto de maior extensão, no qual um narrador, que quer comunicar uma história, um caso, um evento etc., descreve um enredo envolvendo uma série de personagens que vivenciam uma infinidade de situações e conflitos inerentes à própria narrativa. Para melhor caracterizar esse narrador, podemos estabelecer o foco da narrativa na figura do Eu épico, que é um narrador onisciente, isto é, que sabe de antemão o que vai acontecer ou, quando muito, conhece parcialmente aquilo que será narrado, a depender da estratégia pretendida pelo narrador, que sabe disso. Ao contrário do Eu lírico, o Eu épico não exprime seus sentimentos ou, pelo menos, procura evitar exprimir seu próprio estado de ânimo e manter-se a uma distância relativamente grande do objeto narrado. Dado o seu caráter objetivo e a extensão infinita de suas possibilidades, o Eu épico tende a ser mais racional e não se confunde com os personagens narrados por ele, os quais, inversamente, não sabem o que vai acontecer durante o desenvolvimento da trama. “Mas permanecerá, ao mesmo tempo, o narrador que apenas mostra ou ilustra como esses personagens se comportam, sem que passe a transforma-se neles” (p. 26). Diante disso, a narrativa se desenvolve no passado, pois sendo assim, o Eu épico tem maior domínio sobre a ação narrada.
O drama é caracterizado pela autonomia do objeto, independente de um narrador e de sua interferência, já que o próprio narrador é dispensável, aparecendo em momentos excepcionais como o prólogo, o coro etc. Com isso desaparece a relação sujeito narrador e a objetividade é absoluta, o que torna o drama completamente oposto ao gênero lírico, em que, como vimos, o sujeito ocupa uma função central. Na concepção de Hegel o drama aparece como a síntese dialética dos gêneros entendidos enquanto termos contraditórios, à qual concilia a subjetividade da lírica e à objetividade da épica, apesar de Rosenfeld não reconhecer o esquema hegeliano, pois, para ele, isso implicaria a superioridade do gênero dramático sobre os demais. Os traços estilísticos do drama são o seu rigoroso encadeamento causal, cujas cenas mantêm entre si uma relação de causa-efeito. Diante disso, a unicidade de tempo, de lugar e a de ação é uma de suas principais características. O enredo também transcorre sem uma interferência externa, do narrador, mas como um “mecanismo” autônomo. O tempo no gênero dramático é linear, desenvolve-se constantemente, e a ação se dá sempre no presente, “pela primeira vez”. O diálogo é motor do drama e se desenvolve no palco, durante a encenação, por meio do conflito dos personagens em cena, que, dentro de um horizonte menor, são independentes do ponto de vista da subjetividade. “O diálogo dramático move a ação através da dialética de afirmação e réplica, através do entrechoque das intenções” (p. 34). Portanto, a característica fundamental do drama é a sua objetividade que se realiza por meio do diálogo e por isso sua função é apelativa.
2. A crise do drama
Para contextualizar a peça ora analisada, trataremos de forma breve alguns pressupostos que, ao nosso ver, são imprescindíveis para compreender o desenvolvimento dramático até o expressionismo alemão. As peças de Strindberg são um marco, pois nelas o autor rompe com a objetividade do drama e institui uma subjetividade para a qual todos os demais personagens são projeções, substituindo a unidade da ação pela unidade do Eu. Como resultado, o dramaturgo subjetivista desenvolve a “técnica das estações”, cujas cenas são apresentadas de acordo com uma perspectiva do herói, visando com isso ressaltar seu percurso em face das figuras que lhe aparecem. Além disso, as cenas não se ligam por nenhum nexo causal umas às outras, o que rompe com o rigoroso encadeamento de causa-efeito do estilo dramático. O drama social de Hauptmann também introduz inovações importantes, à medida que determinações econômicas e políticas do capitalismo industrial suprimem a individualidade que só existe enquanto classe social. A dramaturgia engajada, denominada agitrop, surgida durante a Revolução Russa de 1917 e tendo como expoente Maiakovski, também é uma influência, pois visava abordar temas sociais relacionados com a revolução e os sovietes, através da representação da luta de classes entre capitalistas e proletários por meio de peças curtas e didáticas. Finalmente o expressionismo alemão (1910 – 1925), tomando como base a “técnica das estações”, tem como pressuposto a alienação do sujeito e, consequentemente, sua expressão distorcida da realidade objetiva. Segundo Szondi: “o homem é visado pelo expressionismo, conscientemente, como abstractum” (SZONDI, 2011, p. 109).
