sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

"Eu versos eu" - (Parte 19) - Antologia

 Antologia poética

111.

Quanto mais amei em versos

Menos amei em vida

Quanto maior o amor em vida

Menos escrevi versos

 

112.

Perdi minha namorada

Em compensação

Achei um guarda-chuva

 

113.

Jean, você está ainda acordado

E ainda não parou de sonhar

Jean, pare de sonhar enquanto é tempo

A vida está passando

Quando acordar, será tarde

 

114.

É difícil admitir

Do alto dos meus trinta anos

Mas nunca amei ninguém

 

115.

O que aconteceu

Por onde estive

Todo esse tempo

 

116.

Que memória tem o coração

Da mesma maneira que conhece

Tão logo, por nada, esquece

 

117.

Por ser eu a cobaia

Das experiências da minha vida

Constato, empiricamente

Que os mosquitos são

Os maiores companheiros

Das noites de insônia

 

118.

Queria poder sufocar

Dominar meus sentimentos

Há quem é racional

Frio e insensível

Mas eu

Sou só sentimento

Bati o pé, e disse resolvido

Não vou mais me apaixonar

Pois não queria sofrer de novo

Não vou mais me apaixonar

Dizia imperativamente

Gato escaldado...

Não vou me apaixonar

Todavia

Já se manifestam

Os sintomas do amor

Espinhas, ansiedade

Incerteza, insônia

Eu me apaixonei

E lá vou eu

Arrastado por essa correnteza

Incontrolável

E eu, que piada

Batia no peito e sentenciava

Não vou me apaixonar

 

119.

Meus vinte anos

Uma década, um nada

Eu ainda os sinto

Cada dia, cada hora

Como se fosse agora

 

120.

Como meus amigos

Me descreveriam

Daqui dez anos

Pueril, apaixonado

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

"Eu versos eu" - (Parte 18) - Antologia

 Antologia poética

101.

Apesar de não haver mais ninguém aqui

Eu vou tentar sorrir

 

102.

Ela me amava

Mas me deixou

O que me faz chorar

Nem tanto é a solidão

Mas saber

Como as pessoas jogam

Suas vidas fora

 

103.

Não! Não! Não é nada disso

Descobri mais uma lei do amor

Lei que é, sem dúvida, insofismável

Quando duas pessoas se amam de verdade

Não há desencontro, nunca

Parece, ao contrário, que o universo

Conspira a favor do amor

Disso resulta que

Se o acaso separou dois amantes

Logo, não existe amor

 

104.

Que saudade

Eu perdi você

E agora vem

Suas lembranças

Eu parti pra outra

Tentando esquecer

Mas tudo virou fumaça

Tudo acabou sem

A menor formalidade

Sem qualquer cortesia

E eu ainda sinto dor do amor

Sei que ainda

Não acabou

Refugio-me

Nas lembranças

Do nosso passado

 

105.

Dois anos, o que são dois anos

Milhões e milhões de horas

Bilhões e bilhões de minutos

Incontáveis segundos

O que são dois anos

No mínimo a eternidade

E, no entanto, como passa rápido a vida

Vinte, trinta, quarenta anos...

Um nada

Dois anos sem você

Uma eternidade

Dois anos sem ter notícias

Sem saber onde e como

Você está, meu grande amor

Tenho muitas perguntas

E nenhuma resposta

 

106.

Será mesmo que não há desencontro

Ou será que o acaso pode separar um grande amor

Eu, particularmente, desconfio de toda lei

Como todos sabem, sou anarquista

Mas sou incapaz de entender o que é o amor

 

107.

Ora, não foi o acaso

Que separou

O maior amor de todos os tempos

Romeu e Julieta

 

108.

Ah, dor! Dor de amor

Dor que sei tão bem

Em meu coração

Não há teorias

Mas feridas abertas

E cicatrizes

 

109.

O amor só existe na sua não existência

Morro de amor, morro por nada

Encontro um grande amor quando perco

O amor é uma contradição insolúvel

 

Somente na não existência do amor

É possível amar

Por isso, sou tão triste

 

110.

