domingo, 7 de junho de 2015

Andrades: Mário e Oswald



1 - “Minha viola bonita”



Minha viola bonita,

Bonita minha viola,

Cresci, cresceste comigo

Nas Arábias.



Minha viola namorada,

Namorada viola minha,

Cantei, cantaste comigo

Em Granada.



Minha viola ferida,

Ferida viola minha,

O amor fugiu para o leste

Na borrasca.



Minha viola quebrada,

Raiva, anseios, lutas, vida,

Miséria, tudo passou-se

Em São Paulo.



(Mário de Andrade, Lira paulistana – 1947)



A primeira reação causada no leitor por este poema é a percepção da musicalidade de seus versos. A reiteração da palavra ‘viola”, que é o eixo central do poema, reforça ainda mais o seu sentido musical. No seu aspecto formal, é notável a ocorrência de aliterações fonéticas, marcadamente pelas letras “i”, “o” e “c”. Nas duas primeiras estrofes, nota-se também uma ressonância de forma e conteúdo num todo harmônico que se comunica à maneira de um contra-ponto. Já nas ultimas duas estrofes, ocorre certa dissonância em relação às duas primeiras, através de, literalmente, um “ferimento” ou uma “quebra” na tonalidade que o poema vinha desenvolvendo, descompassando-o totalmente na aspereza do décimo quarto verso (“Raiva, anseios, lutas, vida”). Então, as duas primeiras estrofes se comunicam enquanto se separam da unidade desarmônica das duas últimas.

A ressonância na harmonia das duas primeiras estrofes também reverbera no seu significado. No primeiro verso, há uma ideia de posse, pelo poeta, de um instrumento musical que é uma viola bonita. No segundo verso, pode se inferir que a viola é bonita porque é do poeta. Tal ligação afetiva pode ser explicada no terceiro verso quando o poema indica que há uma cumplicidade entre o poeta e o instrumento musical que, provavelmente, surge logo na infância. A viola, de certa forma, não acompanha apenas o crescimento do poeta, mas cresce com ele, sugerindo uma intimidade que transcende a relação sujeito e objeto, na personificação (prosopopeia) do instrumento musical. No quarto e último verso da primeira estrofe, o verso completa o penúltimo verso situando um local geográfico onde o eu fragmentado e a viola cresceram e que fica... “Nas Arábias”. No primeiro verso da segunda estrofe, o grau de intimidade entre o poeta e o instrumento musical, a viola, intensifica-se ainda mais. A viola não apenas cresce, como um irmão ou um amigo de infância, mas se torna namorada. Provavelmente, os versos aqui tratam da adolescência ou da juventude, de suas descobertas, podendo-se até mesmo interpretar, num desdobramento da leitura, que a viola passa a ser um instrumento de conquista amorosa e, por isso, único amor. No segundo verso dessa estrofe, reitera-se a ideia da intimidade com a viola através da introdução enfática da palavra namorada à frente da viola. Novamente, no sexto verso do poema, observa-se uma sincronia entre o poeta e o instrumento musical: “Cantei, cantaste comigo”; que, talvez, remeta a cantar a beleza da vida que desabrocha e conhece a paixão, e que se passa, como se refere o oitavo verso do poema, num outro lugar: em Granada. Segundo Santos (2003), esta geograficidade do poema implica numa referência à viola como tendo uma ancestralidade no alaúde, instrumento de origem árabe que se tornou símbolo do trovadorismo e que foi levado à Europa nos séculos XVI e XVII, tornando-se vulgar na Espanha, e na época em que o Brasil também foi “descoberto”. Além disso, a viola tornou-se um instrumento muito difundido pelo Brasil inteiro, podendo ser entendida como símbolo de brasilidade ou musicalidade indispensável do brasileiro. Aceitando-se as teses de Schwarz (1987, 2000), a viola pode ser interpretada, por nós, no poema de Mário, como elo do arcaico e do moderno. Mas também a geografia aqui tem um sentido utópico, infantil e de rebeldia juvenil, associado às Mil e uma noites ou à sensualidade da música e dança flamenca. Talvez a utopia esteja situada num passado (rural) ou de suas lembranças idílicas: um mundo que se torna obsoleto e fictício.

As duas últimas estrofes indicam uma ruptura com o passado, e o presente é um tempo de amargura trazida por desilusões que a maturidade sublinha quando se presta contas da vida inteira. No primeiro e segundo versos da terceira estrofe, a viola está ferida. Descobre-se, no décimo primeiro e décimo segundo versos, que o amor – a própria viola que em sentido figurado é o fio condutor de sua vida – fugiu para o leste, com a borrasca. Sem dúvida, a tempestade sugere tempo fechado, reclusão e tormentas, que na verdade é uma metáfora do estado de espírito do poeta e que condiz também com uma menção indireta ao desastre da Segunda Guerra Mundial. No décimo terceiro verso do poema, tem-se a notícia que a viola está quebrada (pelo tempo, pela guerra ou pelo poeta?). Nos versos seguintes, o poeta enumera “raiva, anseios, lutas, vida”... “Miséria...” e sentencia numa revelação surpreendente: “...tudo passou-se” “Em São Paulo.” Na comparação com “Solidão”, tentaremos desvelar outros desdobramentos do poema.