3. Análise
O contexto histórico da Alemanha em que a peça Massa-Homem (1919) foi escrito é marcado pelo fim da Primeira Guerra Mundial, a fundação da República de Weimer, em 1918, e a tentativa dos movimentos populares, a exemplo da Rússia Soviética, emplacar uma revolução socialista no país, evento que ficou também conhecido como “Outubro Alemão”. Mas ao contrário do que se sucedeu na Rússia, a revolução na Alemanha fracassou amargamente, dando ensejo a uma repressão violenta que levou muitos militantes revolucionários à prisão, incluindo Toller. É nesse período de enclausuramento que Toller escreve a referida obra. A epígrafe da peça não deixa de dúvidas sobre o sentimento de derrota e redenção diante do revés sofrido pelos idealistas do socialismo internacional: “Revolução mundial... A terra se crucifica”. De fato, há uma espécie de autocrítica em que o autor dá voz a um personagem que questiona os métodos empregados pelos revolucionários, criando uma tensão entre o indivíduo e as ações coletivas das massas, que acabam por reproduzir, por um outro ângulo, a mesma lógica de violência monopolizada pelo Estado.
Neste aspecto, o título da peça é bastante sugestivo. Massa e homem (na verdade ser humano, enquanto espécie, ou seja, “mensch”, em alemão) é grafado com um hífen dando a ideia de formação de um único vocábulo, por justaposição ou composição: “massa-homem”. Aqui não sabemos se os dois sentidos se conservam ou se um núcleo sobredetermina o outro. Em que pese essa questão, que não pode ser resolvida, há uma tensão entre o particular e o geral, no sentido que um indivíduo pertencente à espécie humana se confronta com as ações da coletividade que age de maneira própria. Mas até que ponto nossas ações enquanto pessoas autônomas podem influenciar ou são influenciadas o conjunto social é uma pergunta que subjaz em todo o enredo de Massa-homem, levando a conclusão de que não há liberdade. Porém, tal resposta não fica suspensa no ar, porque, no limite, a indagação parece ter sido solucionada de modo pessimista na última frase da mencionada epígrafe.
É interessante notar, dentro deste quadro, como os personagens são construídos. A princípio, tal como nas peças de Strindberg, só existe – ou formalmente, só existe – uma personagem, que é nomeada, Sonia Irene. É a partir de Sonia que a unidade da peça transcorre tanto em um plano realista como em um plano onírico. Desta forma, há dois tipos de personagens (segundo o professor, a melhor tradução seria “jogador”) no elenco, aqueles que são reais (operários, operárias, o anônimo, prisioneiras, oficial e homem, o funcionário) e as visões de Sonia, os vultos (o acompanhante, banqueiros, o funcionário, guardas homens e mulheres, prisioneiros e sombras), muito embora seja muito difícil traçar uma fronteira nítida entre eles. Realmente, não podemos dizer com precisão o que é a realidade e o que é sonho, a não ser pela própria indicação épica do autor quanto à divisão dos quadros (estações) no início da peça. Nenhum dos personagens tem nomes, entretanto; e são qualificados mais como categorias sociais do que indivíduos propriamente ditos.
A própria Sonia é apenas um referencial, um mote, pelo qual se desdobra a ação dramática, já que ela mesma se converte em apenas a mulher. Ainda que os operários a tenham como uma liderança da revolução social, na esfera privada a mulher é reduzida ao papel social de esposa, casada com um funcionário do Estado, o homem, seu marido, (em alemão, “mann”). O embate que os dois travam no início da peça sugere que, além da dominação da classe burguesa sobre a classe operária e camponesa, há também um outro nível de exploração, a do patriarcado, do marido sobre a esposa. Não é por acaso que o homem é um funcionário do Estado, que de alguma forma simboliza o poder. Em dado momento, o homem diz para a mulher: “Mesmo teus, assim chamados, camaradas operários / Desprezam mães solteiras”. O rompimento entre a mulher e o homem que, por sua vez, encarna a própria violência e impessoalidade do Estado encarnado no homem – se é que existem pessoas sob a égide da alienação do trabalho – é uma antecipação do confronto que se seguirá mais adiante, entre os operários e agricultores revolucionários e os agentes estatais da repressão.