Camões era dialético

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

"Eu versos eu" - (Parte 17) - Antologia

 Antologia poética

91.

Pensei que amava você

Mas você não era mesmo você

A biologia me pregou uma peça

Química ardilosa ilusionista

O amor, quintessência da reprodução

Quando dei por mim

Era escravo

De um instinto cego

Prisioneiro de uma armadilha

Sublime

Enquanto o amor esgueirava

Como um sonho

Pela minha alma

Esperança vazia

Mas quem explica minha dor

Que arrebata minha vida

E aniquila cada átomo de realidade

Quem explica este estado de coisas

Sonho dentro de sonho

Caos na lógica

Nada

Só o amor

Porque tudo é falso

Tudo é mentira

Sem amor

 

92.

Procurei uns versinhos

Mas, perdidos, não achei

Caíram num abismo

De lembrança

Procuro meu amor

Mas, desaparecido, não achei

Caiu num abismo

De lembrança

 

Sinto-me só

Tenho tido pesadelos

 

93.

Devo escrever qualquer coisa

Porque preciso escrever

Qualquer coisa verdadeira

Primeiro, o amor não existe

Segundo, se existisse, seria eterno

Terceiro, se alguém, por ventura

Dissesse sinceramente eu amo você

Tal decreto seria imprescritível e irrevogável

E a sentença: pena capital, prisão perpétua, tortura, confinamento

Enfim, quarto e último, decorre de todas as premissas

O fato de que quase sempre o amor não é correspondido

 

94.

Eu amei tanto

Que odiei

Cometi um equivoco

Dentre incontáveis

Fui egoísta

Deixei que minha mesquinhez

Magoasse quem eu mais amava

Fui extremamente injusto

Feri, machuquei, feri

Quis destruir

Com meu amor

Enlouquecido, esmurrei a porta

Quebrei a janela

Virei a mesa

Desmoronei-me

Desnorteado fugi

Entre uma multidão tumultuosa

O céu desabava

O fim do mundo

E de repente seu olhar mudo

Você ainda me amava

 

95.

É tão estranho dizer isto

Naquela noite de aflição

Não naquela

Mas numa outra que não lembro

Seu olhos me engoliam

Como um aspirador de pó

Se meu espírito não estivesse

Grudado na matéria

Onde eu estaria agora

 

96.

Ela está se casando

O padre diz por dizer

Se alguém, aqui presente

For contra esta união

Fale ou cale-se para sempre

Eu tenho tanta coisa a dizer

Mas me calo

Instantes depois

Braços dados com o marido

A noiva passa pela passarela

Sorrindo, sorrindo

Então, passa e sorri para mim

E, em seguida, desaparece pela porta da igreja

Os convidados seguem felizes

O padre desce do altar e vai embora

Só restou eu, sentado, magoado

Agora que estou só

Pergunto-me

Por que me calei

Por que me calei

Vou embora

 

97.

Dizem que meus olhos são tristes

Ninguém sabe por quê

Eu sei

É porque são o espelho da vida

 

98.

Ela foi embora

Como a deixei partir

Éramos três

Eu, ela e o desencontro

 

99.

Eu sei que estou perdido

Sei também que não tenho objetivo

Sei que sou triste

E não tenho a cabeça no lugar

Mas posso provar que sou bom

 

100.

Se um dia eu te magoei

Saiba que eu me magoei

Mil vezes mais

Peço perdão

Volta

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Subviventes - "Depende de onde olhar" - Resenha

