quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Terra plana versus Terra globo: confronto final

Como todos devem saber, a concepção da terra plana, há muito ultrapassada, voltou à tona nos debates da internet.


Segundo reportagem “7% dos brasileiros afirmam que a Terra é plana: Crença também é maior entre os mais jovens e cristãos e cresce com as redes sociais”, publicada pela Folha de São Paulo, em 14/07/2019, revelou que pelo menos 11 milhões de brasileiros acreditam que a Terra é plana, conforme resultados de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha.

"A crença de que a Terra é plana se revelou inversamente proporcional à escolaridade. Enquanto 10% das pessoas que deixaram a escola após o ensino fundamental defendem o chamado terraplanismo, essa parcela diminui entre os que estudaram até concluir o ensino médio (6%) ou superior (3%)", detalha a reportagem.

"No Brasil é difícil detectar quando o terraplanismo surgiu. Um fator que pode ter contribuído, na esteira da influência de terraplanistas dos EUA, é o alcance de grupos organizados em redes sociais", continua a matéria.

Mas, afinal, a terra é plana ou redonda?

Para tentar responder essa pergunta, vamos analisar algumas imagens e, no final do artigo, vocês é que vão tirar as suas próprias conclusões.

Todo o argumento dos defensores da terra plana está fundamentado nessa ilustração, já que eles não acreditam nas fotos de satélites, da estação espacial, viagem à lua etc. Para eles essas imagens são montagens ou alteradas no photoshop.
Ilustração comparativa: terra plana e terra globo

Portanto, tudo o argumento consiste em negar a curvatura da terra através da observação de objetos situados sobre a superfície do mar a uma longa distância. Na terra plana, esses objetos seriam vistos independentemente de suas distâncias. Já na terra globo, em um dado momento e distância, esses objetos desapareceriam, graças à curvatura da terra, como se estivessem descendo uma rampa.

terra plana
No item “a”, terra plana, seria possível a um observador munido de um telescópio visualizar, supondo um supertelescópio, desses que a gente vê os planetas, uma sequência de bandeirinhas que, em teoria, seriam visíveis até a “borda” da terra. Por mais longe que a bandeirinha se encontrasse, ela seria visível integralmente, desde a base de sua haste até o pano retangular, no topo.

terra globo
No item “b”, terra globo, o raio de visão do observador, em linha reta, perderia o foco das bandeirinhas, que seguiriam uma trajetória curva. A bandeirinha começaria a sumir lentamente pela base até desaparecer completamente pelo topo.

Um navio navegando em direção ao horizonte, na terra plana, seria visível até diminuir de tamanho e, pouco a pouco, se tornar um pontinho e, enfim, sumir. Com um telescópio, se focássemos na direção de sua trajetória, seria possível observar o navio outra vez, como se ele estivesse muito perto de nós novamente.

Ilustração comparativa com um navio: terra plana e terra globo

Na terra redonda, por causa da tal curvatura, o navio, a uma certa altura, começaria a desaparecer pelo casco até sobrar só a parte de cima e, então, desaparecer completamente. De nada adiantaria apontar o telescópio para a direção em que ele se foi, pois só veríamos o horizonte do mar.


Observem como este navio de pirata se deslocaria na terra plana, à esquerda, e na terra globo, à direita.



A observação tem confirmado o modelo da direita, isto é, terra globo. Mas seria possível objetar porque objetos que ultrapassaram a linha do horizonte, como aviões, torres de farol sinalizador ou prédios situados numa ilha distante, não aparecem inclinados.

O problema é que não é tão simples assim, simplesmente, porque não conseguimos enxergar a olho nu um objeto do tamanho de um navio descer a curvatura da terra.

Quando, por exemplo, subimos no último andar do Terraço Itália, de 165 m de altura, e olhamos para baixo, vemos pessoas do tamanho de formiguinhas.


Realmente, somo muito pequenos, seres microscópicos mesmos, em comparação com as medidas do planeta Terra.


Na verdade, a experiência do navio só poderia ser realizada com o uso de um telescópio e o resultado seria este:

Telescópio
Ilustração comparativa com um navio: terra plana e terra globo

Portanto, é preciso considerar as dimensões do planeta Terra, que são gigantescas, e compará-las com o tamanho médio de um ser humano. Os números são estes:

Área da superfície da Terra: 510.100.000 km2 ou 510.100.000.000 m2

Circunferência da Terra: 40.075 km ou 40.075.000m

Tamanho médio de um ser humano: 1,70 – 1,80 de altura

Para se ter uma ideia do que isso representa em termos de escala, tomemos hipoteticamente o tamanho de uma pulga tornando-o equivalente em proporção a de uma pessoa de 2m de altura e, em seguida, comparemos a de outros animais e coisas e depois com os valores acima:

Uma pulga: 0,02m ou 2mm - ser humano: 170mm


Ou seja, em termos proporcionais, para uma pulga um ser humano seria mais alto do que o edifício Terraço Itália.