2 - “Solidão”



Chove chuva choverando

que a cidade de meu bem

está-se toda se lavando



Senhor

que eu não fique nunca

como esse velho inglês

aí do lado

que dorme numa cadeira

à espera de visitas que não vêm



Chove chuva choverando

que o jardim de meu bem

está-se todo se enfeitando

A chuva cai

cai de bruços



A magnólia abre o pára-chuva

pára-sol da cidade

de Mário de Andrade

a chuva cai

escorre das goteiras do domingo



Chove chuva choverando

que a cidade de meu bem

está-se toda se molhando



Anoitece sobre os jardins

Jardim da Luz

Jardim da Praça da República

Jardim das platibandas



Noite

Noite de hotel

Chove chuva choverando



(Oswald de Andrade, Primeiro caderno do aluno de poesia de Oswald de Andrade - 1927)



O poema “Solidão” de Oswald de Andrade também é marcado por uma forte melodia, que flerta com cantigas folclóricas e infantis, e apresenta um grau maior de dificuldade de interpretação, pois o recurso sonoro parece conduzir o poema para além de seu significado imediato. Portanto farei uma análise menos pontual que o poema anterior e aceitarei os riscos de um maior equívoco de interpretação.

O primeiro verso, “Chove chuva choverando”[1], é um desdobramento quase redundante do verbo “chover”, que exprime fenômeno natural, logo, sintaticamente, prescinde de sujeito; do substantivo “chuva”, que no verso exerce a função de sujeito; e do neologismo “choverando”, que não apresenta significado definitivo e por isso se destaca pela sua sonoridade enigmática. Somando-se a isso, percebe-se a forte presença da aliteração da consoante fricativa surda “x” (ch), que produz um som de chiado, remetendo ao barulho de água caindo ou escorrendo. Logo, a primeira estrofe enfatiza a ideia de chuva, de água, de purificação, de limpeza e, por extensão, de alma lavada (sentido figurado). Tal ideia é completada pelos versos dois e três da primeira estrofe, “que a cidade de meu bem”... “está-se toda se lavando”. Aqui há uma indeterminação do significado (não se sabe quem é o meu bem; presume-se apenas que seja a pessoa amada ou um ideal dela) e o efeito sonoro dos significantes dá sentido de que a chuva cai incessantemente numa cidade, ainda não identificada. Os versos da segunda estrofe aparecem de modo abrupto e parece não dialogar com o da primeira. A ligação se efetiva de modo tênue através da rima de “meu bem” com “visitas que não vêm”. Todavia, a estrofe é a que mais está sintonizada literalmente com o título do poema, “Solidão”. O poeta, que provavelmente está sozinho e hospedado em um hotel, imagina um quadro melancólico em seu futuro, que deseja evitar e que corresponde ao de seu suposto vizinho de quarto, um estrangeiro solitário, de idade avançada, num país distante, dormindo numa cadeira e numa espera vã por parentes ou amigos. Novamente, a terceira estrofe o verso abre com “Chove chuva choverando”, quase como um estribilho da chuva que não cessa. Nos versos seguintes, a chuva rega e enfeita o jardim de “meu bem”. Curiosamente, a chuva cai de bruços, causando certo estranhamento no leitor. Talvez o poeta esteja deitado ou sonhando. Na quarta estrofe, o poema causa ainda mais estranheza quando descreve uma magnólia que se abre como pára-chuva–pára-sol da cidade de Mario de Andrade (!!!). Deduz-se (se não for muito arriscada a minha interpretação) que a copa da magnólia funciona como um guarda-chuva ou um guarda-sol, objetos semelhantes que são carregados de sentidos só por meio do contexto (chuva ou praia); contudo, na verdade, a magnólia não é nenhuma coisa nem outra, mas um natural pára-chuva e pára-sol ao mesmo tempo, ou seja, uma entidade única, simbólica e soberana que confere sentido ao contexto: a cidade do poeta Mário de Andrade. Nos versos que indicam “...cidade” e “de Mário de Andrade”, não resta mais dúvida de que a cidade em questão é o município de São Paulo. Porém, a chuva é constante, podendo ser uma referência a garoa da antiga São Paulo e atravessa as folhas da árvore – que talvez lhe serve de abrigo – em goteiras do domingo. (Curiosamente, há magnólias no Jardim da Luz e em frente à Biblioteca Municipal). Novamente, o estribilho e a referência à cidade porosa que é molhada pela chuva. Na sexta estrofe, anoitece, fato que pode indicar que os momentos anteriores do poema se passavam de manhã (o inglês) e à tarde (a magnólia). Mas, anoitece-se nos jardins: Jardim da Luz, Jardim da Praça da República e Jardim das platibandas, estruturas arquitetônicas comuns nas antigas residências paulistanas. E, na sétima e última estrofe, é, enfim, noite, e o poeta já esta de volta ao hotel, enquanto a chuva continua.