Outro personagem importante é a figura do anônimo, que, em si, é bastante contraditório, haja vista que, de fato, com exceção de Sonia, apresentada no início, todos os personagens são anônimos. Porém, o anônimo é um elemento bastante misterioso já que não possui nenhuma categoria ou classe social. O que sabemos é que as massas ecoam todas as suas decisões, e por isso não podemos traçar novamente as fronteiras que os separam – se é que existe alguma separação. Neste sentido, há um outro embate, durante o decorrer da peça, que é central e se dá em um outro nível, além da luta de classe e da guerra dos sexos, a saber, o conflito entre o indivíduo e a coletividade. Mas aqui o indivíduo não é mais ele mesmo, tornando-se anônimo em meio à massa que, dentro da lógica capitalista, é uma classe social determinada pelas condições econômicas. Talvez, a entidade nomeada pela alcunha de “anônimo” seja a consciência de classe que se torna ciente de sua condição de explorada pela burguesia. Assim, o anônimo nada pode fazer a não ser obedecer ao movimento histórico de sua suposta libertação. Sob o jugo de uma lógica de que não pode dominar, o anônimo só pode conduzir a massa para uma revolução violenta: a guerra de classes.
Ora, mas de certo modo, como vimos, todos os personagens desempenham papéis que lhes são impostos de fora, manipulados como fantoches por uma “mão invisível”, sem conseguir controlar seus próprios destinos. Os industriais, banqueiros e financistas, retradados como fantasmagorias, são apenas segmentos enumerados que expressam um monólogo que anseia apenas o lucro pelo lucro. O mesmo se dá aos agentes da repressão, os guardas, que apenas executam ordens, independente de suas condições sociais de trabalhadores do Estado. O sacerdote é o responsável espiritualmente pela manutenção do status quo e exige o arrependimento e a retratação da mulher. No fundo todos são anônimos, todos são sombras na caverna de uma criatura monstruosa que superou o criador: o capital.
A mulher aparece como a única pessoa de fato que emerge da massa disforme. Quando entabula um diálogo com o anônimo, reprova seus meios violentos e sua volúpia cega de sangue. Esta personagem feminina, não por acaso, concebe uma outra utopia, baseada em novo tipo de ser humano (“mensch”), voltada a valores humanistas, éticos, justos, culturais e pacíficos. Esta humanidade de novo tipo não renascerá da violência, da ideologia, da massa, da barbárie, mas de uma defesa intransigente da vida. Neste particular, é bastante emblemático quando ela confronta o anônimo e parece nomeá-lo:
A mulher: - Tu não és libertação.
Tu não és redenção.
No entanto, eu sei quem você és.
“Abates!” Sempre abates!
Teu pai, este se chamava guerra.
Tu és o seu bastardo.
Tu, pobre novo marechal-carrasco,
Teu único caminho da salvação: “Morte” e
“Exterminem!”
Despe o manto das palavras elevadas,
Que se transforma em tecido de papel.
(Sétimo quadro, p. 37)
No fundo, a mulher é única pessoa que consegue vislumbrar a lógica que opera por trás das abstrações que são as categorias sociais. Ela sofre profundamente com a frieza do marido burocrata, sofre com o destino da massa que repete a violência do Estado e do capital. De certo modo, Toller, na figura da mulher, antevia que a conquista do poder pelo proletariado não significava uma mudança radical da sociedade, mas apenas uma mudança de sentido de vetores. No fundo, tudo continuaria igual e a libertação da humanidade se redundaria apenas em discursos, fórmulas vazias e ideologia. Os seja, nada transcenderia de fato o âmbito da política no sentido mais maquiavélico do termo. A própria mulher não pode escapar da alienação, pois o aspecto onírico da realidade, típico do expressionismo alemão, significa que o estranhamento causado pela alienação não pode ser superado. Assim como uma Joana D’Arc extasiada por visões desafiou um sistema implacável e a levaram para a fogueira, a mulher é condenada mesmo tendo sido comprovada a sua inocência na participação do derramamento de sangue provocada pela fúria da massa anônima.
O oficial – Aqui a sentença.
Circunstâncias atenuantes reconhecidas
Contudo. Crime político exige expiação.
A mulher – O senhor vai me mandar fusilar?
O oficial – Ordem ordem. Obedecer obedecer.
Interesse do Estado clama ordem.
Dever de oficial.
A mulher – E a pessoa?
O oficial – Toda conversa a mim vedada.
Ordem ordem.