Por Jean Fecaloma

Depende de onde olhar

Recentemente, recebi o disco Depende de onde olhar (2015), da banda Subviventes. Confesso que, por causa de meu relativo afastamento da cena punk, não conhecia a banda, formada nos já nostálgicos 1988. Nada que não possa ser corrigido. Mas antes de comentar o conteúdo do álbum, gostaria de fazer breves observações sobre o nome “subviventes”, que é, ao que tudo indica, já que não o encontrei no dicionário, um neologismo. Antes de mais nada, “subvivente” nos remete, por oposição, à “sobrevivente”, cujo significado pode ser escapar ou resistir às dificuldades, ao perigo etc. Ainda que a palavra possa estar permeada de conotação pejorativa, como, por exemplo, em “estou sobrevivendo” ou “os ricos vivem, os pobres sobrevivem”, ainda sobra um sentido positivo em “sobrevivência”, de “permanecer vivo”, graças ao prefixo sobre- (posição superior, mais do que etc.). Inversamente, em “subvivente”, não pode haver qualquer sentido favorável, porque significa literalmente “vida subtraída”, “vida inferiorizada”, “vida insuficiente”, “viver no subterrâneo ou subsolo” etc.; ou seja, o último estágio de uma escala hierárquica de valores relacionados à vida. Ora, essa breve digressão não é por acaso – como se verá mais abaixo –, pois parece refletir exatamente o que a banda Subviventes quer expressar, como podemos perceber logo na primeira música do álbum, Adeus. Esta canção bem poderia soar como um hino aos direitos dos animais ou a um tipo de socialismo que também incluísse os bichos, conclamando “A todos os animais!” contra a escravidão animal imposta brutalmente pela supremacia do ser racional: o Homem. O refrão não deixa dúvidas: “Igualdade, igualdade, sim! / Direitos aos animais, eu defendo sim / Igualdade sem nenhuma distinção / Exposição ao animal não há justificação”. O tema dos animais, tratados como objeto, ao bel-prazer dos seres humanos, e a crítica à razão (a ciência é associada à crueldade, por exemplo) também se repetem na segunda composição, Espiral racional, que traz à tona um perspectivismo relativista desconcertante que simboliza, intitula e ilustra o álbum. (Na capa, atrás das grades, os integrantes da banda, enclausurados em um cenário soturno, olhando para nós e, na contracapa, os integrantes na frente da grade, mas de costas para nós, olhando para uma paisagem montanhosa e colorida). Esta simetria contrastante, ou melhor, dissimetria perversa, é extremamente perturbadora quando se altera o referencial: “Se você não entende o que quero lhe dizer / Coloque o seu filho em uma jaula para ver / Vou fotografá-lo e até mesmo alimentá-lo / Será isso que eu quero estando do outro lado?”.