3 - Comparação dos poemas “Minha viola bonita” e “Solidão”

Tendo em vista as análises acima, tentarei realizar a comparação crítica dos poemas “Minha viola bonita” e “Solidão”. O primeiro aspecto que chama a atenção em ambos os poemas, como já ficou claro, é que estão unidos pela forte musicalidade que apresentam. Tanto um como outro, apostam numa estrutura de assonâncias cujas palavras se repetem produzindo efeitos que ecoam nos versos e produzem uma imagem de indeterminação em seus conteúdos, os quais devem ser desvelados. Quanto à métrica, o poema de Mário de Andrade é mais rigoroso e é composto de quatros estrofes, sendo que os três primeiros versos de cada uma são formados por sete sílabas poéticas (redondilha maior) e o quarto de apenas três sílabas poéticas. Também apresenta uma estrutura de rimas que se alternam de modo mais simétrico. Já o poema “Solidão” é composto por versos livres, excetuando às estrofes que corresponderiam ao refrão (“Chove chuva choverando...”) também em redondilhas, e apresenta rimas mais esparsas e esporádicas. Neste particular formal, da métrica, os versos de “Minha viola bonita” ganham maior cadência rítmica durante uma leitura sincopada, mas também são mais conservadores. A melodia que se extrai da leitura de “Solidão” é mais difícil de perceber, dada a forma livre que os versos são escrito. Sua musicalidade deriva, entretanto, justamente da liberdade com que as palavras são arranjadas nos versos. Neste sentido, este poema se enquadra muito melhor no ideal dos poetas modernistas que tanto Mário de Andrade como Oswald de Andrade foram expoentes. É notório que Oswald levou às últimas consequências e explorou muito mais o experimentalismo radical dos primeiros anos da poesia modernista brasileira. Porém, é bem verdade que a simplicidade formal de “Minha viola bonita”, livre da retórica rebuscada da poesia tradicional (no caso, o parnasianismo e o simbolismo), também lhe confere um grau de experimentalismo, próprio da obra pioneira de Mário de Andrade, e de radicalidade que caracterizam todo o movimento artístico de 22. Esta ruptura formal e corajosa, do movimento modernista, com o aspecto um tanto pernóstico expresso pela oratória e a retórica da cultura dos bacharéis e dos ilustrados, de um Brasil ainda marcado pelo domínio em todos os setores das oligarquias rural, patriarcal, de herança colonialista e aristocraticamente europeia, é num certo sentido reflexo da modernização por que passa o país nas primeiras décadas do século XX. Esse processo tem como cenário a cidade de São Paulo, que, já em fins do século XIX, inicia um período de rápida industrialização. A abolição da escravatura e, por conseguinte, a chegada de grandes levas de imigrantes para trabalhar, primeiramente, na lavoura cafeeira e, depois, na indústria, ainda incipiente e sem o impulso estatal dos anos 30, alavancam exponencialmente a urbanização de São Paulo, operando assim transformações fundamentais no seio da sociedade do antigo status quo, tanto no nível das relações de trabalho como no simbólico e da linguagem. É a cidade caótica, das multidões anônimas, do imigrante, que surge, num ritmo alucinante e desvairado, e que seria palco da Semana de Arte Moderna de 22. Na efervescência dessas mudanças estruturais, de uma economia rural que se urbaniza pela industrialização, evidentemente o campo da cultura não ficaria incólume. Assim, os poemas “Minha viola bonita” e “Solidão” situam-se na cidade de São Paulo, epicentro dessas transformações e da revolução da arte modernista. “Esta cidade que não reflete o rosto de seus habitantes é – disse Oswald – a ‘cidade de Mário de Andrade’. Sua duvidosa poesia é áspera, tortuosa, fragmentada; difícil mesmo de encontrá-la, exprimi-la ou entendê-la” (LAFETÁ, p.18). Reflexo dessa ebulição, o conteúdo significativo dos poemas “Minha viola bonita” e “Solidão” também apresentam uma perturbação correspondente ao contexto em questão. A cidade de São Paulo é a cidade do “velho inglês” solitário, dos amores fugazes, das lembranças, das utopias – nas Arábias ou em Granada, da chuva que não cessa, da borrasca, da “raiva, anseios, lutas, vida”, miséria e da solidão na multidão de seus transeuntes desconhecidos. Nos dois poemas é a vida no cotidiano (manhã, noite e dia ou infância, juventude e maturidade) de uma metrópole que está em formação e que é o alvo que se pretende acertar, no qual, conforme o caráter específico da sociedade brasileira, o arcaico, com suas relações pessoais e clientelísticas, ainda convive “harmonicamente” (as aspas aqui tem evidentemente um sentido de ironia) com o moderno. Mas no mundo moderno, onde tudo é transitório e incerto, o resultado, tanto num poema analisado como no outro, parece redundar sempre em solidão. Porém, no poema “Minha viola bonita” há uma descendência das esferas de um mundo imaginário, de fantasia, que encontra respaldo na infância e na juventude, até a constatação sombria e devastadora das desilusões da vida e que coincidem com a guerra, representadas aqui na fuga do amor durante a tempestade e na trágica destruição da viola. Talvez, o otimismo ingênuo e provinciano dos primeiros anos da modernização se mostra, para uma fase madura, desencantado e aterrador. A nova sociedade – ou civilização – não erradicou a guerra e os males do mundo. Este pessimismo como resultado, não é percebido no poema “Solidão”, pois este parece, do começo ao fim, já permeado pelos sinais do desencanto com o mundo espantosamente urbano, mesmo tendo sido escrito antes das atrocidades nazistas. Talvez, Oswald não se deixou seduzir tão facilmente pelas promessas da modernidade. Em “Solidão”, não há esperanças, ilusões ou utopias, a cidade já está maculada, suja talvez, e a chuva é conclamada como componente essencial deste mundo sombrio e, ao mesmo tempo, agente purificador. Sem dúvida, o ambiente é de uma beleza (a magnólia) desesperadora, permeável, e é cinzento, sem sol, e tremendamente desolador ou solitário. Mas não é uma tempestade (borrasca) que chega assustadoramente, com rajadas de ventos, raios e trovões, destruindo tudo como uma artilharia de guerra, mas uma garoa intermitente, que se arrasta repetidamente, descrita nos versos que parecem nunca acabar: “Chove chuva choverando”. A chuva não para do começo ao fim do poema. Neste sentido, talvez, Oswald sentia muito mais desconfiança do progresso do que Mário. Talvez, foi preciso o holocausto e a bomba atômica para que o poema “Minha viola bonita” descobrir os males trazidos pelo mundo moderno e o fim da harmonia do mundo rural. A viola é o símbolo do antigo, do regional, do sertanejo, lócus da harmonia perdida, para sempre partida, como uma taça de cristal quebrada. Neste caso, a poesia modernista também aparece cindida fundamentalmente também no caminhar triste e solitário, sob a chuva, do poema “Solidão” pela cidade de São Paulo, ao passar pelo Jardim da Luz, a Praça da República, pelas platibandas, ou o jardim distante de meu bem, e que encontra eco na solidão tenebrosa da viola ferida de morte, no amor que foge. Para encerrar a análise comparativa, não seria forçado parafrasear os poetas e dizer com eles que “Minha viola bonita” e “Solidão” passaram-se em São Paulo.