(Sétimo quadro, pp. 43-44)
Conclusão
Como vimos acima, Massa-Homem rompe com o gênero dramático e se insere na crise do drama. Seguindo o modelo da técnica de estações, a peça é dividida em sete quadros ou estações, que não possuem sequência causal necessariamente, já que algumas estações são visões intercaladas que não são causados pelas cenas anteriores. No entanto, afora esses momentos oníricos, o desenvolvimento da peça tem um seguimento coerente e realista, que é uma exigência do expressionismo. Ao mesmo tempo, a peça quebra com a objetividade do gênero dramático, pois tudo é percebido a partir da perspectiva alienada da mulher. Assim, o mundo se apresenta estranho, confuso, e não sabemos de fato quando estamos presenciando um sonho ou a realidade objetiva. Há também um forte componente lírico, principalmente na fala da mulher, e na linguagem ritmada em modo de estacato. Portanto, a peça de Toller quebra com os moldes lançados por Aristóteles na teoria dos gêneros literários.
Bibliografia
ROSENFELD, A., Teatro épico. Editora Perspectiva: São Paulo, 1985.
SZONDI, P., Teoria do drama moderno (1880-1950). Cosac & Naify: São Paulo, 2011.
TOLLER, P., Massa-Homem: uma peça da revolução social do século xx / tradução de Tania M. Bernkopf e Betty M. Kunz). Instituto Goethe: Porto Alegre, 1982.
VÁRIOS (Org. Iná Camargo Costa e Douglas Estevam). Agitrop: cultura política. Expressão Popular: São Paulo, 2015.
(*) Notas sobre a ilustração:
A imagem retrata uma cena dramática e expressiva de uma peça teatral, capturando o espírito expressionista do trabalho de Ernst Toller. Aqui está uma descrição detalhada dos elementos visuais e de como eles transmitem a mensagem da obra:
Cenário e Atmosfera Expressionista:
O Fundo Tumultuado: A parede ao fundo não é apenas um cenário, mas uma pintura expressionista vibrante e caótica. Ela retrata uma massa de figuras humanas distorcidas, com punhos cerrados e expressões de angústia e revolta. Essa "massa" parece estar em movimento constante, como uma onda de fúria e desesperança.
Cores Simbólicas: A paleta de cores no fundo é dominada por tons sombrios de cinza e preto, pontuados por toques vibrantes e inquietantes de vermelho e verde. O vermelho evoca a violência, a revolução e a raiva, enquanto o verde adiciona uma qualidade dissonante e perturbadora à composição.
A Engrenagem e as Grades: Em meio à massa de corpos, uma grande engrenagem industrial se destaca, simbolizando a opressão do trabalho fabril e a mecanização da vida. Mais ao fundo, vemos janelas com grades, sugerindo aprisionamento e falta de liberdade. Esses elementos reforçam o tema da luta do indivíduo contra um sistema desumanizador.
O Protagonista e a Luta Individual:
A Figura Central: No centro do palco, um homem em trajes de operário tattered está parado, olhando para cima com uma expressão de desespero e conflito interno. Sua postura, com uma mão no peito, sugere uma profunda luta moral e a angústia de tomar uma decisão difícil. Ele está posicionado em uma pequena plataforma elevada, o que o separa ligeiramente da massa tumultuada ao fundo, destacando sua individualidade e seu dilema.
O Dilema Moral: O homem parece estar preso entre dois mundos: o apelo da massa revolucionária ao fundo e sua própria consciência individual. Seu olhar para o alto pode simbolizar a busca por uma solução ética ou a desesperança diante da violência que se aproxima.
Elementos Adicionais:
O Pôster: À esquerda, um pôster com o título da peça, "MASSE MENSCH" (Massa-Homem), e o nome do autor, ERNST TOLLER, está visível. Isso ancora a cena diretamente na obra específica.
O Público: Na parte inferior da imagem, vemos as silhuetas das cabeças dos espectadores na plateia. Isso nos lembra que estamos testemunhando uma performance teatral e adiciona uma camada de realismo à cena.
Significado Geral:
A imagem encapsula o tema central da peça de Toller: a tensão entre a necessidade de ação coletiva e a moralidade individual. O protagonista, dilacerado pelo dilema de apoiar uma revolução violenta ou manter seus princípios éticos, se torna um símbolo da luta humana contra as forças opressivas da sociedade e a complexidade das escolhas morais em tempos de crise.

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