Outros valores convertidos em milímetros para efeitos de comparação:

Elefante: 700mm – Baleia azul: 3500mm – Prédio mais alto do mundo: 82800mm – Pista de cooper do Ibirapuera: 400000mm

Agora tomemos o estádio do Maracanã com seus 150 mil m2 convertidos em mm2: 150.000.000.000. Multipliquemos por 3 estádios do Maracanã. O resultado é 450.000.000.000 mm2. Juntemos à sede do Flamengo de 73 mil m2 ou 73.000.000.000 mm2. Coloquemos uma pulga no meio disso tudo.

Surpreso? Se você encontrar a pulga, ganha R$ 1000000,00!!!

Isso é mais ou menos o tamanho da Terra em relação a um ser humano.

Tendo em vista estes parâmetros, para se ter uma compreensão mais concreta de como um navio “desaparece” atrás do horizonte, devemos incluir outro fator: o ângulo e o grau da circunferência da Terra.

O ponto amarelo marca 1 grau
O sinal amarelo à esquerda marca 1 grau. 
Arredondando a circunferência da Terra para 40.000km e dividindo por 360 graus, um grau corresponde à distância de 111 km ou 111000 m.

O ponto amarelo marca 1 grau
Repare no intervalo de 1 grau, parece uma reta.

Para termos uma noção dessa grandeza, podemos estabelecer relações de distância entre cidades e a média do tempo estimado de viagem entre uma cidade e a outra.

Um grau corresponde a 111 km.
São Paulo – Jundiaí – 47 km (em linha reta), 55 km (rodovia) e 44 minutos de viagem.

São Paulo – Santos – 57 km (em linha reta), 76 km (rodovia) e 57 minutos de viagem.

São Paulo – campinas – 82 km (em linha reta), 96 km (rodovia) e 1h22min.

São Paulo – São José – 86 km (em linha reta), 99 km (rodovia) e 1h11min.

São Paulo – Sorocaba 100,6 km (rodovia) e 1h30min.

Para o observador ao nível do mar a curvatura da terra coincide com a linha do horizonte.


Através de uma Calculadora de horizonte e curvatura da Terra, podemos inferir a distância da linha do horizonte e a altura de objetos que seguem para além do horizonte através de um observador de 1,7 m de altura ao nível do mar. (Os números abaixo desconsideram o índice de refração e são sempre referentes a perspectiva de 1,7 m de altura).

Observador – linha do horizonte 4654,18 metros.

Para este observador, se um surfista moicano de 2 metros de altura ultrapassar 1 km além da linha do horizonte, este surfista continua sendo perfeitamente visível.

A partir de 10 km, o surfista seria visível da cintura para cima.

Depois de 12 km, o surfista seria totalmente encoberto restando apenas seu cabelo moicano.

A curvatura da terra permite que vemos o topo da ilha.
Uma ilha de 44 m de altura a uma distância de 28 km seria perceptível apenas a partir de seu topo de 1,20 m. Se consideramos a refração esse número poderia ser aumentado, pois a curva da luz aumenta o objeto, e mesmo a uma distância de 34 km o topo da ilha poderia ser avistado.


Um navio de cruzeiro pode alcançar 72 metros de altura.

O navio não ultrapassou a linha do horizonte
Para um navio de cruzeiro desaparecer completamente atrás do horizonte, ele teria de navegar mais de 37 km da costa, ou seja, quase a distância São Paulo-Jundiaí, e ainda assim sobraria a pontinha da chaminé. Considerando que a velocidade média de um cruzeiro é de 24 e os 26 nós (cerca de 48 km/h), o navio levaria quase uma hora para “sumir” atrás do horizonte.

Representação de um navio atrás da linha do horizonte.
Para um prédio ser visível a 111 km, o que corresponde a um ângulo de 1 grau, ele teria que ter uma altura superior a 887,5 metros.

Transcorrido 1 grau, a curvatura desceu 970 m de altura a linha do horizonte.
A inclinação desse prédio seria de apenas 1 grau, quase imperceptível. Nota-se que a inclinação atual da Torre de Pisa é de 3,99 graus.


O que significa que, para se observar um objeto atrás da linha do horizonte no mar com a mesma inclinação da Torre de Pisa, este deveria ter uma altura de mais de 4 km e estar a uma distância de mais de 400 km do observador, ou seja, mais longe que a distância que separa as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, que é de 358 km. 

Para concluir temos a seguinte relação:

Observador: 1,7 m – 0,04 graus – linha do horizonte: 4654 m.

0,48 graus – 55 km – 198,9 m abaixo da linha do horizonte.

1 grau – 111 km – 877,5 m abaixo da linha do horizonte.

O grande problema dos terraplanistas é que eles não provam nada, apenas lançam objeções aos fatos consolidados que demonstram que a Terra é um globo, numa tentativa de distorcer a realidade, confundir e convencer os incautos e crédulos aos seus propósitos (muitas vezes financeiros).


Devido às determinações referentes a direitos autorais, este blog utiliza imagens licenciadas ou autorizadas e não utiliza mais imagens de terceiros. Assista no YouTube o vídeo “Como os Barcos Desaparecem no Horizonte” para ver um navio descer a curvatura da Terra.

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