Bibliografia

AMADO, J., “Seara Vermelha”, São Paulo: Record, 1982.

ANDRADE, M., “Lira paulistana”, in: Poesias completas, Belo Horizonte: Itatiaia-São Paulo: Edusp, 1987.

ANDRADE, O., “Pau Brasil”, Rio de Janeiro, Globo, 2003.

ANDRADE, O., “Primeiro caderno do aluno de poesia de Oswald de Andrade”, Rio de Janeiro, Globo, 2006.

LAFETÁ, J. L., “Figuração da intimidade: imagens na poesia de Mário de Andrade”, São Paulo, Martins Fontes, pp. 1-34.

SANTOS, P. S. M., “Musico, doce músico”, Belo Horizonte, Ed. UFMG, 2003.

SCHWARZ, R., “Que horas são?”, São Paulo: Cia das Letras, 1987, pp. 11-28.

SCHWARZ, R., “Ao vencedor as batatas”, São Paulo: Editora 34, 2000.



[1] No livro Seara vermelha de Jorge Amado, este verso aparece como “Chove, chuva chuverando, lava a rua de meu bem” e é cantado por crianças que brincam de roda.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A decisão do Santo

Autor: Castelo Hanssen

Eram os anos 70 do Século XX na pequena e até então pacata cidade de São Sebastião do Morro. Aproximava-se o tempo da eleição municipal, e pela primeira vez na História ela seria disputada. Disputadíssima. Aliás. Já ocorriam brigas feias nas feiras e botecos entre eleitores e cabos eleitorais de Sebastião Mangano e Sebastião Silvestre. A família Mangano possúía um alambique no bairro Cascavel, produtor da caninha Cascavel, considerada entre os entendidos como uma das melhores da região. Sua maior concorrente era justamente a caninha Silvestre, do bairro do Jacu. Agora, quando os dois Sebastiões decidiram entrar na política, a briga das cachaças se transformava em briga eleitoral.

As eleições anteriores tinham sido quase simulacros. Havia sempre dois candidatos, da Arena 1 e da Arena 2, mas muitas vezes os dois eram compadres ou primos. A disputa era decidida na mesa de negociação presidida pelo poderoso Cipriano Canela. Mas os dois Sebastiões, além da briga etílica das famílias, já tinham uma quizilia antiga. Ambos tinham a mesma idade e frequentaram a mesma escola, o Colégio Brasil, o único estabelecimento particular da cidade, onde estudavam os filhos das famílias mais abastadas. Disputavam o primeiro lugar na classe, depois passaram a disputar as namoradas. Ambos eram bons nos esportes, mas o técnico do time do colégio não podia escalá-los no mesmo time, pois machucavam-se mutuamente, para alegria do adversário.

Silvestre só se candidatou porque Mangano se candidatou primeiro. Mangano foi para Arena 1, Silvestre para a 2. Muito ricos, cada um arrebanhou o maior número de cabos eleitorais, e a disputa ficou brava.

O povinho, sempre apático em política, passou a se interessar, e a coisa pegou fogo. O pobre Canela inutilmente gastou seu latim e seu dinheiro para acomodar os dois  no mesmo ninho, debaixo da  galinha-mãe, o governo.