Depende de onde olhar

Na mesma linha, Súplica animal, na qual a sabedoria instintiva de um cachorro poderia dizer “Seja dez por cento do que sou” para seu humano “evoluído”, desconstruindo qualquer sentido elevado de humanidade e invertendo de ponta-cabeça a prepotência humana e sua pretensa superioridade racional, também nos recorda a frase atribuída a Alexandre Herculano e parafraseada depois por Raul Seixas: “Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais”. (Rauzito: “Quanto mais conheço a humanidade, mais eu amo meus cachorros”). Sim, tudo depende de onde olhar. Do ponto de vista ético, é um soco no estômago! O que imediatamente me faz pensar: racional para quê? Para fazer guerras, destruir o planeta, explorar o “homem pelo homem”? (A mulher sequer é nomeada nas definições gerais da gramática patriarcalista, sendo representada sempre pelo gênero masculino, tamanha é a subvivência degradante a que foram submetidas na hierarquia social que forjou a linguagem formal). Essa é a tônica do álbum, que nos incita a olhar não apenas pelos olhos dos animais, mas de todos os que são “desumanizados” e, por isso, destituídos de direitos, do direito à vida – que são muitos, por sinal, a maioria subjugada por uma minoria que se autoproclama “elite”. A faixa seis recebe o sugestivo nome de O levante, que é simplesmente levantar, mas também insurreição, revolta, rebelião, motim. “Levante povo oprimido”, introduz a letra, povo esse que se rasteja, submisso, sujeitado, reduzido a mero objeto, enquanto instrumento de trabalho, explorado pelos poderosos donos do capital. “Levante povo oprimido / Vamos todos à batalha” e, abusando acertadamente de uma fórmula irresistível, ao somar uma letra revolucionária a um refrão cativante, desses que não conseguimos parar de ouvir, somos levados a erguer o punho cerrado e cantar: “Vamos todos viver em paz / Nesta paz que a guerra trouxe / Onde todos são iguais”. Já Futebol moderno é sensacional e talvez seja o destaque do álbum. Resgata de algum modo o adágio de um velho socialismo esquecido, isto é, “o futebol é o ópio do povo”, ultrapassado na dita “pós-modernidade”, na qual, tragadas por um turbilhão de valores nebulosos, esquerda e direita se confundem e se anulam; aquela a defender princípios reacionários, esta a atacar por meios tortos o sistema! De fato, nos últimos anos foram feitas tantas concessões em nome de uma falsa democracia, por parte de um liberalismo de esquerda, que um esporte vinculado a uma empresa capitalista bilionária como a do futebol, com seus cartolas corruptos e jogadores reacionários ostentando riqueza em meio à decadência de milhares de torcedores miseráveis, deixou a muito de ser objeto de crítica para se tornar fetiche de “esquerdistas” de plantão. Felizmente, os Subviventes vêm nos socorrer e recolocar as coisas no seu devido lugar. A letra é fantástica e merecia ser transcrita integralmente, mas é meu dever de ofício selecionar algumas passagens. Para começar, o sentido de alienação do futebol é escancarado: “Conto com todos vocês nessa enganação / Eu quero ter dinheiro pra comprar o meu ‘carrão’ / Vocês querem ver o seu time sempre campeão / Enquanto eu vivo aqui no luxo / Vocês com a miséria na mão”. Em um dado momento da música, surge uma voz de locutor de futebol que narra uma inconveniente partida que obviamente não passa na TV: “Apita o arbitro! Começa o jogo. População recuada, governo no ataque. (...) a bola não chega na saúde pública. O povo não aguenta mais! É muita corrupção, minha gente. E o tempo passa, nação brasileira. Começa o contra-ataque perigosamente, pizza na cara do povo, bateu, é fogo e é gol! GOOOOOOOL”. Para sentenciar com: “Sustente outro imbecil como herói nacional / Assim fica em segundo plano / O que acontece no Planalto Central”. É verdade que uma onda conservadora varreu a sociedade de uns tempos para cá, mas o punk está aí para botar o dedo na ferida. E é isso o que fazem os Subviventes. Todavia, questiona-se, a crítica à razão iluminista que permeia todo o álbum oferece alguma esperança para os subviventes que sobrevivem à violência do Estado? E aqui retornamos ao início de nossa resenha. A banda Subviventes retrata uma realidade contraditória repleta de “criaturas” (animais, índios, povo oprimido, invisíveis, viciados, trabalhadores robotizados, desempregados do exército de reserva, torcedores etc.) que tentam sobreviver confinadas nos subterrâneos do mundo capitalista, lutando por respirar o pouco de ar que ainda resta e enxergar uma fresta de luz num ambiente sombrio, sufocante, opressor. Em toda parte, não há saída. Por outro lado, descer ao submundo pode nos dar a chance de nos situarmos em um lugar privilegiado, na medida em que podemos olhar por uma outra perspectiva, pela qual aqueles que estão sobre a superfície e sob a luz intensa do sol não conseguem. De todo modo, Depende de onde olhar nos convida a olhar com os olhos de todos os subviventes, para descobrirmos que olhamos para nós mesmos! Neste exercício de empatia absoluta, irrestrita, altruísta, ao enxergar com olhos dos outros, dos que vivem uma vida humilhante, vislumbramos todo o sofrimento que também sentimos, porque, no fundo, somos iguais. O jogo de oposições, claro-escuro, racional-irracional, superior-inferior, desaparece. Os limites, as fronteiras, idem. A partir desse reconhecimento do outro em nós mesmos e de nossa convivência numa prisão, o valor mais alto é a liberdade e a paz só pode ser conquistada por meio de uma guerra contra os inimigos da liberdade (citação livre de O levante). Entretanto: “O capitalismo não vai permitir / Não há igualdade nem justiça” (Não passarão, Subviventes). Em que pese o apartheid social e a repressão cotidiana, dentro da perspectiva dos subviventes, não há alternativas senão romper as grades da jaula, para que todos os seres da Terra possam conviver em plena justiça, liberdade e igualdade, levando os ideais anarquistas às ultimas consequências “Hasteie a bandeira negra libertária / E veja o mundo todo brilhar / Hasteie a bandeira negra libertária / E sinta a vida em ti emancipar” (Bandeira Negra, Subviventes). Porém, a questão fundamental não foi respondida. Como olhar pelos olhos dos outros, dos injustiçados, dos ofendidos, relegados a uma subvida? A letra de Razão limitada é categórica: “Feche os olhos / Enxergue com o coração”. Utopia? Tenho a impressão de que a mensagem dos Subviventes tem o potencial para uma transformação radical do mundo... O problema é que a ganância cega... o ódio cega... Enfim, esses são os meus destaques, entre um repertório de doze canções excelentes que compõem este surpreendente álbum. No que tange a parte musical, esta transita entre um punk rock e um hardcore tão empolgante quanto original. Espero não ter me alongado muito e peço desculpas pelas minhas divagações filosóficas. Mas é que o material em questão exige um cuidado redobrado e nos instiga a uma meditação profunda sobre os diferentes pontos de vistas que nos cercam, quase sempre divergentes e conflituosos, porém, vitais para a construção de um mundo mais justo. E, cá entre nós, uma banda punk que sinceramente ainda levanta a bandeira da Anarquia merece todo o nosso respeito. Realmente, durante muito tempo não conheci a banda Subviventes, agora virei fã.