Entre os dois adversários, havia algo em comum: ambos eram fervorosos devotos de São Sebastião, padroeiro da cidade. Ambos rezavam todos os dias pedindo a proteção do santo, e na medida em que se aproximava o dia da convenção partidária, mais aumentavam as esmolas à igreja. O bom padre Olegário, que no princípio tentara conciliar os dois, em nome do padroeiro, descobriu que quanto maior era a briga maiores eram as esmolas, e desistiu. Durante as missas, quando anunciava as doações, havia verdadeira torcida entre os partidários de um e de outro. O vigário chegou a pensar em dividir a igreja em duas alas, uma para cada candidato. O pobre santo, coitado, não sabia a quem atender.

Alguns políticos menos importantes da cidade, não satisfeitos com Cipriano Canela, viram nessa briga uma oportunidade de virar a mesa, depois de tantos anos, e fundaram uma regional do MDB. São Sebastião do Morro não era uma cidade importante no contexto nacional e estadual, mas o vice-governador tinha interesses particulares na região, e mexeu os pauzinhos para que o governador interviesse. A pretexto de inaugurar uma obra qualquer, representando o governador, o vice foi à cidade, e convidou os dois brigões ao gabinete do prefeito, onde fez um discurso conciliador, em nome do país, do estado e do partido. Os dois ouviram e nada responderam. O vice-governador entendeu o silêncio como consentimento, e na hora da inauguração fez questão que participassem do palanque oficial e usassem da palavra. O primeiro a falar foi Mangano, que não conseguiu evitar algumas palavras que Silvestre entendeu como ofensivas, e retrucou asperamente. Daí para o bate-boca foi um passo, e do bate-boca para a troca de porradas foi outro. A galera se entusiasmou, e o quebra-quebra foi geral. O palanque foi quase destruído, o prefeito correu e sobrou pancada para o vice-governador, que sofreu algumas fraturas.

A pequena e modesta São Sebastião do Morro virou manchete nacional. Os governistas atribuíram o fato a corruptos e subversivos interessados em roubar a tranquilidade até nas pequenas cidades da nossa hinterlândia. Os oposicionistas deram ao incidente caráter maior do que ele merecia, festejando o fiasco do partido governista. O governador, pressionado pelos governistas e pelos oposicionistas, resolveu tomar medidas severas. Com o aval do presidente do partido, intimou os briguentos a comparecer ao Palácio do Governo para dar satisfação aos correligionários e à opinião pública.

Em visita nada cerimoniosa, o próprio secretário de Segurança chegou à cidade, em carro oficial, numa manhã nebulosa. Mangano e Silvestre, de cara fechada, sem abrir a boca, nem responderam ao cumprimento seco, mas aparentando cortesia, do secretário e embarcaram na porta traseira da viatura, e sentaram, evitando se tocar com as pernas. O secretário sentou-se no banco dianteiro, e a viatura partiu para uma viagem nada agradável.

Quase na saída da cidade, na serra do Mataburro, existe o morro de São Sebastião, onde há uma enorme estátua do padroeiro. Justamente nesse lugar uma carreta que vinha descendo em sentido contrário perdeu o freio e colidiu violentamente contra o carro oficial. O veículo rolou pela ribanceira, incendiando. Sebastião Mangano e Sebastião Silvestre morreram carbonizados, encerrando a velha rivalidade. O motorista e o secretário, milagrosamente, escaparam ilesos. São Sebastião não permitiria que duas pessoas estranhas ao caso sofressem por sua difícil decisão.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Jesus e Prometeu

Autor: Castelo Hanssen

CENÁRIO: No palco vazio, apenas duas pedras. Jesus está sentado sobre uma delas, aparentando grande tristeza. Entra Prometeu.

PROMETEU - Porque estás tão triste, pobre homem. Precisas de ajuda?

JESUS – Não, bom homem. Ninguém no mundo pode me ajudar. Tudo que ensinei à Humanidade foi esquecido, meu sofrimento e minha morte são chorados, mas meus exemplos a maioria das pessoas não seguem.

PROMETEU (sentando-se na outra pedra) – Ah, tu te sacrificaste em favor da Humanidade e foste cruelmente castigado por isso? Posso compreendê-lo, eu também passei por isso. A crueldade, a prepotência dos deuses só é comparável com seu poder

JESUS - Não, homem, estás equivocado. Não existem deuses. Há apenas um Deus, e Ele é sumamente bom e justo.

PROMETEU – Então não foram os deuses que te sacrificaram?

JESUS – Foram os homens. Eu quis ensiná-los a amarem-se uns aos outros e a adorar e obedecer a Deus. Os poderosos, temendo que eu solapasse seus poderes, condenaram-me à crucificação.

PROMETEU - E teu deus não defendeu-te? Não pediste a ele que aniquilasse os poderosos e seus carrascos. Ele não poderia fazê-lo?

JESUS – Fui crucificado na sexta-feira, ressuscitei no sábado e no domingo subi ao céu. Minha missão era morrer pela Humanidade. Foi Deus, meu Pai, quem ordenou.

PROMETEU - E tu ainda dizes que ele é sumamente bom e justo?

JESUS – o amor que ele tem pelos homens é tão grande que sacrificou seu filho umigênito para salvá-los.

PROMETEU – Salvá-lo de quem? Quem, ou o que os ameaçava?