E você, está preparado para olhar com os olhos dos Subviventes?

*****

SUBVIVENTES, Depende de onde olhar.

1 – Adeus; 2 – Espiral racional; 3 – Índios; 4 – Mundo parado; 5 – Razão limitada; 6 – O levante; 7 – Não passarão; 8 – Súplica animal; 9 – Homem invisível; 10 – Futebol moderno; 11 – Encenação; 12 – Bandeira Negra.

Formação: Galeão (voz), Garrafa (guitarra), Vermelho (bateria) e Abutre (baixo). [Acho que a formação mudou, entrou o Bolão].

Contato:

bandasubiviventes@gmail.com

Links relacionados:

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Fecaloma 30 anos de punkrock: entrevista


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

"Eu versos eu" - (Parte 16) - Antologia

Antologia poética


81.

Seus olhos

Ao se trombarem

Com os meus

Assumiram toda a culpa

E se esconderam

 

82.

Seus olhos

Ao se encontrarem

Com os meus

Confessaram todo o amor

E fugiram

 

83.

Não sei onde está meu coração

Se perdido no passado

Ou se se encontra preso ao presente

No futuro não quero pensar

Só sei que nunca foi meu

Nunca será

 

84.

Perdi minha pureza

Nas lágrimas que secaram

Para o meu coração

Liberdade é tristeza

 

85.

Não tenho mais o meu amor

A minha maior riqueza

Invejo e odeio

Aquele quem me roubou

Pois, de que serve um escravo

Se não sabe viver sem seu senhor

Se não sabe viver sem seu trabalho

Se não sabe viver sem seu flagelo

Imploro, devolva as minhas correntes

Sou seu escravo

Escravo do amor

 

86.

Hoje descobri

Desesperado

O quanto o amor

Tem tão pouco

De amor

 

87.

Deus, ajude-me

Imploro

 

88.

O que é amor

Não sei, talvez nada

O amor é impossível

Incompreensível

Entre o amor ideal

Entre o amor real

Eu

 

89.

Beijar a sua boca

Era um sonho

Que nunca se realizou

Agora que eu acordei

Seus lábios se encostam

Suaves, molhados

Devagar

Nos meus

E volto a sonhar

 

90.

O tempo passou

Não amei ninguém

Apenas eu

Porque nunca deixei

De sonhar