JESUS - Do pecado. Os homens não conheciam o Deus verdadeiro, estavam presos a falsos deuses e superstições, e por isso estavam fadados ao fogo eterno. Eu fui à Terra para ensinar-lhes as boas novas. Era preciso que eu fosse sacrificado para que eles entendessem. Infelizmente, hoje, com a dissolução dos costumes, parece que os homens esqueceram novamente.

PROMETEU - Não entendo. Os homens não conheciam o teu deus, e tu foste à Terra para falar dele. Mas, se eles ainda não tinham notícia dele seriam condenados ao fogo eterno por isso?

JESUS  - Certamente.

PROMETEU – Por isso é que digo que os deuses são vaidosos e cruéis. O teu não era melhor, pois castigava tão duramente os homens simplesmente por não o conhecerem.

JESUS  - (irado) És um ímpio, um demônio, um... (acalmando-se) Infelizmente, homem, sois de outra era, não tens culpa de não conhecer a verdade, meu Pai te perdoa. Mas, diga-me quem és tu?

PROMETEU – Sou um titã, e meu nome é Prometeu. Sou filho de Urano e Gaia, irmão de Atlas, Epimeteu e Menoecio.  e tu, quem és? Esquecemos de nos apresentar.

JESUS – Meu nome é Jesus, e sou de Nazaré. Minha mãe era uma camponesa chamada Maria, e sempre foi virgem, já que foi concebida por Deus. Vivia com um carpinteiro chamado José.

PROMETEU  (irônico) - Esses deuses!

JESUS - Mas diga-me o que fizeste e por que foste castigado.

PROMETEU – Zeus, o chefe dos deuses, encarregou a mim e ao meu irmão Epimeteu de fazer todos os animais que habitam a Terra. Como tu sabes, o homem não passa de um animal, apesar de toda a sua vaidade.

JESUS  - O homem foi criado por meu Pai, à sua imagem e semelhança.

PROMETEU (fingindo não ter ouvido) – Meu irmão, com muita vontade, pôs-se a trabalhar, e eu fiquei observando. Ele deu aos animais todos os predicados. Ao leão e ao tigre deu a coragem, ao elefante a força, aos coelhos a ligeireza, aos esquilos a agilidade, ao rinoceronte a carapaça, à raposa a astúcia. Ao homem não sobrou nada, ele era o mais indefeso dos animais. Para compensá-lo roubei o fogo, que pertencia apenas aos deuses, e lhes ensinei os segredos. Por isso ele se tornou tão poderoso.

JESUS - E o teu deus te condenou?

PROMETEU – Syzon, deus da união, denunciou-me, e Zeus mandou Efesto me acorrentar ao monte Cáucaso durante trinta mil anos, sendo atacado diariamente por uma águia que me devorava o fígado. Durante a noite ele crescia novamente, e o suplício não tinha fim.

JESUS  - Trinta mil anos?

PROMETEU - Héracles, que havia terminado os doze trabalhos a que fora incumbido, com resultados, libertou-me, deixando em meu lugar um centauro. Zeus permitiu, pela coragem de Héracles, e por que eu sabia certos segredos do Olimpo. Havia um complô contra Zeus.

JESUS  - Estás mentindo. Quem criou a terra, o sol, os planetas, os rios e os mares, e todos os animais foi meu Pai. No sétimo dia criou Adão, de barro, e deu-lhe o sopro de vida, tornando-o o primeiro homem. De suas costelas fez a mulher, à qual deu o nome de Eva.

PROMETEU  - Tu é que estás mentindo. Quem deu a genitália aos homens fui eu. Aos machos dei a iniciativa, a coragem, a força e às fêmeas dei a douçura,a astúcia, a curiosidade, para se completarem. Por sinal, abusei um pouco do vinho, me confundi, e existem homens afeminados e mulheres masculinizadas.

JESUS (levantando-se, andando de um lado para outro, transtornado pela ira) – Estás blasfemando, filho de satanás. És pior do que ele, que usou a malícia para enganar Adão e Eva. Tu mentes, falas sandices, com o ar mais simples do mundo. Sai da minha frente, cão imundo.

PROMETEU – Calma, meu bom Jesus. Não te exasperes. Conta a tua história, como eu conto a minha. Sei que és portador de uma inteligência superior, e um poder maior do que o meu. Te acalmas, por favor.

JESUS (voltando a sentar-se, tentando acalmar-se) – É que tu falas coisas tão sem sentido.

PROMETEU – Sou um simples titã, nem homem nem semideus. Mas tenho coisas para contar. Uma vez enganei Zeus. (rindo)Foi divertido.

JESUS (retomando o bom humor) – Mais uma de tuas histórias. Podes contar.

PROMETEU – Zeus convidou os deuses, semideuses e titãs, para tratar como se faria com as criaturas mortais. Eu, como protetor dos homens compareci, e deveria fazer uma oferenda a ele. Fiz duas, para que ele escolhesse uma. A primeira era carne de primeira qualidade, envolvida em um nojento estômago de boi. A segunda eram ossos, Envolvidos em gordura lustrosa. Ele, iludido pela aparência, escolheu os ossos. Por isso os homens não precisariam oferecer o melhor aos deuses, podiam oferecer apenas os ossos.

JESUS – Es um trapaceiro! E não querias que esse Zeus de que falas te castigasse?

PROMETEU – Pois não foi dessa vez que ele me castigou. Castigados foram os homens, que a partir de então precisaram trabalhar para se sustentar. Até então Zeus lhes garantia peixes, caça e frutos em abundância, sem nenhum esforço. Ele tem essas coisas, é imprevisível.

JESUS – Eu falava de Adão e Eva, o primeiro casal. Eles desobedeceram as ordens de Deus e sofreram o mesmo castigo. Foram expulsos do Paraíso, e obrigados a ganhar o pão com o suor do rosto.

PROMETEU – Conte-me essa história, por favor. Prometo não interromper nem provocar-te.

JESUS - O mundo inteiro era um só paraíso, e tudo lhes pertencia. Havia frutos em abundância, bastava erguer os braços para apanha-los. Não comiam carne por que a morte não existia. Deus só os proibiu de comer uma certa fruta, que dizem ser a maçã. O diabo, transformado em serpente seduziu Eva, ela seduziu Adão, e eles desobedeceram. Comerão a tal fruta.

PROMETEU – Como Deus descobriu? Será que a serpente, , depois de seduzí-los foi delatar?

JESUS  - Nada acontece no Universo sem que Deus saiba. Além disso eles mudaram totalmente o comportamento. Andavam nus e um nem notava o corpo do outro. A partir da desobediência perderam a inocência, passaram a ter vergonha de sua nudez, tentaram cobrí-la com folhas de parreira.

PROMETEU – Eles já possuíam os órgãos genitais?

JESUS  - Claro. Tinham o corpo perfeito. O corpo humano é a maior perfeição da natureza embora a malícia o perverta., Queres falar alguma coisa?

PROMETEU – Tenho outra história parecida. Para castigar ainda mais a minha aventura de ensinar os homens a fazer fogo, Zeus presenteou meu irmão com uma mulher, Pandora. Conhecendo as malícias dele, preveni Epimeteu, mas a mulher era muito bela, ele não ouviu meus conselhos, e casou-se com ela.

JESUS – E o que ela fez de maldade?

PRONMETEU – Não foi propriamente uma maldade. Tudo que ele tirou dos animais, o ódio, a vingança, o egoísmo, o medo, guardava em uma caixa, bem fechada. Pandora, muito curiosa, como todas as mulheres, abriu essa caixa, e todos esses males se espalharam pelo mundo. Comparando o caso de Eva com o de Pandora, a que conclusão tu chegas?

JESUS – Que a mulher é a perdição do homem?

PROMETEU – Não. É que a mulher é o complemento do homem. A curiosidade, a experimentação. A desobediência ao estabelecido são as alavancas que fazem a Humanidade evoluir, aprender coisas novas.

JESUS – Não concordo. A obediência é a maior das virtudes.

PROMETEU – Bem, não discutamos. Mas quem é o diabo?

JESUS – É a encarnação do mal. É o próprio mal. Tudo que Deus fez ele quer destruir. É astuto, e faz o possível para afastar os homens, e principalmente as mulheres do convívio com Deus.

PROMETEU – Tu não disseste que deus, teu pai, é o único? Esse diabo não seria outro deus, o da oposição, o deus do mal?

JESUS  - Não, por que ele também é criatura do meu Pai. Deus tem uma legião de anjos para adorá-lo e enviar mensagens aos homens. O diabo, cujo nome é Lúcifer foi um desses anjos, o preferido de Deus.  Quis ser maior do que Ele, rebelou-se contra o seu poder e foi expulso do Paraíso. Estabeleceu-se no Inferno, e vive eternamente lutando contra o Bem.

PROMETEU – Posso fazer Uma pergunta? Não quero que te enfureças, só quero entender.

JESUS - Podes perguntar.

PROMETEU – Nesse caso teu deus enganou-se com seu anjo favorito. Ele não é infalível?

JESUS  (após pensar um pouco) – Os desígnios de Deus só a Ele pertencem. Não há como explicar.

PROMETEU – Mas se não podes ou não queres explicar, como podes ensinar aos homens o teu deus? Como queres que eles entendam?

JESUS – o homem não precisa entender. Basta crer. Faz-se um silêncio de alguns segundos. Prometeu coça a cabeça e se agita.

PROMETEU – Acho que agora entendi teu deus. Ele é muito mais arguto, mais político, do que Zeus e todos os deuses do Olimpo.

JESUS  - O que dizes?

PROMETEU – Não havia motivo nenhum para o homem desconhecer o segredo da procriação, que todo animal conhece. Mas se não houvesse alguma proibição não haveria desobediência. Sem a desobediência não haveria castigo, o Paraíso seria eterno. Nada aconteceria, e o próprio deus ficaria anulado, por nada ter a fazer.

JESUS – Que absurdo estás a dizer! Se fosses um imortal já estarias condenado.

PROMETEU  - Não disseste que o diabo foi criado por deus, era seu anjo preferido? E que deus não falha?

JESUS - Disse também que os desígnios de Deus são inatingíveis para os mortais.

PROMETEU – Mas eu não sou um mortal, e já descobri esse destino.

JESUS  (tapando os ouvidos) - Não fale mais nada, pelo amor de meu Pai. Que ele tenha piedade de ti.

PROMETEU  (calmo) – Raciocine comigo. Que necessidade havia de Adão e Eva permanecerem sempre inocentes? Se eles tinham seus órgãos genitais, como todos os animais mamíferos, por que deveriam ignorá-lo?

JESUS  - Tu tens uma explicação, oh insensato?

PROMETEU  - É claro como a água. Se nada acontecesse, se eles não o desobedecessem, tudo permaneceria eternamente imutável. Eles não procriariam, e seriam os únicos seres humanos na face da Terra. A não ser que deus quisesse fazer mais bonecos de barro.

JESUS  - Estás cometendo uma heresia.

PROMETEU – não haveria humanidade. A adoração apenas do casal se tornaria monótona.

JESUS  - Tua lógica é perversa, filho de Satanás!

PROMETEU – Mas é lógica. Para que houvesse a desobediência era preciso que alguém a provocasse. E o teu deus, sabidamente, não pensou duas vezes para escolher um dos seus anjos favoritos e transformá-lo em inimigo. Para fazer o jogo sujo, indispensável para o cumprimento dos seus desígnios.

JESUS (mal contendo a indignação) – És a própria encarnação do diabo!

PROMETEU – Talvez tenhas razão. Sou astuto e gosto de provocar. Mas não sou tão mau assim. Pelo menos não tenho más intenções.

JESUS  - Ouve, espertalhão. A missão que meu Pai me confiou foi de amor e paz. Falei de fraternidade, exortei os homens a amarem-se uns aos outros, e dei-lhes a esperança de vida eterna para os que a cumprissem. Hoje a maioria dos que se dizem meus seguidores limitam-se a louvar a Deus para obterem proteção pessoal. Pedem saúde e prosperidade nesta vida e o céu na outra, mas esquecem das lições de amor e fraternidade. Não foi essa a lição que Deus enviou por mim.

PROMETEU  - Meu bom amigo Jesus, entenda-me, como eu te entendo. Fizeste a tua parte, mas estavas muito evoluído para a tua época. Ainda hoje a maioria dos homens, mesmo os que repetem a tua palavra, não tem condição de entender as vozes da razão e do coração. Entendem apenas as vozes de comando. Ainda precisam ser domados.


Duty Free - Silvia Schmidt

Sinopse

Trata-se de uma narrativa envolvente e atual, voltada para mostrar as mudanças de paradigma de um mundo construído pelo racionalismo cartesiano cujos valores como tempo cronológico e materialismo científico estariam sendo substituídos por  espiritualidade, intuição e busca do amor verdadeiro... É nesse clima de Nova Era,  em plena passagem do ano de 1999 para 2000 que Sofia Melo, a personagem principal, em uma Ilha  do Sul do Brasil, encontra-se  em mudança de carreira. Envolve-se profundamente com Mr. Richard, um britânico, que a convite de Neusa,  amigos em comum, busca  em férias forçadas no Brasil , consolo para perdas afetivas muito  próximas: pai,  mãe , um irmão mais velho.


Ao se apaixonarem ,Sofia está se desvencilhando de complicado momento profissional e de relacionamento com ex companheiro, enquanto procura dar start ao seu primeiro roteiro  de cinema , intitulado Um Caso de Amor...

Neste, surgem parágrafos de uma autobiografia, cujo narrador inominado, está na prisão, defendendo-se postumamente da acusação de ser o assassino de sua mulher...possivelmente ela própria  a roteirista.

Por fim, Duty Free( 2000)  é um romance de encontros e possibilidades, gerados por seres em transcendência em plena virada do século XXI .

Romance bilingue da série +Amor escritor por SILVIA SCHMIDT
Capa do designer GHustavo Távora.
Revisão Andrea Raush e Eduardo Carrasconova.
​Formato EPUB. Simbol@Digital( 2014)


 PREÇO : 25.00

A autora é nascida em São Paulo, porem morou no Nordeste e Sul do Brasil, saiu de Florianópolis em 2000 para voos mais ousados indo para a Inglaterra e  EUA, com o objetivo de melhorar o idioma inglês , vivendo fantásticas experiências.

Estudou Letras em Lorena, Comunicação e Semiótica na PUC/SP , Sociologia e Política/ USP, e Ontopsicologia em SC.

Por 16 anos ministrou aulas de Literatura Brasileira no Colégio Objetivo de SP, 6 anos e 10 em pré vestibular em Florianópolis onde foi co-participe e desenvolveu vários projetos na área da Arte- Educação, entre eles o Projeto ESCOLA VOCACIONAL LIVRE.

Com mais maturidade e intensa criatividade ,hoje, busca na carreira de escritora e editora, o mesmo resultado obtido em sala de aula, e seu foco principal é trabalhar numa linguagem multimidiática e contemporânea(concretismo)  uma psicologia revolucionária(ontológica) . Busca na realidade vivida( auto ficção) e nas trocas culturas  o público jovem e feminino  em transcendência.

OBRAS:

Duty Free : romance (  2000) -EPUB.
Start :poesias concretas (2000) 
Papo Intimo:  diálogos( 2009)
Empadão Goiano: romance ( 2011)
Cobalto: poesias selecionadas( 2012)
InCONTrOS: contos ( 2012)* premio FLIPORTO 2013
UNO ; romance em progresso ( 2013)